Linn Da Quebrada ficou constrangida com mensagem anônima
Reprodução/Globo
Linn Da Quebrada ficou constrangida com mensagem anônima


É vergonhosa a postura da Globo em ignorar os casos de transfobia que estão rolando no BBB22. O silêncio ensurdecedor de J.B. de Oliveira, o Boninho, e de sua equipe diante dos "pequenos", porém volumosos, ataques que Linn Da Quebrada vem recebendo desde quinta-feira (20) precisam de uma intervenção urgente, assim como a emissora já fez em edições anteriores.


Pode parecer uma bobagem para a direção do reality show mais visto da TV brasileira o que tem ocorrido, mas a situação é grave. Começou com Eslovênia Marques se referindo à cantora no pronome masculino. Passou para Rodrigo Mussi dizendo a palavra "traveco". Pulou para Laís perguntando se Linn estava "solteiro". E volta para a sósia da Juliette chamando a artista de "amigo". Isso em apenas três dias que Linn, uma travesti, entrou na casa.

Do lado de fora, a comunidade LGBTQIA+ exige uma posição de Boninho e de Tadeu Schmidt. Mas o que temos visto é um silêncio absoluto. Já diz o ditado: "quem cala consente". E é dessa forma que a postura da emissora tem sido vista fora do confinamento.

Transfobia é crime. E precisamos lembrar que o Brasil é o país que mais mata travestis e transexuais no mundo. O ato de colocar uma representante da sigla T no maior reality do país tem um valor simbólico. Mas deixá-la desprotegida é crueldade.

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Por mais que Linn seja uma pessoa de opinião firme, sua cara de constrangimento ao receber o torpedo anônimo perguntando se ela estava "solteiro" é o resultado da transfobia. A vítima fica acoada e se sente sozinha, ainda mais em um lugar onde não houve um participante sequer que tenha notado o problema e saído em defesa da cantora. Linn de fato está sozinha. Não somente dentro do confinamento, mas também dentro da Globo.

É importante lembrar que em outras ocasiões, a Globo interferiu de imediato quando os comportamentos dos participantes do Big Brother Brasil se encaminhavam para atos criminosos. No ano passado, Tiago Leifert teve que dar um esporro em Rodolffo Matthaus por seus comentários racistas sobre o cabelo de João Luiz Pedrosa.

Em 2017, foi necessário também que a emissora se posicionasse publicamente a respeito da agressão às mulheres, após incontáveis reclamações do público sobre o comportamento abusivo de Marcos Harter com Emilly Araújo. Em 2010, Pedro Bial precisou dar um esporro em Marcelo Dourado sobre os comentários homofóbicos do campeão daquela edição.

O que a Globo parece não ter entendido até hoje é que atitudes criminosas, por menor que elas aparentem, precisam ser cortadas de imediato para que elas não aumentem de tamanho e não atinjam outros patamares, como já ocorreu no passado.

Talvez falte a Boninho uma pessoa trans para dar uma consultoria à sua equipe nos bastidores. Só assim ele terá a real dimensão da atrocidade que está ocorrendo dentro do BBB22 bem debaixo de seu nariz.

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