Thelminha faz estreia como musa na avenida
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Thelminha faz estreia como musa na avenida


Quem é do samba não vê a hora de voltar a atravessar a Avenida após um ano sem desfiles. Thelma Assis experimenta essa sensação em doses múltiplas, já que em 2020, data da última apresentação das agremiações antes da pandemia, ela estava confinada no “BBB”. Agora, depois de ter virado milionária como campeã daquela edição, ela faz sua estreia no carnaval do Rio como musa da São Clemente.

Mas a relação da médica de 37 anos com o mundo das escolas de samba é antiga: começou ainda aos 21, e desde então ela só deixou de marcar presença nessa grande festa quando precisou ficar internada por uma infecção intestinal às vésperas do grande dia. Desta vez, Thelminha encara o desafio de fazer a dobradinha Sapucaí-Anhembi, saindo também como musa de sua escola do coração em São Paulo, a Mocidade Alegre. Preparação intensa, ansiedade e muitas expectativas compõem o combo da paulista nessa contagem regressiva para os desfiles. Confira:

O caminho no mundo do samba


 “Comecei tocando chocalho, que chamamos de ganzá, por três anos na bateria. Depois, fui para a comissão de frente, para o carro alegórico, a ala das passistas... Essa é a primeira vez como musa”. relembra.


Uma famosa na avenida

“Agora as pessoas sabem meu nome. Na ala das passistas, tínhamos cinco minutos de chance de aparecer na TV. Eu via a câmera da Globo e já dava meu melhor, mostrava o sambão. Só que nem sempre passam tudo, porque são várias câmeras espalhadas, e a gente iludida achando que estava arrasando. Meu marido me buscava e, quando eu saía do desfile, perguntava: “Apareci?!”. Ele: “Não”. Este ano acho que vou aparecer, né? (risos). Será emocionante”. Contou empolgada.

Investimento financeiro

“Eu trabalhava ativamente como médica antes do “BBB”, então já conseguia investir um pouco mais. Mas eu desfilava com meninas para quem uma fantasia de R$ 100 já pesava no bolso. Na escola de samba, a gente aprende a trabalhar no coletivo, viver a realidade da comunidade. Se você está em um ala onde uma tem condição de pagar caro e a outra não tem, você entra no valor que todo mundo pode. Já colei muita pedra em fantasia, já decorei muita sandália, até porque já teve época em que eu não podia ficar gastando. Já desfilei em ala de graça porque eu não tinha dinheiro, mas queria estar no carnaval. Hoje, tenho o privilégio de poder investir numa fantasia de ateliê, com estilista. E quanto mais pedra, glamour e brilho, melhor”. afirmou.

Lição do passado

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“O legal de tudo isso é saber valorizar. Se precisar, colo pedra hoje também. Para mim, que amo o samba, desfilar com uma lantejoula ou com um cristal causa a mesma alegria só de estar ali”. Relembrou.

Mais ansiosa este ano

“No desfile estamos a todo tempo sendo avaliados pelos jurados. Quando você está no meio de outras pessoas, uma ou outra coisa que fizer passa. Mas quando é destaque, não. Fica muito mais evidente tudo que está fazendo. Mas sou tão apaixonada que pisar na Avenida e ouvir o som da bateria me contagia e esqueço que estou naquela posição”. Explicou.

Haja disposição

“A São Clemente desfila na sexta e a Mocidade, no sábado. Moro em São Paulo, então vou para o Rio na sexta, volto no dia seguinte, dou uma descansadinha e já começo a preparação para atravessar a Avenida novamente. Eu já desfilei em até três escolas num mesmo carnaval, meu corpo está acostumado. Obviamente, exige uma preparação: alimentação saudável, atividade física, beber água. Tudo para otimizar a resistência na hora”. Afirmou a ex-bbb.

Preparação para brilhar

“Comecei há uns seis meses e intensifiquei nos últimos dois. Já faço musculação para a vida, mas fiz também aulas de natação. Tive consultorias de samba com a maravilhosa Belinha Delfim, que já levou estandarte de ouro como melhor passista do carnaval no Rio. Apesar de ter vindo de uma ala de passistas, a gente nunca deixa de aprender. Ela me deu umas dicas porque também é musa, para poder refinar esse samba”.



Emoção de estar de volta

“Muita gente tem a falsa ideia de que o carnaval é só festa. É muito mais que isso. É toda uma cultura e uma tradição que não podem ser invisibilizadas. Tem muita gente que vive dele. Além disso, a maioria das escolas fica nas periferias. Ali você tem a população que mais sofreu com a pandemia. Este ano, mais do que a competição em si, será emocionante pelo fato de o carnaval ter sobrevivido, assim como nós. É o carnaval da vida”. Completou.

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