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Contestada na internet e por muitas figuras da crítica americana, a vitória de “Green Book” não só não é absurda como faz muito sentido dentro do contexto histórico vivido pela Academia de Hollywood. Leia e entenda

A vitória de “Green Book: O Guia” no Oscar já desponta como uma das mais contestadas dos últimos anos. Embora compreensível, já que se trata de um filme sobre racismo a partir da perspectiva de um homem branco e feito por um cineasta branco em um ano com boas produções realizadas por negros sobre a questão, a polêmica é injusta para com o filme.

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Equipe e elenco de
Divulgação/ABC
Equipe e elenco de "Green Book" recebendo o Oscar de Melhor Filme

Green Book : O Guia” mostra a relação cheia de atritos entre o pianista negro Dom Shirley (Mahershala Ali, premiado pelo papel) e seu motorista preconceituoso, papel de Viggo Mortensen, nos EUA dos anos 60. Os dois se lançam em uma turnê pelo Sul do país – região marcada por uma intensa segregação no período – e mudam o olhar de um sobre o outro neste processo.

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Apesar de muitos apontarem a vitória do longa de Peter Farrelly como surpreendente, ela faz todo o sentido dentro do que é a  Academia  de Artes e Ciências Cinematográficas no contexto histórico. É, ainda, sintomática do momento de transformação que vive a organização. A percepção de muitos de que “Roma” era o favorito é mais um atestado da bem-sucedida campanha da Netflix do que uma real depreensão de como foi a corrida pelo prêmio.

A seguir, o iG Gente lista cinco pontos que ajudam a entender o triunfo do filme de Farrelly:

Divulgação
"Green Book: O Guia"


  • Era a opção mais segura entre todos os indicados na categoria que de alguma maneira carregavam algum elemento divisivo em suas candidaturas. Na disputa de  Melhor Filme  há o chamado Preferential Ballot, que é um sistema que prevê que se um longa-metragem não obtiver maioria absoluta, aquele que aparece mais bem colocado em uma revisão é o vencedor
  •  É uma produção elegante, muito bem adornada tecnicamente e que conta com um par de inspiradas atuações, o que certamente elevou suas chances no prêmio principal. Trocando em miúdos, é um filme correto, do tipo que o Oscar costuma prestigiar
  •  A maioria da Academia ainda é composta por figuras conservadoras e tradicionalistas que preferem o ar blasé de uma produção como “Green Book” à agudeza de um “Infiltrado na Klan”
  •  É um feel good movie que congrega em si tanto à dinâmica de um road movie, subgênero apreciado pela Academia, como uma importante mensagem de tolerância

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  •  A despeito da polêmica e da chiadeira das redes sociais, o filme tem apoio popular. Excetuando-se os três blockbusters na categoria, “ Green Book ” é aquele que ostenta a maior bilheteria entre os indicados e ganhou o prêmio do público no último Festival de Toronto, um importante parâmetro para as escolhas do Oscar
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