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Produção, que foi hit em Sundance, estreia nesta quinta-feira (3) nos cinemas brasileiros e traz ótimas atuações de Kristen Stewart e Chlöe Sevigny

Filmes que recriam eventos históricos costumam ser um tanto engessados até por conta do rigor da reconstituição, mas este não é o caso de “Lizzie”, segundo longa-metragem de Craig William Macneill. A obra se articula de maneira imaginativa e propõe um olhar inusitado e cheio de ilações para uma história de horror americana: o assassinato da família Borden no final do século XIX.

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Kristen Stewart e Chlöe Sevigny em cena de Lizzie, que estreia nesta quinta-feira (3) nos cinemas brasileiros
Divulgação
Kristen Stewart e Chlöe Sevigny em cena de Lizzie, que estreia nesta quinta-feira (3) nos cinemas brasileiros

O filme conta a história de Lizzie Andrew Borden, vivida com desenvoltura e garra pela sempre ótima Chlöe Sevigny, também produtora do longa. A jovem tinha pouco mais de 30 anos quando foi acusada de matar seu pai e sua madrasta. O crime brutal – eles foram mortos com machadadas – mobilizou toda a crônica policial em Fall River, cidadezinha de Massachusetts.

Com os préstimos do afiado roteiro de Bryce Kass, Macneill aborda essa história com uma atmosfera de terror sem descuidar da vertente dramática. Tudo isso em uma narrativa sofisticada e bem oxigenada por uma história de amor e desejo lésbico que fomenta ainda mais possibilidades interpretativas para o espectador.

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O filme é costurado com candura e sapiência e se viabiliza como um veículo feminista cheio de propriedade e para lá de original; sendo a maneira como as duas protagonistas se envolvem um elemento primordial desse raciocínio. Lizzie se ressente dos esforços descarados de seu pai (Jamey Sheridan) para casá-la e da aproximação do tio (Denis O´Hare), de quem ela desgosta e entende ter como único interesse a fortuna de sua família.

Cena de Lizzie
Divulgação
Cena de Lizzie

Paralelamente a isso, Bridget Sullivan (Kristen Stewart) chega para trabalhar na casa da família Borden como a nova criada e assumir o nome de Marge – uma demonstração eloquente da total anulação a qual as serviçais se submetiam à época.

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Oprimidas pela sociedade da época e pelo mesmo homem, Bridget e Lizzie recebem o desejo de uma pela outra como um idílio, uma oportunidade. O filme é muito feliz na maneira como conjuga tudo isso e jamais deixa uma linha narrativa ofuscar a outra. Na forma e no conteúdo, a produção, que causou burburinho no último festival de Sundance, cativa pelo engenho e criatividade.

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