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Painel reuniu quadrinistas que criticaram o uso de recursos digitais para criar e compararam os quadrinhos ao rock’n roll

Brilhantes, intensos e com traços facilmente reconhecíveis, Bill Sienkiewicz, David Mack, Glenn Fabry, Ben Templesmith e Simon Bisley discutiram a questão da tecnologia na hora de produzir quadrinhos na CCXP 2017, em São Paulo, nesta sexta-feira (08).

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Quadrinistas criticam o uso de tecnologia para criar seus desenhos em painel da CCXP 2017
Karine Seimoha/iG São Paulo
Quadrinistas criticam o uso de tecnologia para criar seus desenhos em painel da CCXP 2017

Para Simon Bisley, valer-se dos programas digitais para desenhar quadrinhos é como “fazer sexo com camisinha. É legal, mas não é a mesma coisa”, afirmou, durante a discussão na  CCXP 2017 . Isso porque, para ele, nada se compara aos traços com a aleatoriedade que só é conseguida através dos desenhos feitos a mão, com suas imprecisões que lhe servem como elemento surpresa.

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Ben Templesmith também se incomoda com o uso dos programas digitais para os desenhos. Contudo, não é contra o uso das ferramentas. Ele conta que, quando começou a usar esse tipo de recurso digital , pensou que nunca mais sujaria os dedos com o lápis. Porém, cerca de um ano depois dessa primeira experiência, percebeu que sentia muita falta de sujar as mãos com lápis e voltou a desenhar manualmente.

Rock ‘n’ Roll e quadrinhos

Para os quadrinistas presentes, os quadrinhos são o rock da literatura. Isso porque, de acordo com os palestrantes, o rock não é apenas um estilo musical puro. Mas sim, uma mistura de diversos outros estilos e muitas influências culturais e sociais, como o blues, o jazz e até mesmo a música clássica.

Censura

Simon Bisley é um quadrinista polêmico . Seu trabalho mais famoso, “The Wolf”, acabou causando espanto por conta de retratos de partes de corpos dilacerados e muito sangue nas imagens. Contudo, ele revelou que não pretende mudar a forma como faz seus quadrinhos, e que a violência é uma marca desse trabalho em específico.

Ainda no mesmo painel na  CCXP  2017, Glenn Fabry criticou a postura de algumas das maiores empresas que trabalham com as produções e publicações dos quadrinhos. De acordo com o desenhista, elas evitam que o mesmo quadrinista trabalhe por muito tempo com o mesmo título, “para evitar criar vínculos entre o autor e a obra”. Assim, muitos deles acabam fazendo apenas cinco ou seis edições e são dispensados ou realocados para outros projetos.

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