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Inconstante, “A Lei do Amor” teve altos e baixos, mas conseguiu acertar o ritmo no final. Veja o que funcionou e o que deu errado na trama das 21h

“A Lei do Amor”, escrita por Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari, começou prometendo uma trama política e muita intriga. Com antagonistas fortes nos personagens de José Mayer e Vera Holtz, uma trama de vingança no estilo Nina de “Avenida Brasil” com a personagem de Helô ( Cláudia Abreu ) e uma história de superação com o câncer da jovem Letícia ( Isabella Santoni ), a estreia trouxe esperança de emplacar um folhetim forte no horário nobre da Rede Globo. Mas, na prática, nem sempre foi isso que se viu. Alguns personagens foram mal utilizados, como o Fausto de Tarcísio Meira, enquanto outros cresceram, como a Isabela/Marina de Alice Wegmann, na trama que sofreu mudanças ao longo de seu percurso e acertou o tom na reta final. Confira o melhor e o pior da trama das 21h:

Vera Holtz, como a vilã Magnólia, foi um dos acertos de
Reprodução/Globo
Vera Holtz, como a vilã Magnólia, foi um dos acertos de "A Lei do Amor"

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Acertos

Os vilões

Que Vera Holtz é uma atriz incrível todos sabemos. Na pele de Magnólia em “A Lei do Amor”, ela deu vida a uma personagem que é o próprio lobo em pele de cordeiro. Disposta a fazer de tudo para manter a família unida, ela arma até contra o marido, Fausto, quando descobre que ele pretende fugir com outra mulher. Ela é responsável por deixá-lo acamado e debilitado, enquanto sua amante Suzana (Regina Duarte) morre em um acidente de carro.

José Mayer também surpreendeu na pele de Tião. Acostumados a vê-lo constantemente como bom moço, foi revigorante encontrá-lo num papel com tantas nuances.

Isabela e Marina

A trama Isabela/Marina ganhou espaço e é um dos mais aguardados finais
Reprodução/Globo
A trama Isabela/Marina ganhou espaço e é um dos mais aguardados finais

Quando Isabela conheceu Tiago ( Humberto Carrão ), a promessa de um triângulo amoroso não pareceu ideal, considerando que Thiago e Letícia (Isabella Santoni) deveriam ser um dos casais protagonistas. Porém, a boa química de Carrão e Wegmann superou a sem graça Letícia. Sendo assim, os dois se envolvem, dando uma pequena reviravolta na trama. Porém, as coisas mudam mesmo quando a personagem Isabela desaparece. Ele acaba se casando com Letícia, mas a aparição repentina de Marina, que é igual a Isabela, deixa todos em dúvida sobre a real identidade da garota. A história, que inicialmente era secundária na trama, ganhou cada vez mais espaço e, perto do final, é um dos momentos mais esperados: a revelação se Marina é realmente Isabela ou não .

Feminismo

As pequenas vitórias também são vitórias. O personagem Misael (Tuca Andrada) passou toda a novela mostrando sua hostilidade machista para a esposa Yara (Emanuelle Araújo). Depois que se separaram, o personagem ainda teve uma segunda chance para aprender a respeitar os desejos e atitudes da parceira quando se envolveu com Flávia (Maria Flor). Porém, Misael não soube lidar com o estilo de vida da DJ e ela, sem nem pensar duas vezes, o trocou pela carreira e por outra mulher, Fernanda Nobre, que fará uma participação na reta final.

A parceria de Grazi Massafera e Claudia Raia

Luciane (Grazi Massafera) e Salete (Cláudia Raia) deram certo em cena
Globo/Estevam Avellar
Luciane (Grazi Massafera) e Salete (Cláudia Raia) deram certo em cena

As duas atrizes deveriam ter tramas de destaque no folhetim. Luciane (Grazi Massafera) é uma ex-prostituta que se envolve com Hércules (Danilo Granghéia). Com a ambição do marido de se tornar prefeito de São Dimas, ela inicialmente se mostra uma boa parceira. Porém, quanto mais se envolve com a família Leitão, mais sujeiras descobre.

É na política de São Dimas que Luciane conhece Salete (Claudia Raia). A dona de posto de gasolina é uma mulher forte, batalhadora e honesta. Confiante e solteira, ela gosta de aproveitar a vida e se envolve, sem grandes compromissos, com os frentistas de seu posto. A vida das duas se aproxima quando Salete concorre para prefeita da cidades, com Hércules como vice. E é aí que as duas ganham pontos. Por mais que tenham sido mal aproveitadas individualmente, as duas brilharam com a parceria entre tapas e beijos. Duas excelente atrizes que poderiam muito bem repetir a dose em novos folhetins.     

Erros

Casais

Helô e Pedro não empolgaram como casal em
Divulgação/TV Globo
Helô e Pedro não empolgaram como casal em "A Lei do Amor"

Helô e Pedro, que na primeira fase da novela foram interpretados por Isabelle Drummond e Chay Suede , viveram um grande amor na juventude. Mas seu amor entra em conflito com os sentimentos de Helô, que não perdoa a família de Pedro pela demissão de seu pai, e as consequências disso. Magnólia trama para separar os dois e Helô se afasta de Pedro, enquanto esse vai embora do país. Ao retornar, 20 anos depois, eles se reencontram e percebem que ainda se amam como antes. A bela história de amor, envolvendo os personagens mais maduros e coesos, sofreu com a falta de empatia do público.

Na prática, Helô (Cláudia Abreu) e Pedro ( Reynaldo Gianecchini )  mais pareciam irmãos, e a história dos dois logo perdeu a graça. Alguns recursos foram incluídos para tentar criar novos conflitos entre o casal, como o surgimento de Laura (Heloísa Jorge), um antigo amor de Pedro que resultou em uma filha que ele não conhecia. A gravidez de Helô, e seu sequestro nas últimas semanas serão o principal fio condutor dessa história, que acabará em final feliz.

Outro casal que deveria ter destaque na trama era Tiago e Letícia. Como falado acima, eles não emplacaram, e Tiago acabou se dando melhor como par de Isabela/Marina. Insistir no caso dos dois foi pior, e nem o casamento convenceu os espectadores. O machismo de Tiago também não agradou , e a dupla acabou se desfazendo no final, com ambos terminando com outros parceiros.

Trama Política

Um dos principais temas prometidos nas chamadas da novela, e que deveria permear toda a história, era justamente a questão da corrupção política na fictícia cidade de São Dimas. Mas, quando posta em prática, a trama não foi bem representada e acabou rejeitada pelo público. A questão política foi relegada a segundo plano, deixada por conta do sem graça Hércules, que quer ser prefeito a qualquer custo. Promessa não cumprida.  

Atores mal aproveitados

Tarcísio Meira estava bem como Fausto, mas passou boa parte da novela de cama
Divulgação/TV Globo
Tarcísio Meira estava bem como Fausto, mas passou boa parte da novela de cama

Ter um ator da grandiosidade de Tarcísio Meira e relegá-lo a uma cama por quase todo o decorrer da história chega a dar dó. O personagem Fausto, um dos poucos com mais nuances, e características boas e ruins, sofre um acidente que o deixa, a maior parte do tempo, falando palavras sem conexão, em estado senil. No final de sua trajetória, ele ainda oferece uma brilhante interpretação, quando conta, na frente de todos, que sua ex-mulher Magnólia foi responsável pelo acidente que o deixou daquela maneira. Uma última boa cena antes do personagem morrer. Outros atores mal aproveitados incluem Heloísa Périssé , Ricardo Tozzi,  Ana Rosa e Otávio Augusto.

Abuso sexual

Apesar de ser um acerto trazer o tema de abuso sexual para o horário nobre, os autores o trabalharam muito mal. A personagem em questão, Vitória, na pele da sempre excelente Camila Morgado , é considerada desequilibrada. A novela, no entanto, não se dá ao trabalho de desenvolver os desdobramentos psicológicos de uma pessoa que foi estuprada, e depois passou tantos anos casada com um homem que a abusada emocionalmente. Descrita como “avoada”, “sem vida” e “louca”, Vitória até ganhou a simpatia do público, mas teve poucas chances de se mostrar como uma pessoa que precisa de auxílio mental .

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