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Francisco Weffort, Juca Ferreira, Luiz Roberto Nascimento Silva, Marcelo Calero e Marta Suplicy deixaram claro a insatisfação com o fim do MinC

Um encontrou inédito aconteceu nesta terça-feira (2) em prol da cultura. Os ex-ministros da Cultura Francisco Weffort, Juca Ferreira, Luiz Roberto Nascimento Silva, Marcelo Calero e Marta Suplicy se reuniram na Universidade de São Paulo (USP) para apresentar um manifesto em que alegam “preocupação com a desvalorização e hostilização a cultura brasileira”.

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Ex-ministros da Cultura apresentam manifesto
iG Gente/William Amorim
Ex-ministros da Cultura apresentam manifesto


“Somos ex-ministros da Cultura de governos diferentes, tivemos nossos embates democráticos, o que é normal. Na democracia há dissenso, mas o que predominou aqui hoje foi a sinergia”, explicou Juca Ferreira durante a coletiva de imprensa. Para os ex-ministros, o principal erro do atual governo foi eliminar o Ministério da Cultura (MinC) e o transformar em uma secretaria do Ministério da Cidadania.

Marta falou que a cultura depende do Estado e que falta transparência no atual governo. “Nós temos leis que passaram e são muito importantes, mas elas estão sendo observadas? Não sabemos nada do que está acontecendo”, enfatizou e pontuou que estão sendo divulgadas informações no site oficial do Ministério da Cidadania.

Mesmo o Brasil tendo uma cultura internacionalmente reconhecida, os ex-ministros ressaltaram que muitos artistas estão sofrendo censura e também estão sendo molestados pelo atual governo. De acordo com Juca, o presidente  Jair Bolsonaro “demoniza a cultura” e isso está fazendo com que as empresas se sintam inibidas em associar seu nome aos projetos culturais.

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As alterações na Lei Rouanet , que agora limita o teto de arrecadação a R$ 1 milhão, também foi citado pelos ex-ministros. Luiz Roberto afirmou que o governo atual criou uma má visão das leis de incentivo e colocou como se a cultura fosse um recurso menos nobre, mas ele defendeu que isso não é verdade.

Durante a coletiva, Marcelo levantou outra questão: a força das redes sociais. Ele disse, por exemplo, que vê muitas pessoas na internet comemorando quando uma empresa desiste de investir em um projeto cultural e o problema é que isso está sendo algo cada vez mais instigado.

“O governo atual aumenta a temperatura da fervura, bota lenha na fogueira. O governo tem que ter a responsabilidade de entender que não representa apenas quem o elegeu, mas todos os brasileiros”, pontuou Marcelo.

Confira o manifesto na íntegra

Manifesto
iG Gente
Manifesto na íntegra

A união dos ex-ministros tem o intuito de expressar a insatisfação com as decisões relacionadas à área cultural. “O manifesto é um passo, ter a resposta não compete a nós”, explicou Marta que acredita que a cultura não será extinta, mas será trabalhoso reconstruir o que o atual governo está jogando fora. “O que cabe a nós [ex-ministros] foi feito”, acrescentou Luiz Roberto.

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Por fim, Francisco deixou uma mensagem otimista em nome dos ex-ministros da Cultura : “A democracia não começou aqui, a democracia começou antes de nós. Também não vai terminar aqui. Nós temos que confiar que o Brasil vai reestabelecer suas tradições democráticas e vai melhorar como tem melhorado há séculos”.