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Graphic novel em formato de reportagem aborda a crise dos refugiados na Europa de maneira única, porém, inesperada e chocante

Ambientado na cidade portuária francesa de Calais, “Refugiados: a Última Fronteira” foi escrito pela cartunista e ativista Kate Evans . Lançado no segundo semestre de 2018, a obra retrata a angustiante vida das pessoas aterrorizadas pela guerra e que lutam todos os dias por sua identidade e por um raio de sol.

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"Refugiados: A última fronteira" retrata a vida árdua na Europa

 Com traços rústicos que envelopam a tristeza encontrada pela autora, “Refugiados: A Última Fronteira” tem como prioridade imergir o leitor em um problema recorrente e desumano.

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Combinando as técnicas de reportagem de testemunhas oculares com histórias em quadrinhos , a artista criou um livro recheado de imagens chocantes, irônicas e comoventes que examina a crise de refugiados de múltiplos ângulos: moral, político e econômico.

De um lado, histórias de pessoas que deixaram suas casas, suas profissões e famílias para fugir de guerras civis. Por outro, um governo que tem que se desdobrar para conseguir recursos para ajudar as pessoas que estão entrando no país ilegalmente sem pagar nenhum imposto.

O preconceito

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"Refugiados: A última fronteira" retrata a vida árdua na Europa

Mesclando entre parágrafos, a ativista inclui mensagens de texto que provavelmente estava recebendo na época por ajudar pessoas estrangeiras a entrar no país. “Você vai ver quando não conseguir levar seu filho ao médico”, “eles vão roubar nossos empregos”, “são terroristas”, entre outras.

Em suas histórias em quadrinhos, Kate Evans dilui todos estes comentários, mostrando a precária situação em que vivem os refugiados, a real intenção dos imigrantes, seu medo constante e, claro, o preconceito físico e verbal vivido por essas pessoas.

A obra de Kate Evans

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"Refugiados: A última fronteira" retrata a vida árdua na Europa

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Definido como “jornalismo em quadrinhos” por Alison Bechdel, “Refugiados: A Última Fronteira” deixa a desejar como reportagem, ou suas variantes da comunicação, mas dá vazão para uma discussão importante e, mais do que nunca, urgente.

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