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Design e a possibilidade de isolamento num mundo sonoro individual fizeram da criação japonesa um sucesso difícil de ser repetido

Hoje, que as pessoas estão bem acostumadas à imersão em seus próprios mundos musicais a partir de seus smartphones, é difícil entender a revolução provocada exatos 40 anos atrás pelo lançamento do Walkman. Mas basta dizer que em 1979, o vício solitário da música só podia ser cultivado em casa, nos limites de um cômodo, com pesados fones de ouvido e um volumoso aparelho estéreo.

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Walkman
Divulgação/Sony
Depois de ficar 31 anos no mercado, a Sony anunciou que vai parar de produzir o Walkman de fita cassete: 200 milhões de unidades vendidas em 2010


A ideia revolucionária do Walkman foi a de liberar a experiência sonora individual para todos os ambientes do cotidiano. Ele foi supostamente desenvolvido a pedido de um executivo da Sony, Masaru Ibuka , que queria ouvir seus discos preferidos nos longos voos intercontinentais a que era submetido.

Em seu esforço intrinsecamente japonês de miniaturização, os engenheiros da Sony desenvolveram então um tocador portátil de cassetes — um suporte musical em fita magnética, desenvolvido na Alemanha a partir de 1964, que alcançou popularidade nos anos 1970, nos estéreos dos automóveis.

Pintando o K7

O cassete era, também, em 1979, o meio tecnológico que permitia ao consumidor fazer suas próprias coletâneas, gravando-as a partir de faixas dos LPs de sua coleção, do rádio ou de qualquer tipo de registro musical amador. O que muito ajudou a difusão de novos estilos musicais, como o punk e o hip- hop, mas que deixou em pé as orelhas das gravadoras. Elas reagiram, na época, com a campanha "Home taping is killing music" — "Gravações caseiras estão matando a música", em referência ao hábito de jovens de copiar em cassete os LPs emprestados pelos amigos.

Mas de nada teria adiantado a Sony desenvolver um aparelho portátil se não o tivesse acoplado a fones de ouvido leves e se a eletrônica do aparelho não fosse otimizada para o baixo consumo de energia. O Walkman foi rapidamente adotado por quem queria uma trilha sonora para o jogging, por adolescentes que precisavam escapar do tédio dos encontros familiares e, lógico, por quem tinha horas e horas de viagem pela frente — com pilhas normais, o aparelho podia tocar por três horas e meia seguidas.

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Design irresistível

Além disso tudo, o Walkman chegou com um design irresistível — pouco foi necessário em campanhas de marketing para transformá-lo num objeto de desejo de uma garotada moderna, que estava prestes a embarcar nos anos 1980, tempos áureos para a música que tiveram um grande impulso a partir da criação da MTV (em 81) e o lançamento do devastador disco "Thriller" (82), de Michael Jackson.

O primeiro substituto satisfatório só foi surgir em 2001: o iPod, criado pela Apple seguindo as ideias da Sony de oferecer portabilidade , design e liberdade ao usuário. Os Discmen à prova de solavancos, para CDs, e os MiniDiscs até tentaram reproduzir a experiencia do Walkman numa realidade totalmente digital, mas falharam por completo.

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O Walkman marcou uma época e estabeleceu um conceito duradouro de apreciação da música. Quem sabe agora, que a fita cassete experimenta um renascimento por vias hipsters, a velha invenção japonesa possa também ser ressuscitada.