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"Hebe – A Estrela do Brasil" chega aos cinemas em um momento pertinente por mostrar um lado da apresentadora que lutava contra o preconceito

Talvez por uma ironia do destino, o filme “Hebe – A Estrela do Brasil” vai estrear dialogando com a atual situação do Brasil. O longa protagonizado por Andréa Beltrão não é uma biografia da carismática apresentadora, mas sim um recorte da sua história, focando em um período conturbado, quando tentaram censurar o que ela falava na televisão. Hebe, por sua vez, fazia um questionamento que cabe muito bem nos dias de hoje: “Que democracia é essa?”.

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Cena do filme sobre Hebe arrow-options
Divulgação
Andréa Beltrão como Hebe Camargo


Hebe – A Estrela do Brasil ” explora o lado ativista da extravagante apresentadora. No filme, ela é mostrada como uma mulher que não tinha medo de ser direta, que defendia fervorosamente os direitos dos LGBTQ+ e que criticava os políticos que não atendiam as necessidades do povo.

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Carolina Kotscho, roteirista do filme, explicou que não quis apenas contar a história de uma pessoa famosa, mas sim olhar para a história da Hebe e ver que tipo de reflexão a trajetória dessa mulher propõe. “É angustiante o quanto o filme é atual, o quanto o mundo mudou nesses anos que estamos trabalhando nisso.”

O longa começou a ser trabalhado há cerca de quatro anos e, para Carolina, nesse período o Brasil retrocedeu. “Quando eu comecei a escrever esse recorte [da história da Hebe] era um recorte de celebração, teve o reconhecimento do casamento homossexual, o crescimento do feminismo e eu queria mostrar onde isso começou, mostrar essa mulher há 30 anos lutando por isso, brigando por isso e, de repente, de um ano e meio pra cá, virou a mesma luta”, comentou a roteirista.

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Hebe – A Estrela do Brasil ” chega aos cinemas nos próximo dia 26 de setembro tocando em assuntos necessários para o País, visto que, recentemente no Rio de Janeiro, o prefeito Marcelo Crivella tentou censurar um HQ que possuía um beijo gay, em São Paulo, o governador João Doria mandou recolher apostilas que falavam de diversidade sexual e o atual presidente Jair Bolsonaro cogitou a extinção da Ancine ao criticar alguns filmes nacionais. Diante desses exemplos, será que a Hebe repetiria sua pergunta: “Que democracia é essa?”.