Naasón Joaquín García, líder da Igreja La Luz del Mundo, é acusado de praticar diversos crimes
Divulgação/A&E
Naasón Joaquín García, líder da Igreja La Luz del Mundo, é acusado de praticar diversos crimes


Imagine procurar proteção divina e orientação espiritual, e acabar se tornando vítima de um grupo que usa a fé alheia para promover o mal. Esse é o mote da nova série documental Segredos do Apóstolo do Mal, do canal A&E, parte de uma sequência de franquias que contam histórias reais e horripilantes. A atração expõe a Igreja La Luz del Mundo, que possui uma série de acusações de abusos econômicos, morais e sexuais.


A produção conta com cinco episódios, estreia no Brasil dia 14 de julho, e tem como foco principal as denúncias de três gerações de apóstolos da instituição e de abusos dentro da igreja, incluindo o líder Naasón Joaquín García, chamado de "o Apóstolo de Jesus Cristo". O atual responsável pela igreja foi condenado à prisão em 2022 e acusado de três crimes de abuso sexual de menores.

A convite do canal A&E, a coluna participou de um bate-papo com ex-integrantes, jornalistas e investigadores, que contaram suas experiências e ameaças que receberam ao realizar denúncias sobre as práticas feitas na igreja sediada no México e com diversas unidades nos Estados Unidos.

Mais de 25 sobreviventes, vítimas e testemunhas que deram depoimentos no documentário contaram mais detalhes sobre a experiência. A série tem como objetivo dar voz aos que sofreram e presenciaram crimes quando frequentavam a instituição.

Sergio Meza, ex-pastor da igreja La Luz Del Mundo, atuava em diversas cidades do México e Estados Unidos, e foi motorista particular de Samuel Joaquín, filho de Naasón. De acordo com ele, se as pessoas não aceitassem o que era dito, haveria consequências. 

Naasón Joaquín García
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Naasón Joaquín García

O ex-fiel Moisés Padilla era amigo de Samuel Joáquin na infância, mas se afastou dele posteriormente. Após ser dado como morto pela igreja e se refugiar por 25 anos nos Estados Unidos, ele falou pela primeira vez mais detalhes dos acontecimentos.

"Percebi que existiam problemas quando minha própria mãe levou minha irmã como um presente ao local", falou. Após denunciar Samuel Joaquín, por abuso sexual, Padilla sofreu uma tentativa de assassinato. Com apenas 16 anos, ele foi vítima do crime praticado pelo filho do líder, mas somente aos 30 anos deu uma entrevista sobre o caso.

De acordo com ele, quando não aceitou o dinheiro de Joaquin para ficar em silêncio, foi sequestrado por um grupo de homens vestidos de policiais judiciários. Os mesmo o deixaram em Guadalajara para vender, despir e amarrar seus membros com cordas. O ex-fiel foi esfaqueado 68 vezes e possui cicatrizes nas costas, pescoço e tórax. 

Elisa Flores, uma das testemunhas dos abusos sexuais de menores por parte da família Nassón, contou detalhes da organização. "Para fazer parte da igreja, os pais têm que ser batizados. Se não é nascido na igreja, não pode estar lá", relatou. De acordo com ela, algumas mulheres eram forçadas a abortar sem que suas famílias soubessem.

Asael e Verônica Soria, um casal de Phoenix, no Arizona, contaram mais detalhes sobre a lavagem cerebral que sofreram quando eram pequenos e frequentavam a La Luz Del Mundo. "Não conhecíamos uma vida além de La Luz Del Mundo", disse Verônica.

Naasón Joaquín García
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Naasón Joaquín García

O ex-pastor, ministro e diácono da instituição, Héctor Vera, contou as formas de recompensas que aconteciam na igreja. "É um rio de dinheiro. Corre dinheiro que da medo", contou. De acordo com Héctor, hoje em dia dentro da igreja há zero tolerância aos gays. "Entre eles há homossexuais, mas são extremamente homofóbicos", completou. Além disso, foi obrigado a se casar com mulheres grávidas que foram abusadas sexualmente, e criou seus filhos sem saber da situação.

Por fim, Sochil Martín e Sharim Guzmán foram o primeiro casal a acusar o líder de cometer agressões sexuais a autoridades federais nos Estados Unidos. Os ex-membros da igreja reforçaram que o mesmo nunca vai parar com o que faz. Sochil possui uma página no Twitter com o intuito de divulgar e conscientizar as pessoas sobre as atrocidades que acontecem lá.

A ex-fiel conta que também sofreu racismo quando frequentava a La Luiz Del Mundo. "As pessoas que entram são colocadas em uma cultura de violência e abuso sexual, psicologico e espritual", contou. Além disso, ela disse que há uma cultura de silêncio em que até mesmo os países não falam sobre os problemas que aconteciam na instituição. "Fiz a denúncia há quatro anos com a esperança de ele ser levado a uma corte federal", finalizou.

*Texto de Júlia Wasko
Júlia Wasko é estudante de Jornalismo e encantada por notícias, entretenimento e comunicação. Siga Júlia Wasko no Instagram: @juwasko

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