Jô Soares com Rafael Soares, seu único filho, morto em 2014
Reprodução/Globo
Jô Soares com Rafael Soares, seu único filho, morto em 2014

Tempos atrás, na década de 2000, entrava-se em comunidades de pais de autistas na internet e se lia que Jô Soares escondia o filho. Espera-se que não aconteça mais isso, pois é mentira. Jô levava Rafael ao Jockey Club, ao Fluminense, ao Clube Campestre, a livrarias. Mas o artista parecia compreender por que as pessoas cobravam dele.

“Sei que muitas pessoas falaram que reneguei e escondi o meu filho. Não posso negar que a maneira como o Rafinha veio ao mundo mexeu muito comigo. Hoje consigo entender bem o que ocorre com pais de filhos especiais. Mas as pessoas não conhecem o dia a dia de uma criança autista, o seu horror ao contato com outras pessoas, a sua necessidade de uma rotina rigorosamente igual todos os dias. Ele não queria ver o mundo e não queria que o mundo o visse”, escreveu no primeiro volume da autobiografia “O livro de Jô”, lançado em 2017.

Não convém tomar o texto de Jô como verdade incontornável. Cada autista tem uma personalidade, e há os que são mais sociáveis. Mas é recomendável ser solidário com alguém que enfrenta situações como ele e a atriz Theresa Austregésilo (1933-2021) – que deixou de lado a carreira para se dedicar ao filho – enfrentaram. 

Rafael Austregésilo Soares nasceu em 1963 com hipospádia, mal genético marcado pela abertura anormal da uretra. Tinha dores tremendas ao urinar, passou por cirurgias. E foi diagnosticado na infância com autismo, o que à época se assemelhava a uma sentença de morte. Um médico aconselhou Theresa a ter outro filho, pois aquele sequer aprenderia a falar.

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Mas Rafael, para sempre filho único, aprendeu a falar, a ler, a tocar piano – Jô dizia que o filho tinha ouvido absoluto – e a desenvolver sua paixão pelo rádio. Tinha um estúdio em casa no qual conduzia diariamente a Rádio AM da Zona Sul. Só quem o visitava escutava a programação, mas ele a fazia com extremo rigor.

Em 31 de outubro de 2014, aos 51 anos, Rafael morreu. Tratava-se havia um ano de um câncer no cérebro. No primeiro “Programa do Jô” após a perda, o apresentador disse que sentia orgulho de ter sido pai de Rafael, por causa do entusiasmo e da paixão que o filho dedicou à vida. Emocionou a plateia, emocionou-se, mas não se deixou tomar pela tristeza: “Um beijo do gordo, e a vida continua”.

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* Luiz Fernando Vianna é jornalista e autor de "Meu menino vadio: Histórias de um garoto autista e seu pai estranho"

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