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Artistas que se apresentaram no principal palco do festival de música realizado em Ribeirão Preto, interior de SP, brindaram o ecletismo

Marcelo D2
Divulgação
Marcelo D2 se apresenta no João Rock, festival realizado em Ribeirão Preto

O palco principal do João Rock 2019 não foi somente um, mas dois palcos que revezavam as atrações mais aguardadas do eventos. O jogo de brincar com ambas as estruturas funcionou e os shows não deixaram por menos. Recebendo os artistas que encabeçam o line-up , as apresentações ganharam proporção de festivais consagrados com milhares de pessoas reunidas, deixando um gosto de altivez para nomes brasileiros que, muitas vezes, na “concorrência” ficaram, no máximo, como atrações secundárias.

Quem abriu a programação do Palco João Rock foram as bandas Fuze que, apesar do público escasso, estava bem empolgada, e Scalene, que entrou em seguida. A sensação de abandono parecia aguda por causa do espaço muito grande do festival em contraste com a baixa adesão. Talvez fosse mais coerente colocá-los em um palco menor que fosse compatível com o público. Contudo, as apresentações não foram prejudicadas por isso.

Vozes do Nordeste

Alceu Valença
Divulgação/João Rock
Alceu Valença se apresenta no festival

Zeca Baleiro já conseguiu consolidar o público, tocando baladas românticas mais do que conhecidas por todo mundo. A apresentação foi segura e não havia uma pessoa sequer que não estivesse, pelo menos, cantarolando com o cantor maranhense.

É interessante notar como os shows  que teriam transmissões pela televisão foram, digamos, bem menos políticos do que o restante. Enquanto nos outros dois palcos a questão do governo era recorrente com protestos claros, no Palco João Rock as coisas foram bem mais amenas.

Em seguida o grupo BaianaSystem dominou o palco e incendiou o público com seu ritmo que mistura raízes latino-americanas, referências culturais brasileiras e rock. A fusão deu muito e, de todos os shows da noite, talvez tenha sido o que mais engatou o público no clima do festival.

A presença de palco dos baianos é engrandecedora e envolvente para qualquer um, mesmo para ouvintes de primeira viagem que decidiram dar uma chance para eles. O estilo do grupo dá um presságio dos novos rumos que o som nacional terá em breve.

Alceu Valença é um clássico da música brasileira. Sem esforço, o senhor de 72 anos encanta o público sem esforço. Vale ressaltar a força que o Nordeste representou no espaço de maior prestígio do festival. Das dez atrações do Palco João Rock, quatro delas são nordestinas. Pelo menos duas delas eram “ouro da casa”: Alceu e Pitty .

Paralamas do Sucesso
Divulgação/João Rock
Os Paralamas do Sucesso se apresentam no evento

Houve, ainda, shows dos Paralamas do Sucesso. Sem maiores emoções, a banda cumpriu seu papel de “clássico do rock” sem muito alarde. CPM22 fez uma apresentação em casa, marcada pela conversa com o público com grande proximidade com o festival.

Entrando já na reta final do João rock, a baiana Pitty, em um show performático, trouxe várias participações especiais para agregar à apresentação. Dar voz para estilos distintos e novas vozes do cenário pareceram uma preocupação da cantora. Posicionamento pertinente para dar entrada em uma situação longe da mesmice.

Futuro da Música

Pitty
Divulgação/João Rock
Pitty se apresenta no João Rock

A passagem do bastão para os mais jovens também marcou os shows seguintes. Marcelo D2 cantou ao lado do seu filho, Stephan Peixoto, conhecido também como Sain KTT. Com músicas de seu último álbum e sucessos da carreira, D2 deixou claro que já há sucessão na linhagem do rap nacional.

A chancela também foi dada com o último - e talvez mais aguardado - show do festival. Emicida e Rael receberam Mano Brown no palco, um encontro de peso. Perto do final da apresentação Rincon Sapiência, que havia tocado no Palco Fortalecendo a Cena mais cedo para um público bem modesto, agora mandou seus versos para 65 mil pessoas ao lado dos maiores. Ficou claro que nosso rap tem herdeiros e benção para seguir em frente.