Renata Castro Barbosa
Divulgação/Rodrigo Lopes
Renata Castro Barbosa


Com pouco mais de três décadas de carreira, Renata Castro Barbosa vem colecionando personagens memoráveis nos palcos e na televisão. Quem não se lembra de Flávia, de "Vale Tudo", de 1988, a qual marcou sua estreia nas novelas? Ou de Letícia, de "Tieta", que fazia par romântico com Danton Mello? E Artemísia, interpretada por ela no seriado infantil "Caça Talentos", de Angélica, entre 1996 e 1998, além de Gislene, a bigoduda rival de Marinete em "A Diarista?". Sem contar, é claro, a passagem pelo elenco de "Quem Vai Ficar com Mário?", que, por dois anos, foi exibido como especial de fim de ano na Globo.

Renata Castro Barbosa
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Renata Castro Barbosa

Pois bem, atendendo a um pedido da Coluna Marcelo Bandeira, hospedada no iG Gente, a atriz, mãe de João, da relação com Bruno Mazzeo — o menino é neto de Chico Anysio —, topou conversar sobre vida, trajetória, tempos de isolamento social por causa do novo coronavírus, trabalhos que estão sendo reexibidos no vídeo e até novos projetos. "Se tudo der certo, em 2021, não vou parar quieta", destacou ela, pensando "nessa onda de dias melhores". Ah, e a multitalentosa artista também relembrou o fim do humorístico "Zorra", que era exibido nas noites de sábado e no qual permaneceu por seis anos. Siga o fluxo! 

Renata Castro Barbosa
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Renata Castro Barbosa


1. Mesmo com pandemia, você trabalhou bastante em 2020 por conta do "Zorra". Como foi essa adaptação?

No começo, foi bem tumultuado! Como comecei gravando o "Maurício e Bia" para nossas redes sociais (eu e o Léo Castro), achei que seria mais simples, porque já tínhamos equipamentos de iluminação e uma noção de como fazer, mas, quando passamos para o "Zorra", nos demos conta de que era muito mais complexo (risos). Porém, a coisa foi se aprimorando e deu supercerto!

2. Foi difícil se adaptar aos procedimentos de gravação quando retornou ao set nos Estúdios Globo?

Quando voltamos a gravar presencial, foi outra adaptação. Sentia muita saudade de estar fisicamente com as pessoas, mas o protocolo era bem rígido. Então, digo que vi meus amigos, mas a distância, porque continuava sem poder tocar. Valeu cada álcool passado, cada proteção e cada camarim, mesmo que ficasse sozinha nele (risos).

3. Como foi se despedir do "Zorra", que, a princípio, foi encerrado em definitivo no último dia 5 de dezembro?

Nós já sabíamos que o fim do programa estava previsto, mas, quando chegou o dia, foi bem mais triste do que esperávamos. Foram seis anos de convivência diária, de muitas risadas e amizade. Então, encerrar já seria doloroso, e o fato de não podermos estar juntos, abraçar, foi muito mais complexo.

4. Que balanços pessoal e profissional você faz desse período no elenco fixo do humorístico?

Nossa, para mim, foi muito importante ter passado por ele. Aprendi demais. Todo ano entrava gente nova, e, com isso, o aprendizado era sempre "vivo". E, quando saíam pessoas, era uma tristeza! Acredito que evoluí bastante nesse tempo. Sinto saudade!

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5. Com o término do projeto, percebemos também que os brasileiros estão carentes de bons programas na TV aberta. Para você, o público de hoje prefere humor que reflita a realidade ou seja mais inocente? E qual o limite do humor na sua opinião?

Acho que a mistura dos dois é o que dá certo! O humor político e o da vida real fizeram e sempre farão diferença na nossa história. Já o humor inocente traz um respiro para tudo! Para mim, o limite não pode ser confundido com censura.

6. Como o isolamento mexeu com você, o que aprendeu com ele e o que repensou da sua rotina?

Não sei dizer o que aprendi, não acabou. Ainda estamos vivendo esse vírus. Mas, com certeza, confirmei, com clareza, o que sempre soube: sozinhos não somos nada! Estar contratada, poder ajudar amigos e até gente que nem conheço, ver minha família saudável, ter meu filho perto de mim — só posso agradecer. Quanto à rotina, essa mudou totalmente. Impossível não mudar. Ficamos aqui quietinhos, e a Isaura, que trabalha comigo, ficou na casa dela em segurança. Passei a fazer um monte de coisas que não fazia e, segundo ela, algumas aprendi direitinho. Já outras (risos).

7. Nesse tempo, muita gente pode ver e rever produções de sucesso, como "Tieta" e "Vale Tudo", ambas no Globoplay, e "Caça Talentos" e "A Diarista", no Viva. Você é crítica com o que vê?

Uma delícia! Revi algumas com o João, meu filho, e foi engraçado pensar que, em várias, tinha a idade dele! Quanto a criticar, já fui bem pior. Achava tudo ruim, via defeito no que fazia. Hoje, estou bem mais relaxada comigo. Olho e penso: "Caramba, como era novinha, como estava crua ainda". Entretanto, tenho carinho e orgulho enorme pela minha caminhada!

8. Você acha que os brasileiros e o governo darão mais valor aos artistas depois que isso passar?

Espero que sim. Torço para que as pessoas tenham percebido que arte não é só entretenimento bobo, é salvação, educação e respiro na vida da gente. Quanto ao atual governo, acho difícil que esse reconhecimento venha, infelizmente. Desejo mesmo que o Brasil não seja mais um país sem memória, e que, no meio desse caos, tenham entendido a importância da arte em todos os seus desdobramentos! 

9. Ainda é difícil ter algo mais preciso, mas tem algum projeto para 2021?

Não dá para dizer "muitos", porque não sabemos como serão os rumos das coisas, mas ideias e projetos estão surgindo desse tempo em casa e, se tudo der certo, em 2021, não vou parar quieta (risos).

10. Qual a dica para ter humor, mesmo diante de um problema?

Não sei se tenho uma dica. O que tenho feito é tentar olhar com a maior leveza e fé possíveis esse momento e dar valor às pequenas coisas. Rir de si mesmo, achar graça de coisas bobas, enfim, tentar não deixar o coração endurecer e se cercar de arte, sempre! 

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