Tamanho do texto

Filme inspirado na vida de Elton John é um musical cheio de cores, dores e que não esconde o processo de amadurecimento de seu biografado

Depois da cinebiografia de Freddie Mercury, é a vez de Elton John ganhar o tratamento do cinema. O popstar britânico de 72 anos supervisionou criativamente “Rocketman”, um musical inspirado em uma fantasia real, como entrega o slogan. A palavra fantasia é importante porque o filme não esconde se tratar da versão do cantor para sua vida e carreira.

Rocketman
Divulgação
Taron Egerton em cena de Rocketman

O filme de Dexter Fletcher é muito honesto na maneira como se apresenta para o público. Das polêmicas (não são poucas) à visão que Elton John tem das pessoas que compõem e compuseram sua trajetória, tudo é muito passional em “Rocketman” , que se permite momentos bastante sombrios e outros incrivelmente íntimos para um longa que, para todos os efeitos, é uma versão oficial.

Esse desprendimento é o maior predicado do longa de Fletcher, mas não é o único. A maneira como as transições musicais explicam passagens da vida do cantor é uma solução particularmente muito feliz. Adensa o musical enquanto escolha narrativa e potencializa suas veias dramáticas.

Leia também: Por que "Rocketman" é um filme melhor do que "Bohemian Rhapsody"?

O elenco é outro acerto. Richard Madden está sublime como o empresário John Reid, um escroque por quem Elton e o filme não nutrem qualquer carinho; Bryce Dallas Howard encontra o equilíbrio necessário para fazer a mãe do protagonista, um tipo que se ressente das escolhas que fez e culpa o filho por elas, mas é Taron Egerton o dono do show.

Um personagem como Elton John exige um ator capaz de transbordar carisma, mas também de anulá-lo. De demonstrar fragilidade no mesmo compasso de irascibilidade. Taron Egerton, um talento em franca expansão, é esse ator. Seu desempenho é simplesmente fenomenal. A despeito de cantar (bem) em cena, é a composição minuciosa do retrato emocional de um sujeito que alcançou o olimpo do pop sem se sentir digno de amor próprio que eleva a atuação do ator. Não se trata de uma imitação ou mera homenagem, há um comentário do ator Egerton sobre quem é Elton John e isso é sempre fascinante na sétima arte.

Rocketman
Divulgação
Taron Egerton como Elton John em "Rocketman"

Mesmo com tantos pontos altos, “Rocketman” não é exatamente um grande filme. Fletcher e o roteirista Lee Hall, até por conta da colaboração próxima com Elton, não demonstram maiores ambições estética e narrativa. Tudo fica dentro de um esquadro imaginado e argumentar que as cenas de consumo de drogas e de sexo homossexual estão lá diz mais sobre os problemas conceituais de “Bohemian Rhapsody” (a comparação sempre vai existir) do que dos méritos deste longa.

Leia também: Com Superman do mal, "Brightburn" aborda o terror de maneira criativa

“Roketman” ganha pontos porque é um musical vivo, colorido, sombrio –quando precisa ser – e extremamente emocional em momentos surpreendentes. É um filme que se comunica muitíssimo bem com o legado de Elton John e, no fim das contas, talvez seja isso o que mais importa.

Ficha Técnica

Nome Original: Rocketman

Gênero: Musical

País de Origem: EUA/Inglaterra

Duração: 123 minutos

Classificação Etária: 16 anos

Direção:  Dexter Fletcher

Roteiro:  Lee Hall

Elenco: Taron Egerton , Richard Madden , Jamie BellBryce Dallas HowardSteven McIntosh

Site oficial

Estreia: 30/05/2019