Sabrina Sato é a rainha de bateria da Vila Isabel
Reprodução/Twitter/Riotur
Sabrina Sato é a rainha de bateria da Vila Isabel

Poucos personagens do universo do samba têm sua história tão atrelada à de sua escola de coração. E é essa ligação tão intrínseca que a  Vila Isabel celebra ao cantar Martinho da Vila na Sapucaí. A coleção de grandes momentos na vida do artista é representada pelo carnavalesco Edson Pereira. Para o abre-alas, por exemplo, ele optou por representar o Morro dos Macacos, berço da escola, numa das maiores alegorias que devem passar pela Sapucaí. Músicas de Martinho, seja para a branca e azul ou para canções de "meio de ano", estarão nas fantasias das alas. E, claro, o próprio homenageado sai na escola do coração em um lugar de destaque, junto com amigos e a família.

"Apesar de contar a vida de Martinho, não é um enredo biográfico, porque a mostramos entrelaçada com a história da Vila", afirma Edson Pereira.

Um dos momentos de emoção, diz o carnavalesco, virá da ala das baianas. Elas vão representar "Iaiá do Cais Dourado", samba de Martinho para a Vila em 1969. A saia delas mostrará uma favela salpicada de pontos de luz — iluminação própria, com LED.

"Pensamos nesse pontos de luz para representar cada pessoa que queria ver Martinho na Avenida mas não pôde, com as perdas ao longo da pandemia", explica Edson.

Confira o samba-enredo

"Canta, canta, minha gente! A Vila é de Martinho"

Autores: Evandro Bocão, André Diniz, Dudu Nobre, Professor Wladimir, Wanderson Pinguin, Marcelo Valença, Leno Dias e Mauro Speranza

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Intérprete: Tinga

Ferreira, chega aí
Abre logo uma gelada, vem curtir
A Avenida engalanada
Nossa gente emocionada vai reluzir
Os sonhos de Iaiá
Suas glórias e cirandas resgatar
Não acaba quarta-feira a saideira
Nem o meu laiaraiá
Raízes da roça para os pretos forros
Tanto talento não guarda segredo
O dono do palco, o Zumbi lá do morro
Pela 28, chinelo de dedo
Se a paz em Angola lhe pede socorro
Filho de Teresa encara sem medo

Seguiu escola do Pai Arraia
Reforma agrária e na festa do arraiá
Em cada verso, mais uma obra-prima
Ousar, mudar e fazer sem rima
(só você pra fazer sem rima)

Profeta, poeta, mestre dos mestres
África em prece, o griô, a referência
O senhor da sapiência, escritor da consciência
E a cadência de andar, de viver e sambar
Tão bom cantarolar porque o mundo renasceu
Me abraçar com esse povo todo seu
Eu vou junto da família
Do Pinduca à alegria pra brindar
Modéstia à parte, o Martinho é da Vila

Partideiro, partideiro, ó
Nossa Vila Isabel brilha mais do que o sol
Canta, negro rei, deixa a tristreza pra lá
Canta forte. Minha Vila, a vida vai melhorar


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