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"Só topo tirar o Temer se botar São Tomás de Aquino", afirmou o ator, que ainda criticou a esquerda e a direita em entrevista no "Conversa com o Bial"

Carlos Vereza participou do " Conversa com Bial " na noite da última quarta-feira (27). Há 21 anos, o ator deu vida ao honesto senador Caxias na novela " O Rei do Gado ". Durante a entrevista, ele explicou os motivos pelos quais não concorda com a saída de Michel Temer da presidência da República e analisou os comportamentos da direita e da esquerda no Brasil.

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Carlos Vereza analisa cenário político do Brasil durante entrevista no
Reprodução/TV Globo
Carlos Vereza analisa cenário político do Brasil durante entrevista no "Conversa com Bial" e defende permanência de Temer

Na entrevista, Carlos Vereza afirmou que o problema está na cultura política brasileira, que idealiza candidatos e anseia por verdadeiros heróis salvadores da pátria. "Ficam querendo o Pequeno Príncipe para presidente da República. Você tem que transar no meio dos destroços, esse é o tipo de cultura política que a gente tem. Vou ser massacrado, mas vou dizer: a maioria do povo adotou um refrão, 'Fora Temer'. Esse refrão não apresenta uma consequência, e eu trabalho com o possível, estou vendo fatos: inflação caindo, juros caindo, investimento estrangeiro voltando, bolsa batendo recordes... só topo tirar o Temer se botar São Tomás de Aquino", afirmou.

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Mesmo com tantas denúncias feitas contra o presidente na Operação Lava-Jato, o ator manteve sua posição e disse que prefere ver Michel Temer no cargo até o fim de 2018. "Você trafega com o possível até 2018. É uma loucura tirar agora uma pessoa que realmente não está flutuando acima das contradições da Terra, mas deixa o cara até 2018 e coloca ele em julgamento. Se for culpado, pune. Mas se fizer isso agora, quem vai colocar quem no lugar dele?", questionou.

Esquerda e direita

O ator também usou seu tempo na entrevista para falar sobre os posicionamentos da direita e da esquerda no Brasil em relação ao governo Temer e à saída de Dilma Rousseff. Além disso, ele também explicou as mudanças que enxerga na esquerda desde os anos 80, quando o movimento político ganhou força no país.

"A esquerda daquela época não tinha mansão dando para o lago Paranoá, não tinha carro importado. A esquerda brasileira acha que o muro de Berlim não caiu, mesmo o Stalin matando mais que o Hitler, mesmo constatando que em nenhum país o socialismo deu certo. Ela acredita em um esquema cadavérico acreditando que é possível implantar um sistema que matou ao longo da história mais de 100 milhões de pessoas", alfinetou.

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Além disso, Carlos Vereza também criticou duramente a postura da direita, que tem demonstrado atitudes mais radicais.  "A direita brasileira corre o risco de achar que um candidato que seja um populista de direita, autoritário, possa resolver os problemas do país. Também não é verdade. Não é um Messias que vai salvar o país, ainda que tenha um discurso moralista, fundamentalista". Ser radical também não é a solução, ressalta. "Intervenção militar não é o caminho. É radicalismo, não tem nuances. Sem nuances a gente não vai caminhar", finalizou.