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Após a consagração de "Moonlight" no Oscar em 2017, a indústria se abriu para boas histórias e impulsiona representatividade a um novo patamar

O mundo e a cultura pop celebraram quando “ Moonlight: Sob a Luz do Luar ” venceu o Oscar em 2017. Era o triunfo de um filme pequeno, de baixíssimo orçamento, totalmente fora da curva do que costuma ser premiado no Oscar e com um protagonista negro, pobre e gay. Sim, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood havia premiado um filme LGBT . Para quem não se lembra, em 2006 o favorito “ O Segredo de Brokeback Mountain ” perdera nos 45 minutos do segundo tempo.

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Assumidamente gay, Alan Cumming assume o primeiro protagonista gay de uma série na TV aberta norte-americana em que ser gay não é um fato de grande importância para a trama
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Assumidamente gay, Alan Cumming assume o primeiro protagonista gay de uma série na TV aberta norte-americana em que ser gay não é um fato de grande importância para a trama

Muita coisa mudou nesse espaço de tempo e muita coisa ainda vai mudar depois da consagração de “Moonlight” no Oscar. Em 2018, a TV e o cinema dão nova dimensão a personagens homossexuais. A comédia romântica “ Com Amor, Simon ”, defendida e promovida por um grande estúdio, tem como personagem central um adolescente que se descobre gay e a série “ Instinct ”, uma das novidades da TV aberta norte-americana nesta temporada, também tem em seu centro, um personagem homossexual .

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Sinais dos tempos? A indústria percebeu que representatividade não só importa como rende boas histórias e está se adaptando. Mais inclusiva e atenta aos anseios da sociedade, o mainstream norte-americano se prepara para uma era em que as redes sociais já se acostumaram a incensar ou apedrejar produtos da cultura pop sendo coautoras de sua glória ou tragédia.

“Com Amor, Simon” estreou no último fim de semana nos cinemas dos EUA arrecadando cerca de US$ 12 milhões e na quinta posição, atrás apenas de blockbusters massivamente divulgados como “ Pantera Negra ”, “ Tomb Raider – A Origem ” e “ Uma Dobra no Tempo ”. O filme já está em pré-estreias no Brasil neste final de semana. O lançamento acontece em 5 de abril e a estratégia da FOX é intensificar o boca a boca em torno do filme e amealhar uma bilheteria notável no Brasil, um País de minorias bastante engajadas. O orçamento do filme girou em torno de US$ 20 milhões. Portanto, a margem de lucro é absurda.

“Com Amor Simon”  tem como personagem central um adolescente que se descobre gay e foi produzido por um grande estúdio
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“Com Amor Simon” tem como personagem central um adolescente que se descobre gay e foi produzido por um grande estúdio

O filme, que tem Jennifer Garner e Josh Duhamel como os pais do protagonista, mostra Simon ( Nick Robinson ), um adolescente comum que sofre por não ter revelado para seus pais e amigos que é gay. O filme, muito bem calculado para hypar, ainda estrela Katherine Langford do hit “ 13 Reasons Why ”. Dirigido por Greg Berlanti, especialista no desenho de conflitos adolescentes, o filme se estabelece na vanguarda de um movimento que deve se intensificar no futuro.

Connor Walsh (Jack Falahee), personagem gay da série
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Connor Walsh (Jack Falahee), personagem gay da série "How To get Away With Murder”

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A tendência é que a cultura pop abrace cada vez mais histórias como deste filme ou, por exemplo, a de “Instinct”. Se temos um personagem homossexual e totalmente à vontade em exercitar sua sexualidade em “ How To get Away With Murder ” no horário nobre da TV aberta americana, com o personagem Connor Walsh (Jack Falahee) na ABC , agora temos um personagem abertamente gay no centro de um drama policial procedural na CBS . Ou seja, sua sexualidade não é uma questão e o personagem é protagonista independentemente dela. É um avanço de qualquer ângulo que se observe.

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