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Streaming da Globo demorou, mas parece finalmente ter conseguido compreender como fidelizar os espectadores e pode alavancar no futuro

A boa e velha TV aberta está sempre por perto quando precisamos, mas as mudanças na maneira de consumir televisão tem feito com que os canais abertos repensem suas estratégias, a fim de fidelizar um público que está aumentando sua presença online. O Globo Play, serviço de streaming da Globo , parece ter finalmente compreendido isso e mudado sua estratégia.

Globo Play segue apostando em produções próprias como
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Globo Play segue apostando em produções próprias como "Assédio", que estreou na plataforma em setembro

Não é de hoje que a emissora carioca investe no Globo Play , mas parece que os esforços para engajar o público no streaming não estavam fazendo efeito. Afinal, o que ele oferecia era basicamente o que se vê na televisão, e o público na internet quer novidades.

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Pensando nisso, eles criaram uma série que seria exibida exclusivamente no canal. “Carcereiros” foi lançada na plataforma em maio de 2017, mas passou despercebida . Foi sua chegada à TV no ano seguinte que alavancou o produto e garantiu uma segunda temporada.

Nesse processo, a Globo parece ter aprendido uma coisa ou outra. Eles não deixaram de investir em produções próprias, pelo contrário, estão lançando novos conteúdos, mas é justamente a ideia da novidade, de poder ver algo que não está disponível em outros lugares, que eles aprimoraram. E fizeram isso com uma produção americana.

“The Good Doctor” é uma das séries de maior audiência nos EUA, e acaba por marcar uma nova fase do Globo Play. A emissora venceu a batalha contra a Netflix e conseguiu os direitos da série, que é exibida exclusivamente na internet. Mas, para dialogar com seus espectadores mais tradicionais, eles transformaram o primeiro episódio em um filme e o exibiram na “Tela Quente”.

A estratégia parece ter dado certo. A assistente administrativa Nelma Gois, por exemplo, assinou o serviço justamente por ter assistido a série na TV. Mas ela também reclama justamente da falta de opções: “não tem novidade lá”. Com isso, ela não assiste mais nada que o serviço oferece, e acaba aliando o Globo Play a outras plataformas de streaming que também assina.

Quem também já assinava o Globo Play também foi fisgado pela série. É o caso da química Wanda Gimenez, que não sabia nem que a série não seria mais exibida na TV. Ela acompanhou o primeiro episódio na emissora, mas logo foi para a plataforma justamente por que poderia ver quantos quisesse, quando quisesse. “O legal é não ter que esperar. Você chega e já está disponível”, explica. Wanda assina o serviço há seis anos, e sempre acompanha a programação pelo celular ou computador.

Ela assina outros streamings, como a Netflix, mas por conta das séries, já que os filmes não são tão atualizados. As novidades no cinema também vão parar no seu computador, já que ela assina TV à cabo e usa outros aplicativos de canais de filme, como Telecine.

Ainda dá tempo?

Antes tarde do que nunca: com
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Antes tarde do que nunca: com "The Good Doctor" Globo Play mostrou que está pensando em nova estratégia on-line

A chegada da Globo na briga pelo streaming, porém, parece tardia. Enquanto a empresa tenta se “acertar” com a internet, a Netflix já tem mais de 10 produções nacionais embaladas para os próximos meses/ano (sem contar com as internacionais). Apesar de estar no caminho, parece que a emissora esta atrasada. A comerciária Sheila Pereira Santos, por exemplo, assinou o serviço para assistir “Onde Nascem os Fortes”, mas vai cancelar, pois não se interessa por nenhum conteúdo além: “sinceramente voltarei a assinar somente se uma série for do meu interesse”, confessa.

Ela, inclusive, nem sabia que a plataforma tinha novas séries para estrear, como é o caso de “Assédio”, que chegou ao serviço no final de setembro, e “Ilha de Ferro”, superprodução que ainda não tem data de estreia no Globo Play.

Por falar em tempo, esse é um dos benefícios apontados pelas usuárias. Muitas produções passam muito tarde na TV e não dá para acompanhar. Wanda, por exemplo, nem assiste o “The Voice” na TV. Fã do programa, ela sabe que vai dormir antes do final do episódio, e já deixa para assistir no dia seguinte.

Isso você não vê na TV

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"Ilha de Ferro" se em uma plataforma de petróleo e é a produção mais cara da Globo. Série vai estrear no Globo Play, mas ainda não tem data definida

Se por um lado a plataforma pode não ter a mesma adesão que a televisão, por outro pode experimentar coisas novas. A própria “Carcereiros” tem uma produção cinematográfica, e foi gravada fora do Projac, somente em locações.

Já “Assédio” tem uma temática densa, ao se basear na história real do médico Roger Abdelmassih, acusado de estupro por cerca de 60 pacientes. A série traz a história de cinco mulheres que sofreram na mão do médico depois de decidirem fazer uma inseminação artificial.

A próxima produção, “Ilha de Ferro” ainda tem muito de sua história mantida em sigilo, mas a produção é a mais cara da Globo, que recriou uma plataforma de petróleo onde parte da história se passa.

Agradar ao público mais tradicional que assiste TV não é fácil e, quanto um programa pode ganhar audiência mesmo sem qualidade , os que tentam ousar correm o risco de ver os espectadores afugentados.

A Globo pode, no futuro, ter um novo público no Globo Play , mais em linha com o que acompanha as novidades do streaming. Mas, no momento, quem impulsiona o serviço on-line são os espectadores que já acompanham a emissora. E é para eles que a plataforma tem que se renovar para ganhar força do futuro.

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