Como seria visto se ainda existisse em 2019? A pergunta sobre O Pasquim , jornal lançado há 50 anos, é pertinente, mas talvez não tenha uma resposta simples. Criado pelo cartunista Jaguar e os jornalistas Tarso de Castro e Sérgio Cabral (pai do político carioca), o semanário era controverso, tocava em assuntos que poucos falavam, tinha um toque de sensacionalismo, e ajudou a promover a voz e a carreira de muitos artistas que não tinham espaço nas mídias tradicionais.

capa de o pasquim com elke maravilha
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O Pasquim

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Numa linha hoje mais conhecida pelo jornal francês Charlie Hebdo, O Pasquim surgiu no momento mais inoportuno do cenário político e cultural brasileiro, e talvez por isso tenha se tornado tão importante. A publicação chegou às bancas em junho de 1969, seis meses depois do estabelecimento do AI5, que derrubou a Constituição brasileira e cimentou a Ditadura Militar.

Ao longo de sua existência, o jornal contou com a colaboração de personalidades ilustres, desde os quadrinhos de Laerte e Angelí, até Chico Buarque e Odete Lara, sem contar os recorrentes como Ziraldo e Millôr Fernandes.

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Boa parte da equipe fixa foi presa e uma entrevista com a controversa atriz Leila Diniz foi o estopim para a instauração da censura prévia à imprensa brasileira. As sátiras retratavam os militares, mas não se limitavam a eles. O jornal ousava criticar, com humor, o que não se podia nem mencionar na época.

capa de o pasquim com leila diniz
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O Pasquim

O nome, Pasquim, já dava sinal do que era a publicação: calunioso, satírico. Foi de uma tiragem de 20 mil para 250 mil exemplares em seis meses, e durou o suficiente para servir como inspiração para muitos escritores e humoristas que vieram depois. Hoje, talvez não fosse bem-vinda por nenhum “lado”, nenhuma “ideologia”, e esse talvez seja seu maior trunfo e o que o torna especial.

50 anos depois, porém, o jornal continua atual. E ao longo de meio século, a publicação já foi alvo de alguns trabalhos audiovisuais, dois deles exibidos pelo Sesc nesta quarta-feira (26). Às 20h o  SescTV exibe “Humor com gosto de Pasquim”. Nele, Angelí, Laerte e Luiz Fernando Veríssimo entre outros, relembram as publicações do periódico.

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Já às 23h é a vez de “O pasquim: a Revolução pelo Cartum”, que destaca artistas como Ziraldo, Millôr, Jaguar, Fortuna e Caruso falando sobre o combate à censura imposta na época e como jornalistas e artistas de humor gráfico enfrentaram, com humor, a ditadura militar.

O Pasquim segue sendo um exemplo de como o humor e a informação são ferramentas essenciais para combater sistemas totalitários, mesmo que sigam um caminho diferente e menos celebrado.

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