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Para assistir a apresentação de um dos grupos mais famosos do k-pop, fãs estão acampados há mais de três meses nos arredores da Arena Palmeiras

Adolescentes de todo o País cercam a Arena Palmeiras, em São Paulo, local onde a banda coreana BTS, se apresenta na tarde do próximo sábado (25). O frisson na fila é típico de uma garotada apaixonada pelo som estilizado do k-pop, uma espécie de releitura do Backstreet Boys, mas com garotos que ganham o mundo com um estilo futurista, roupas descoladas e um pouco de mistério sobre a vida pessoal de seus integrantes.

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BTS
Reprodução/Instagram
BTS é uma das maiores bandas de k-pop no mundo

Alguns fãs estão acampados na fila  para o show há três meses, quando começaram a ser vendidos os ingressos - que chega a R$ 750. Para assistir a performance de Jin, Suga, J-hope, Rap Monster, Jimin, V e Jungkook, teve fã que terminou namoro para se dedicar a todo o clima que envolve a chegada do BTS

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Pelo menos 30 barracas de camping foram armadas na região do Palmeiras, onde meninos e meninas passam dia e noite à espera da abertura dos portões. O grupo é o mais famoso de música pop da Coreia do Sul. Formado por sete meninos, o fenômeno mundial reúne dezenas de milhões de seguidores nas redes sociais e há dezenas de páginas de fãs dedicadas só às fãs brasileiras.

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Na praça Conde Francisco Matarazzo Jr., vizinha ao estádio, são mais de mil pessoas na fila até a manhã desta sexta-feira (24). Para evitar confusão, foram impostas regras da organização da fila: cada barraca pode abrigar até 60 nomes que se revezam na manutenção do seu espaço.

A divisão das fãs também é por setor. Cada barraca tem um grupo que não necessariamente se conhece e na hora de ir pra fila na calçada, a organização da arena pretende colocar para dentro de acordo com a chegada. A organização também distribui senha de acordo com o local onde o fã vai ficar. Quem quiser ir para a pista, por exemplo, vai ter que encarar 524 pessoas na frente - isso chegando com horas, horas e horas de antecedência.

Todo esse fenômeno existe mesmo com três visitas da banda em São Paulo nos últimos quatro anos. Esta é a primeira com shows em estádio — antes, eles tocaram no Citibank Hall (2017), Espaço das Américas (2015) e Via Marquês (2014).

Muitas das fãs são amigas já de outros acampamentos. Gabrielly Vitoria, de 17 anos, foi em todos os shows da banda no Brasil desde seus 13 anos e acampou nas últimas duas vindas da banda com a sua mãe, em 2015 e em 2017. Ela está na turma das primeiras acampadas. 

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"Descobri a banda em 2014 e fiquei fã muito rápido e minha mãe também. Dessa vez viemos acampar assim que anunciaram em fevereiro, mas em 2017 durou sete meses. Nessa turnê fiz muitas amigas que também são fãs da banda e saímos juntas ate hoje", diz Gabrielly. 

Desde o último sábado (18) o número de acampados engrossou. As fãs de outros estados e até de outros países chegaram em peso no final de semana. A banda não passará na turnê em outras cidades da América do Sul. 

A rotina envolve encarar chuva e frio na praça. O final de semana promete as mais baixas temperaturas do ano em São Paulo, em torno de 12 ou 13 graus. Par espantar o tédio, muitos fãs treinam coreografias semelhantes às usadas pelo grupo. Todas coletivas. São os chamados "fanchants": momentos feitos para que os fãs cantem palavras ou frases durante uma parte da música para apoiar os artistas, também bem comuns dentro do kpop.   

Pela praça passam curiosos e ambulantes, que vendem bonecos de pelúcia, camisetas, faixas, pizza e carregador portátil. Na noite desta quinta-feira, de repente, um momento de catarse. Bastou o grupo postar que já estava em solo brasileiro e centenas de jovens começaram a gritar ao mesmo tempo. A maioria dos fãs é de meninas. Estimativa dos próprios apaozinados pelo BTS avaliam que apenas 5% dos fãs são formados por garotos.

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Uma das primeiras a chegar na praça e que assumiu o comitê organizador da fila Gabrielle Gomes, 18 anos, foi quem terminou um namoro de seis meses após um mês de acampamento.

"Ele até gostava de kpop, mas não lidou bem com o acampamento. É muita energia dedicada a um grupo de garotos que mora do outro lado do mundo", diz Gabrielle. 

Muitas dessas fãs são menores de idade e muitas mães fazem o trabalho de levar as filhas da escola, para o acampamento e para a casa. A idade mínima para ir no show sem necessidade de acompanhamento dos pais ou responsável legal é de 14 anos. 

Gislene Lau está acompanhanda da filha, Emyllin Lau, de 13 anos, e irá ao show com as outras duas. Veio numa consulta num hospital da região no último sábado e quando viu o já grande volume de barracas, decidiu já se alocar. 

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"Quando eu vi a movimentação eu decidi ficar. Minha filha queria acampar desde fevereiro, então falei para o meu marido "pode ir que eu vou ficar". Saquei que isso aqui vai ferver", conta Gislene.