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Filme estreia nesta quinta-feira (8) nos cinemas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e Salvador; confira a crítica

O cinema britânico tem a rara habilidade de conjugar drama e humor em uma mesma nota, a um só tempo e “Daphne”, primeiro longa do curta-metragista Peter Mackie Burns , é um exemplar eloquente dessa realidade.

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Cena do filme Daphne, que estreia neste fim de semana em algumas cidades brasileiras
Divulgação
Cena do filme Daphne, que estreia neste fim de semana em algumas cidades brasileiras

Emily Beecham (“Ave, César!”) vive a Daphne do título. Uma mulher de 31 anos que vive sua vida no piloto automático. Ela se sente jovem demais para determinadas demandas sociais e um tanto madura para outras. Ela se divide entre o emprego no restaurante, em que seu chefe parece gostar dela um pouco além do que preconizam as relações profissionais, e a fuga constante da mãe com câncer.

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Entre um senso de humor peculiar e aguçado e rompantes de crueldade, Daphne vai se revelando uma mulher infeliz. Do tipo de resistir ao jogo de sedução de uma pessoa realmente interessada nela e se entregar a um sexo casual e desprovido de qualquer intimidade ou consideração.

Cena do filme Daphne, uma das boas opções no cinema atualmente
Divulgação
Cena do filme Daphne, uma das boas opções no cinema atualmente

Burns acompanha sua protagonista o tempo todo. Ora com a câmera em mãos, rígida e inclemente, ora distante, fria, mas compadecida. A maneira como Emily Beecham aborda a angústia de sua personagem, um tipo incrivelmente carismático, mas surpreendentemente antipático, é um alento. Daphne é daquelas personagens que são um sonho para bons atores e Beecham não desperdiça sua chance.

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Quando vivencia uma experiência traumática, um assalto com lesão corporal, Daphne é instigada a sair de sua zona de conforto. Encarar seus anseios e suas frustrações e se colocar para o mundo como jamais o fizera até então. Nesse sentido, o filme se resolve como uma pequena crônica de uma mulher que se força, ainda que de maneira pouco consciente, a sair de um enclausurado estado de conformismo.  

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