Filho de Vinícius de Moraes era fotógrafo
Reprodução/Agência O Globo/Leo Martins 27.05.2022
Filho de Vinícius de Moraes era fotógrafo

O fotógrafo carioca Pedro de Moraes morreu na tarde desta sexta-feira (27), aos 79 anos. Pedro estava internado desde o início do ano na Casa de Saúde São José, para onde foi transferido vindo da Bahia, onde morava há 15 anos, após complicações decorrentes de uma bactéria que contraiu.

Filho do poeta Vinícius de Moraes e da jornalista Tati de Moraes, Pedro deixa duas filhas, Mariana e Julia de Moraes.

Autodidata, Pedro de Moraes começou a carreira na revista "Manchete" e cobriu grandes eventos políticos e culturais de 1950 a 1970. Participou do Cinema Novo, assinou a direção de fotografia de filmes de Joaquim Pedro de Andrade ("Guerra conjugal" e "Aleijadinho"), Glauber Rocha ("A idade da Terra") e Mário Carneiro.

Além de ter fotos suas em exposições no Brasil e no exterior, uniu talentos, inclusive com o pai, com quem publicou "O mergulhador" (1968), livro que reúne fotos de sua autoria e poemas de Vinicius. Foi parceiro ainda do poeta Cacaso no livro "Mar mineiro" (1982).

Amiga de Pedro, cineasta Lucia Murat conta que foi ele quem deu o título do documentário "Que bom te ver viva" (1989), que ela dirigiu. No filme, protagonizado por Irene Ravache, Lucia retrata a situação da tortura vivida durante a Ditadura militar no Brasil.

"Conheci o Pedro quando eu era clandestina e estávamos fazendo uma pesquisa de campo em Cabo Frio. Eu levava muito a sério o meu papel de guerrilheira e ele disse: 'Você está fantasiada de guerrilheira, assim você vai morrer, menina'", lembra a cineasta.

"Anos depois, fui ao lançamento do livro de fotos dele sobre 1968 e disse: 'Lembra de mim, Pedro? Eu não morri'. Ele, então, escreveu na dedicatória no livro: 'Que bom te ver viva'. Foi ótimo, porque eu ainda não tinha o título do meu filme", disse. 

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