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Filme, que estreia nesta quinta-feira (29), tem tudo para se tornar mais um clássico na filmografia do cineasta de "E.T" e "Tubarão"; leia a crítica

Lançado em 2011, o livro “Jogador nº 1” de Ernest Cline trazia por trás de toda a sua temática futurística, com realidade virtual avançadíssima, uma onda nostálgica indomável pela cultura pop do século XX. Não foi nenhuma surpresa, porém, quando o nome de Steven Spielberg foi anunciado para tocar adaptação para o cinema.

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Tye Sheridan em cena de Jogador nº 1, que estreia nesta quinta-feira (29) nos cinemas brasileiros
Divulgação
Tye Sheridan em cena de Jogador nº 1, que estreia nesta quinta-feira (29) nos cinemas brasileiros

“Jogador nº 1” é um filme à altura do legado do homem responsável por obras canônicas da cultura pop como “Tubarão” (1975), “Indiana Jones e Os Caçadores da Arca Perdida” (1981), “E.T – O Extraterrestre” (1982), “Hook: A Volta do Capitão Gancho” (1991) e ”Jurassic Park: Parque dos Dinossauros” (1993). O grande mérito do filme não é mimetizar as qualidades e características do cinema spielbergiano, mas acrescentar a elas uma ode legítima e contagiante à cultura pop afirmando-a como valor indissociável da formação de um ser humano.

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Em 2045, o mundo está radicalmente cinzento, empobrecido e desencantado. As pessoas passam a maior parte de seu tempo no OASIS, uma plataforma de realidade virtual onde literalmente pode se ser quem quiser, quando quiser, como quiser e pelo tempo que quiser. É ali que conhecemos Wade ( Tye Sheridan ). Na verdade, seu avatar denominado Perzival. Ele, como tantos outros, entram na gincana proposta pelo criador da plataforma, o cientista recluso Halliday (Mark Rylance em sua terceira colaboração com Spielberg), que como herança após sua morte deixa o controle do OASIS e mais meio trilhão de dólares para o vencedor da gincana que consiste na conquista de três chaves, que possibilitariam a descoberta de um Easter Egg escondido por ele.

Muita ação e múltiplas referências movimentam Jogador nº 1
Divulgação
Muita ação e múltiplas referências movimentam Jogador nº 1

Só que a multinacional IOI, do concorrente de Halliday, Nolan (Ben Mendelsohn), aplica todos os seus recursos para vencer a competição e obter, assim, monopólio sobre a tecnologia de realidade virtual. Está criado o cenário para a luta entre o bem e o mal aqui desenhados como o capitalismo selvagem tão bem e debochadamente encarnado por Mendelsohn e a ingenuidade e temperança adolescentes encarnados na figura dos cinco do topo – Sheridan, Olivia Cooke , Lena Waithe, Philip Zhao, Win Morisaki.

Homenagens e alegorias

Há cenas memoráveis como quando os jovens heróis precisam reviver algumas das mais icônicas cenas de “O Iluminado” e a trilha sonora ajuda a calibrar o tom nostálgico da fita.  Há A-HA ( Take on me ), Rush ( Tom Sawyer ), Van Halen ( Jump ), entre tantos outros. As referências salpicam na tela quase que à velocidade da luz e exigem do espectador atenção e doutorado geek para não perder nada. Mas “Jogador nº 1” não se esgota na sua memorabilia. O macho frágil que pauta alguns dos melhores filmes dos anos 80, como “De Volta para o Futuro” e “Curtindo a Vida Adoidado” é perfeitamente emulado por Sheridan que faz um protagonista clássico de Spielberg sem muito esforço. Já Cooke dá a sua espiã cibernética um charme indevassável e se comunica com o público feminino de hoje.

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Tem romance em Jogador nº 1 também
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Tem romance em Jogador nº 1 também

“Jogador nº 1” se configura como um culto à cultura pop e devolve a Spielberg a primazia do cinema que se pretende entretenimento puro, mas também com certo grau de influência – no público e na indústria. A última vez que Spielberg foi tão eficiente em um filme com proposta análoga foi em “Minority Report – A nova Lei” (2002). Fãs de ficção científica e do bom cinema só têm a agradecer por mais essa contribuição do cineasta à cultura pop.

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