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Confira análise a respeito das mudanças na estrutura de poder da Globo anunciadas nesta terça-feira (27) e os problemas que elas tentam debelar

A Globo anunciou na tarde desta terça-feira (27) uma profunda reestruturação na sua cadeia de comando com diretores mudando de área , desligamento da empresa e, naturalmente, promoções. A mais vistosa delas alcança Ricardo Waddington, que deixa o posto de diretor de variedades e multitela, que dividia com Boninho , para assumir a direção geral de produção da casa.

Boninho perde força na Globo
Divulgação
Boninho perde força na Globo

Eduardo Figueira, que trabalhou durante 40 anos na Globo e ocupava o cargo, se desligará da empresa em maio de 2019. Até lá, se encarregará de pautar a transição para o novo diretor de produção, que chefia toda a área de entretenimento da casa.

Boninho seguirá com o controle dos programas de auditório (“Domingão do Faustão” e “Caldeirão do Huck”), realities (“BBB”, “Popstar”, “The Voice” e “The Voice Kids”), games (“Tamanho Família”, “Tá Brincando”, “Os Melhores Anos das Nossas Vidas” e “Zero 1”) e musicais (“Só Toca Top”, “Show da Virada”, “Festeja” e “Roberto Carlos”), mas não será mais o responsável pelos programas de entrevistas e talk-shows.

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Mariano Boni , na emissora desde 1991 e atual diretor-executivo de jornalismo, migrará para o entretenimento e ficará responsável pelos programas  “Mais Você”, “Encontro”, “Vídeo Show”, “É de Casa”, “Altas Horas”, “Amor & Sexo” e “Bem Estar”, que migra do Jornalismo para o Entretenimento) e talk shows (“Conversa com Bial”).

A mudança é estratégica porque desafoga Boninho, que ainda continua com ascendência sobre muitos programas-chave do canal, e consagra uma metodologia emanada pelo diretor geral da emissora Carlos Henrique Schroder, que também vem do jornalismo. 

A migração de figuras do jornalismo para o entretenimento da Globo foi uma constante nos últimos anos. Depois de Pedro Bial, Fátima Bernardes e Tiago Leifert, Fernanda Gentil será a próxima e muito provavelmente esse movimento já está relacionado a essa movimentação perpetrada pela emissora.

O novo Boni, é bem verdade, já chega pressionado. Programas como "Bem Estar", agora sob a aba do entretenimento, e "Amor & Sexo" acumulam derrotas na audiência incomuns para o padrão que a emissora estabeleceu. Há, ainda, o caso crítico do "Vídeo Show" e as derrotas sucessivas nas últimas quinta-feiras no horário nobre com "Carcereiros" e "Os Melhores Anos das Nossas Vidas". 

A necessidade de reagir a problemas crônicos em sua grade de programação motivou, é claro, mudanças no departamento de jornalismo do canal. 

O que esperar da Globo em 2019?

Carlos Henrique Schroeder é o diretor geral da Globo
Divulgação/Globo
Carlos Henrique Schroeder é o diretor geral da Globo

A expectativa é que as conversações a respeito da programação da emissora para 2019 sejam aceleradas a partir de agora.  Com as mudanças, a emissora demonstra reiteradamente a disposição de buscar soluções tão profissionais quanto criativas para os desafios que surgem e entender que sobrecarregar Boninho neste momento particular deixava os flancos expostos. 

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"Estamos em permanente movimento e evolução. A dinâmica de mercado, a forma de consumo e o conhecimento da jornada do nosso espectador nos fazem reavaliar, a todo momento, como construímos nosso conteúdo", observou Schroder em comunicado. É por compreender tão bem esse cenário que a Globo se mantém como referência e líder entre as principais empresas de comunicação do País.

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