Desde que o mundo foi criado, a humanidade acredita que o fim está próximo. “Good Omens”, série de seis episódios do Amazon Prime Video que está disponível para assinantes desde a última sexta-feira (31), transforma isso numa certeza e apresenta como resposta ao apocalipse o humor britânico. A série é uma adaptação do livro publicado por Terry Pratchett e Neil Gaiman em 1990.

Leia também: Quem é Neil Gaiman? Conheça um pouco mais sobre o autor de "Deuses Americanos"

Michael Sheen e David Tennant em
Divulgação
Michael Sheen e David Tennant em "Good Omens"

A série tem roteiro do próprio Neil Gaiman  , que adaptou a obra para a TV após um pedido feito por Pratchett um pouco antes de morrer, em 2015.  Na trama, a chegada do anticristo à Terra, na forma de um bebê humano, prenuncia que o final do tempos está a caminho. O fato, porém, não agrada ao demônio Crowley ( David Tennant ) e ao anjo Aziraphale (Michael Sheen).

Ambientados à vida terrestre, cada um à sua maneira - Aziraphale é um admirador de sushi, enquanto Crowley se diverte com diatribes como tirar do ar a rede de celulares dos londrinos -, os dois resolvem se aliar para evitar que o mundo acabe. A solução encontrada por eles é acompanhar de perto a criação do “bebê-anticristo”, na expectativa de que ele cresça como uma criança normal. Mas uma troca de bebês na maternidade faz com que a dupla acabe cuidando da criança errada.

"O fato deles terem passado um tempo na Terra os conectou de uma forma diferente. Eles se misturam e vão ficando mais parecidos conforme o tempo passa. Eles precisam um do outro, acabam se tornando codependentes. É um casal estranho", resume Tennant, que retorna à TV após deixar saudades como o vilão Kilgrave em “Jessica Jones”, da Netflix.

Leia também: Novas séries que podem ocupar o posto de “Game of Thrones”

Jon Hamm como Arcanjo

Jon Hamm em
Divulgação
Jon Hamm em "Good omens"

Embora seja a química entre Tennant e Sheen que garanta boa parte do charme da série, outros nomes ainda abrilhantam o elenco. Miranda Richardson vive a médium Madame Tracy, e Nick Offerman, o Ron Swanson de “Parks and recreation”, é o diplomata americano cujo lar supostamente receberia o bebê demoníaco. A voz do Diabo é de Benedict Cumberbatch, enquanto a de Deus, que narra todas as trapalhadas de Crowley e Aziraphale, ficou a cargo de Frances McDormand.

“Queria que meu Deus fosse o mais convincente possível. E Frances MacDormand é facilmente essa pessoa. Se Deus existe, é para além de homem ou mulher ou qualquer coisa assim. Então vamos movimentar um pouco, fazer as pessoas pensarem por um momento”, explica o autor de "  Good Omens  ".

Outra adição luxuosa ao elenco é Jon Hamm. Depois de viver o amargurado e sedutor publicitário Don Draper em “Mad Men”, o ator de 48 anos se diverte no papel do Arcanjo Gabriel. Mencionado apenas de passagem no livro original, o chefe de Aziraphale cresceu na trama para garantir mais dores de cabeça ao protagonista.

"O que faz (o arcanjo Gabriel) engraçado é que ele é aquele tipo de pessoa que sempre tem certeza de que está correto, e normalmente está errado. Conhecemos pessoas assim na nossa vida, sejam nosso chefes, nosso pais, qualquer tipo de autoridade que tem essa capacidade de ser tão experiente e ao mesmo tempo tão ridiculamente errada", descreve Hamm, para quem a religião não deve escapar da mira do humor.

"Há muito para se satirizar em religiões, porque elas se baseiam em certezas. Toda religião se apresenta como se fosse o único jeito certo e acredita que todas as outras estão erradas. E eu acho que a verdade é que todas estão um pouco erradas e um pouco certas", completa.

Leia também: Amazon marca estreias de “Hanna” e “Good Omens” e anuncia novas adaptações 

Damares e "Frozen"

Neil Gaiman fala sobre Elsa, de
Reprodução/Instagram
Neil Gaiman fala sobre Elsa, de "Frozen", ser lésbica

Escritor best seller de livros e quadrinhos de fantasia, o britânico se surpreendeu dias atrás quando foi alertado por um fã que uma de suas ilustrações tinha encontrado um destino inusitado: uma pregação da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos Damares Alves. Em um vídeo de 2018 que viralizou este mês, Damares afirmava que Elsa, a princesa do desenho da Disney “Frozen”, era lésbica.

Para tentar provar o ponto, Damares apresentou um desenho de um livro escrito por Gaiman, em que duas princesas se beijavam. Ilustrado por Chris Riddell, "A bela e a adormecida", foi publicado no Brasil pela Rocco Jovens Leitores, selo voltado para adolescentes e jovens adultos. Na cena, quem aparece são Bela Adormecida e a Branca de Neve. A obra não tem nenhuma relação com o universo de princesas da Disney.

"Eu adoro o Brasil, muito, desde a primeira vez que o visitei. Espero que o Brasil supere suas dificuldades, que incluem ministros que são incapazes de diferenciar “Frozen” de quadrinhos de Neil Gaiman. Mas, honestamente, acho que esse é o menor dos problemas de vocês atualmente, que a ministra não saiba diferenciar duas obras" — comentou o escritor durante entrevista por telefone para promover a série.

Superprodução do Amazon Prime Video que adapta o livro publicado em 1990 por Neil Gaiman e Terry Pratchett , a série conta com Michael Sheen, David Tennant e Jon Hamm no elenco. 

    Veja Também

      Mostrar mais