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Ao iG Gente, diretor do longa, Halder Gomes, falou sobre a mensagem que desejava passar e a sensação de bater a bilheteria de "Capitã Marvel"

Entre um “cabra da peste” aqui e um “égua” acolá, “Cine Holliúdy 2: A Chibata Sideral” segue a premissa do primeiro longa da franquia e se recheia de cultura nordestina para falar de cinema brasileiro na década de 80. Repousado sob o gênero Sci-Fi, o filme homenageia produções como “Poltergeist”, “ET” e “Star Wars”, tudo isso sem escorar-se no estrangeirismo, conectando-se apenas com o folclore brasileiro para abordar o assunto.

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"Cine Holliúdy 2: A Chibata Sideral" coloca nordeste no mapa e reforça soberania cultural

Dirigido por Halder Gomes, “ Cine Holliúdy 2 : A Chibata Sideral” amplia o universo de Francisgleydisson, interpretado por Edmilson Filho, que após introduzir o cinema no Ceará vê seu negócio perecer diante da chegada da televisão. Como bom brasileiro, ele não desiste de seu sonho e, após uma epifania, resolve produzir seu próprio longa-metragem.

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Em cartaz nos cinemas, para Halder Gomes , o resultado de todo o trabalho de elenco, produção e edição pode ser resumido em duas palavras: “Gratidão e representatividade”.

“É um orgulho muito grande resgatar nosso contexto histórico e mostrar como a indústria (cinematográfica) influenciou os nordestinos. [A obra] também traz um orgulho muito forte porque o filme têm o nordeste como protagonista de sua história, que é falada de seu jeito, gesticulada de seu jeito e têm ali seus personagens”, comenta Halder.

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Cena de "Cine Holliúdy 2: A Chibata Sideral"

Com um roteiro que flui entre o cômico e o reflexivo facilmente, é possível tirar inúmeras lições de vida da trama, mas para Halder, a intenção sempre foi: desvencilhar-se dos estrangeirismos para, acima de tudo, mostrar a força do povo brasileiro.

“Ele (Francisgleydisson) é a personificação do herói nacional. O herói brasileiro não têm cueca por cima da calça, não têm super poderes, ele é apenas isso… ele se esquiva das dificuldades e luta pelos sonhos apesar das adversidades”.

Imerso no vocabulário nordestino, a ponto de precisar de legendas em português, o filme, em doses homeopáticas, trata de assuntos delicados e polêmicos, como o fanatismo religioso, a homossexualidade no sertão e a indústria cinematográfica brasileira, com muito humor.

Sobre andar nesta linha tênue, Haldar não se aflige: “O filme é ambientado em um tempo de forte influência do coronelismo. Contar essa história sem mostrar isso não seria verdadeiro”.

Sempre unindo atores inexperientes a consagrados, o filme também se destaca por estabelecer um lugar comum, onde a troca de experiências entre os artistas resulta em um humor único e capaz de prender o espectador.

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Cine Holliúdy 2: A Chibata Sideral

Ao longo do filme, é notável como essa estratégia reflete na trama. Algumas vezes é possível ver que a Samatha Schmültz eleva o nível nas cenas, outrora a ápice cômico é de um ator menos conhecido do público. Esse balanço de holofotes, com certeza, é um bom indicativo.

Sobre essa troca em espécie de gangorra, o diretor comenta: "Eu vejo os filmes como um grande intercâmbio cultural. É a oportunidade de todo mundo sair dali com uma troca de informação grande. Além disso, gosto de possibilitar que um ator local  contracene com uma Samantha Schmültz ou um Milhem Cortaz. Ambas as partes saem fortalecidas disso".

Cheio de pontos positivos, na última quinta (21) o longa superou a bilheteria de “Capitã Marvel”, o novo tubarão da Marvel, na região nordestina. “Chibata” conquistou cerca de 31 mil espectadores, enquanto o longa da heroína americana apenas 16 mil. O longa chega as salas de cinema do restante do País nesta quinta-feira (4).

Sobre isso ser uma indireta para a indústria cinematográfica, que pode não dar tanto valor à região, Gomes não esconde a animação: “O Nordeste era uma rebarba do mercado, mas ‘Cine Holliúdy’ prova que a região é uma nação e que, acima de tudo, tem pessoas conscientes de sua soberania cultural e que querem se ver representadas nas telas”.

Em seguida ele acrescenta: “Isso também representa um poder mercadológico fortíssimo, e que, além de se tornar, cada cada vez mais presente, precisa ser reconhecido”.

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Cena de "Cine Holliúdy 2: A Chibata Sideral"

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Cine Holliúdy 2 : A Chibata Sideral”, apesar dos desfechos, têm um final aberto, ou seja, com uma série de possibilidades para que a franquia ganhe mais filmes. Sobre a possibilidade do produto ser uma trilogia, Halder cita o personagem principal: “o sucesso depende do público”.

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