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Uma verdadeira viagem no tempo, ao som de artistas que marcaram a época. Isto é o que prometem as bandas de covers New AC/DC e Classical Queen

Há uma grande relação de amor e profissionalismo em torno do movimento de bandas covers . Mais do que simplesmente colocar no palco os trajes, instrumentos, coreografias e músicas — o mais semelhante possível do original — uma banda cover leva consigo a emoção que os fãs têm ao verem os seus ídolos.

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AC/DC
Reprodução
AC/DC

Dentro desde conceito, em especial, há dois covers que se destacam por terem uma relação muito intensa com as bandas originais. Uma já está extinta, e outra está prestes a renascer. Estamos falando de nada mais, nada menos, que AC/DC e QUEEN  — duas das melhores bandas de rock’n’roll de todos os tempos — que passam por momentos marcantes atualmente.

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O AC/DC, que aparentemente está de volta após uma longa pausa, e o QUEEN, que é uma banda marcante e agora desperta ainda mais interesse dos fãs com a chegada de seu filme "Bohemian Rhapsody", trazem uma grande relação composta por eventos extremamente significativos para os amantes do rock .

Por que ser uma banda cover?

Reprodução
"Queen"

Uma verdadeira viagem no tempo, ao som de artistas que marcaram a época. Isto é o que prometem as bandas de covers New AC/DC e Classical Queen. A New AC/DC, que leva esse nome com o intuito de ter uma pronúncia fácil, foi formada em 2015, e desde então contagia os fãs da banda com seu repertório honesto e qualitativo. Muitos fatores podem influenciar um grupo a criar uma espécie de tributo a bandas renomadas.

No caso da New o principal fator foi o sentimento de fã, que fez o projeto fluir. “A inspiração principal é de sermos fãs incondicionais do AC/DC, esse fato contribui no resultado final, pois nossa autocrítica contribui para apresentar um cover de qualidade”, destaca Ricardo Costa, baixista do grupo.

Já a Classical Queen, formada em 2004, surgiu com a ideia de se “fazer um cover fiel ao Queen, com figurinos e instrumentos idênticos ao original, recriando a atmosfera de um show”. O nome da banda surgiu com inspiração na aproximação da banda com a música clássica.

Há 14 anos, a Classical segue com a motivação de recriar minuciosamente um show da banda britânica . O grupo ressalta que o trabalho é feito “para que os fãs que tiveram a oportunidade poderem rever esse momento, e os que nunca viram um show ao vivo, terem uma proximidade de como isso seria”.

O valor de um cover

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"NEW AC/DC"

Quando tocamos no assunto de covers, também é relevante ressaltar a importância do mesmo. Bonon, guitarrista base da New, conta que com um cover é possível fazer um resgate a uma época específica. “No nosso caso, anos 70/80, onde o rock estava em alta. De lá pra cá, muita coisa mudou, inclusive as tendências musicais, sendo assim, muitas pessoas não conhecem o trabalho de muitas bandas do passado, infelizmente”.

“O que fazemos com o cover é trazer a tona, com a maior fidelidade possível, tanto os sons da banda, quanto o toda a energia e o clima da banda e da época”, completa o músico.

Apesar de ser um efeito oculto, uma banda cover também pode gerar ainda mais fãs aos músicos originais. “Já ouvimos diversos relatos de muitas pessoas que só foram ouvir AC/DC devidamente depois que viram nosso show. E como gostaram muito das músicas, foram atrás da banda original para se aprofundar mais no trabalho da banda”, revela o grupo.

Entretanto, o cover do QUEEN afirma que o trabalho de ‘recriação’ de grandiosas bandas tem um valor importante na sociedade “para manter viva a boa música, ainda mais em tempos atuais, de tanta musica de gosto duvidoso”.

Eles também destacam que a melhor parte de tocar músicas de uma banda tão aclamada e que possui um grande fanatismo é a reação das pessoas. “Observar a emoção do público, os aplausos, que comprovam que estamos fazendo um trabalho muito sério e muito emocionante”.

Como esses eventos associados às bandas afetam os covers?

Divulgação/ site
"Classical Queen"

Após anos sem lançarem discos e com o desagrupamento dos integrantes nos últimos tempos, diante da morte de Malcolm e a saída de Brian, muitas pessoas pensavam que o AC/DC fosse acabar após o “ Rock or Bust”, décimo sexto álbum de estúdio dos astros. Contudo, para a alegria dos fãs, recentemente vazaram imagens que indicam que a banda australiana estaria gravando um novo disco.

A notícia realmente pegou os fãs de surpresa. Para a New, esse possível novo disco é excepcional: “Estamos curiosos e empolgados para saber o que eles estão aprontando! Todos achavam que eles já iriam pendurar as chuteiras muito em breve e aí aparecem produzindo coisa nova? Surpreendente!”, ressalta Matheus Bonon.

Divulgação/ New AC/DC
"New AC/DC"

Após a nota, ainda sem confirmação oficial, abriu-se uma nova perspectiva para as bandas responsáveis pelos cover dos caras. Automaticamente, diante desse cenário, o núcleo em volta dos músicos envolvidos em covers está propício a passar por mudanças.

A New acredita que um novo álbum pode gerar um retorno positivo no trabalho. “Se o nome do AC/DC é levado à tona novamente, a banda cover também adquire notoriedade. Todos querem seguir as tendências de mercado, de acordo com as novidades. Inclusive os donos de bares/casas/pubs/eventos”, diz Matheus.

“Daria uma balançada para melhor. Quanto mais atuante a banda original se mantém, melhor para nós que fazemos o cover”, complementa o baixista, Ricardo Costa.

Por outro lado, algo semelhante acontece com os fãs do QUEEN, que seguem em grande expectativa diante do lançamento do filme, que está previsto para novembro desse ano. A Classical expõe que há uma grande espera pela reação que o longa vai causar nas pessoas. “Estamos na expectativa de como isso vai atingir especialmente os roqueiros da nova geração, e também, ao público em geral que pouco conhece sobre o trabalho do QUEEN”.

Eles também afirmam que “muitos donos de casas noturnas e produtores ainda não tem a dimensão exata do sucesso do filme” e que por isso não mudou muita coisa ainda, mas acreditam que após o lançamento gerará um retorno positivo ao cover.

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O que os covers esperam das produções

Classical Queen
Divulgação/site
Classical Queen

O nome do filme do QUEEN foi um dos fatores que gerou comentários entre os fãs do grupo. Para a Classical a escolha foi excepcional: “muito apropriada, pois além de ser o nome do sucesso que imortalizou o Queen, também ressalta o lado da banda ter explorado vários gêneros musicais, com a palavra Rapsódia”.

Eles também contam que a expectativa é alta em relação à elaboração do filme. “Pelo que vimos no trailer, e especialmente por ter a supervisão de Brian May, parece uma produção muito detalhada no aspecto visual e artístico. Esperamos que o roteiro também seja fiel a história verdadeira e também que o filme trate da banda como um todo e não apenas da vida de Freddie Mercury”.

Com o AC/DC não é diferente. Apesar do novo álbum ainda não ter sido confirmado oficialmente pela banda, os fãs não param de pensar como seria o próximo disco dos astros. Como fã e músico, Bonon ressalta que há uma grande perspectiva em relação à produção. “Claro que não dá pra exigir qualidade técnica igual aos álbuns antigos, que são nossas maiores referências, até hoje. De fato, a idade chega pra todos, inclusive pros membros do AC/DC. Mas eles possuem uma equipe muito boa por trás de todo o processo, então a expectativa (dentro dos limites citados) é sempre alta”.

Contudo, diante das situações que cercaram o AC/DC nos últimos tempos, o cover acredita que a banda pode estar próxima a ter um fim. “Na verdade, todos já estavam crentes, tanto pelo hiato de tempo sem mostrar nenhum material, como pela escassez de shows, que logo o AC/DC aposentaria. Por isso foi realmente surpreendente saber que eles estão tramando algo novo”.

Novo álbum do AC/DC pode ter guitarras de Malcolm

Divulgação/ New AC/DC
"New AC/DC"

Após a suposta novidade ainda surgiram comentários que o grupo utilizaria no novo álbum guitarras já gravadas por Malcolm, cofundador que morreu em novembro de 2017. O cover ressalta que a ideia é ótima para valorizar o trabalho do músico que se dedicou tanto ao AC/DC. “Achamos, além de uma ideia genial, favor jus à todo o trabalho de Malcolm, que esteve na banda desde o início e todos nós sabemos que ele era um cara muito importante na criação das músicas”, ressalta Bonon, que é o interprete de Malcolm na “New”.

Ainda de acordo com o músico, o guitarrista base da lendária banda, provavelmente deixou excelentes trabalhos. “Malcolm deve ter guardado belíssimas ideias para novos sons, então achamos que seria o ideal utilizar mais um pouco do que ele deixou como legado para nós. Sem contar que ele ainda estará presente no AC/DC, no suposto álbum novo, mesmo não mais presente entre nós”.

Diante disso, não há dúvidas que a banda australiana, considerada umas das maiores e mais bem sucedidas bandas de rock de todos os tempos, aquecerá os fãs e o do universo das  bandas covers em breve, como o Classic Queen . “Quero justamente que eles me surpreendam e se acontecer, que cheguem com um baita material para nós!”, finaliza o músico.

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