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Noviça na profissão, ela atuou no filme de Kleber Mendonça Filho e ainda poderá ser vista em mais três longas, todos previstos para 2020

Bárbara Colen nasceu em Belo Horizonte, passou parte da infância (dos 6 aos 13 anos em Recife), morou três anos em Barcelona, está de volta a Minas Gerais e não descarta a possibilidade de se mudar para Rio ou São Paulo, se a profissão exigir.

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Reprodução/Instagram/@babicolen
Bárbara Colen


“Minha mãe diz que nasci com rodinhas”, ri. As rodinhas de  Bárbara Colen  a levaram ao interior do Rio Grande do Norte, e a Cannes, na França, pelo mesmo motivo: o longa “Bacurau”, em cartaz em todo o Brasil. Dirigida por Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, a produção, filmada no sertão de Seridó, ganhou o Prêmio do Júri num dos mais importantes festivais de cinema do mundo.

Bárbara também poderá ser vista no cinema em três novos longas, “Breve Miragem de Sol” (de Eryk Rocha), “Desterro” (de Maria Clara Escobar) e “Baixo Centro” (de Ewerton Bélico e Samuel Marotta), ainda sem previsão para entrar em circuito, mas provavelmente em 2020 (o filme de Rocha terá pré-estreia mundial no dia 3 de outubro deste ano, no BFI Festival de Cinema de Londres).

Tudo isso apesar de a carreira artística ser muito recente. Formada em Direito, a mineira de 33 anos transformou completamente a vida profissional. Ela trabalhava há sete anos no Ministério Público de Minas Gerais quando decidiu largar o emprego para se dedicar à arte de interpretar. 

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Os pais —ela, funcionária da Caixa Econômica; ele, dono de uma pequena lavanderia em Belo Horizonte — tiveram medo, já que, como conta a filha, “são pessoas que tiveram que trabalhar duro desde muito cedo” mas acolheram “com muito amor” a decisão da filha.  

“Sempre quis ser atriz, mas precisei de um tempo para ir me preparando para isso” diz, explicando que a prudência, no DNA da mineiridade, teve razões financeiras. ”Nunca tive condições para poder só estudar. Fazia faculdade e já trabalhava”, conta.

Mas nunca se arrependeu de ter abandonado a segurança do emprego público. “ Ainda bem que tive coragem”, diz ela. 

A ‘exuberância’ do sertão

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Reprodução/Instagram/@babicolen
Bárbara Colen

Bárbara ainda atuava como oficial do Ministério Público de Minas quando fez um curso de interpretação no Palácio das Artes, em Belo Horizonte. Já havia atuado num curta-metragem quando decidiu largar o Ministério Público, em 2015. E aí tudo aconteceu muito rápido. Na semana seguinte, foi chamada para fazer teste para o premiado “Aquarius” (2016), seu primeiro trabalho com Kleber Mendonça Filho. Ela soube da seleção pelas redes sociais e resolveu arriscar. Acabou escalada para o papel de Clara (personagem de Sônia Braga) quando jovem.

Quando fez o filme, Bárbara vivia ainda na ponte aérea Belo Horizonte-Barcelona (ela foi casada com um catalão). Com o fim da relação, retornou no ano passado ao Brasil e, pouco depois, recebeu o convite para trabalhar novamente com Kleber. Em “ Bacurau ”, ela é Teresa, personagem que volta à cidade natal, no sertão pernambucano, para o enterro da avó, uma liderança local. Recheado de metáforas políticas, o filme transforma um povoado sertanejo abandonado pelo poder público, onde estrangeiros promovem uma sangrenta caçada humana, em símbolo de união e resistência.

“É um filme difícil de definir, que fala de muitas coisas. É uma história sobre pessoas muito simples, interessante, complexa, inteligente. E toca muito na questão da identidade, de uma sociedade que se pensa a partir da educação e da preservação da memória. Uma coisa que nos falta às vezes no Brasil”, afirma.

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Para a atriz, leitora de Guimarães Rosa desde nova, filmar na “exuberância” do sertão foi uma experiência transformadora: “Muda o seu corpo, a respiração, o jeito de olhar. Tem uma densidade e, ao mesmo tempo, uma simplicidade de vida. É impressionante como a paisagem pode afetar o processo criativo. O fato de estar lá já determina muito o corpo da Teresa, as relações”, pontua.

“Apaixonada por cinema”, Bárbara em breve fará sua estreia nacional na TV, na série “Onde Está Meu Coração”, da Globo , prevista para o primeiro semestre de 2020. Escrita por George Moura e Sergio Goldenberg (de “Amores Roubados” e “Onde Nascem os Fortes”), a produção, dirigida por Luísa Lima, tem no elenco Letícia Colin (como a médica Amanda, dependente química), Daniel Oliveira (seu marido), Fábio Assunção e Mariana Lima (os pais). Bárbara faz a médica Marta, assistente de Davi, personagem de Assunção. Ela é só elogios à parceria com o ator. “Ele é muito generoso, fez tudo ficar mais fácil. Foi uma experiência deliciosa”, relembra.

Pensando no futuro, Bárbara Colen acalenta o desejo de subir ao palco (“Nunca fiz teatro profissional”) e analisa novos projetos para o cinema. Um deles internacional, para o ano que vem: “Ona Sur”, que será rodado na Cidade do México, com os atores americanos Christian Camargo (“A Saga Crepúsculo: Amanhecer”), e Michael Chernus (“Homem-Aranha: De volta ao lar”). ”Estamos conversando. É um projeto bem interessante”, finaliza a atriz.