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Grupo protestou contra navios de cruzeiros e incêndios florestais

Cerca de 300 ativistas ocuparam neste sábado (7) o tapete vermelho do Festival de Cinema de Veneza para protestar contra o tráfego de navios de cruzeiro pelo centro histórico da cidade e em defesa do clima.

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Ativistas fazem protesto em Festival de Veneza arrow-options
Reprodução/Ansa
Ativistas fazem protesto em Festival de Veneza


A manifestação também contou com inúmeras faixas e cartazes em defesa de migrantes e contra os incêndios florestais que atingem diversos biomas ao redor do mundo, como a Amazônia . O ato foi promovido pelo comitê "No Grandi Navi" ("Não aos Grandes Navios") e ainda cobrou a declaração de "emergência climática" em um dos principais polos turísticos da Itália.

"O mundo precisa parar de dar as costas a uma iminente catástrofe climática", diz uma mensagem publicada na página do grupo no Facebook. A manifestação ocorreu poucas horas antes da cerimônia de premiação do Festival de Veneza , que termina neste sábado.

O prefeito Luigi Brugnaro disse que protestos "fazem parte da democracia e da liberdade", mas ironizou o ato ambientalista, definindo-o como "pitoresco". "Acho que seria melhor adotar ações concretas e diálogo para resolver os problemas", disse.

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A manifestação durou cerca de sete horas e se desenvolveu de maneira pacífica. "Entramos antes das seis, em massa, e não encontramos nenhuma resistência", afirmou um jovem de Nápoles. O grupo saiu do tapete vermelho voluntariamente, "para evitar qualquer confronto com as forças de ordem", de acordo com uma manifestante.

O objetivo dos organizadores era se reunir com o comando da Bienal de Veneza, que realiza a mostra, mas eles não foram recebidos. Ainda assim, os manifestantes receberam o apoio de Mick Jagger, que faz parte do elenco do filme de encerramento do festival, "The Burnt Orange Heresy", de Giuseppe Capotondi.

"Estou feliz que eles façam isso, são aqueles que herdarão o planeta. Estou feliz que as pessoas queiram se manifestar", disse o astro.

Cruzeiros

Nos últimos meses, dois incidentes envolvendo navios de cruzeiro reacenderam o debate sobre o tráfego de grandes embarcações por Veneza.

No primeiro, um transatlântico da MSC colidiu contra um cais e um barco no terminal de passageiros do porto da cidade, deixando quatro turistas feridas. Poucas semanas depois, um navio da Costa Cruzeiros quase se chocou contra um cais e um iate na Bacia de San Marco, mas os rebocadores conseguiram evitar o acidente.

Em 2017, o governo italiano, então comandado pelo centro-esquerdista Partido Democrático (PD), fechou um acordo com a Prefeitura de Veneza e o governo do Vêneto para tirar navios de cruzeiro do coração da cidade.

No entanto, com a ascensão da aliança populista entre Movimento 5 Estrelas (M5S) e Liga ao poder, o projeto empacou. Com a crise política na Itália no mês passado, a Liga rompeu a coalizão com o M5S, e o PD voltou ao comando do Ministério da Infraestrutura, que será cobrado para destravar a iniciativa.

Atualmente, os grandes navios cruzam a Bacia de San Marco, em pleno centro histórico veneziano, e o Canal de Giudecca, representando um risco para o frágil ecossistema da cidade. Essas embarcações atracam no terminal de passageiros de Veneza, que fica na parte insular do município, ao lado da Estação Santa Lucia.

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O plano definido em 2017 prevê que navios com mais de 55 mil toneladas sejam direcionados a Marghera, bairro situado no continente e que abriga um dos mais importantes portos comerciais da Itália. Com isso, essas embarcações não precisariam mais passar pelo Canal de Giudecca.