Mario Frias posa para foto sorrindo, abrindo camisa e exibindo peito
Reprodução
Entrevista foi concedida ao deputado Eduardo Bolsonaro (PSL) em canal no YouTube


Recém-empossado  secretário especial de Cultura, Mario Frias deu sua primeira entrevista no cargo. Ele falou com o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) no canal de YouTube "O Brasil Precisa Saber".


Na conversa de cerca de 45 minutos, transmitida neste sábado, 27, às 18h, o ator elogiou mecanismos de incentivo como a Lei Rouanet e a Lei Aldir Blanc, defendeu sua experiência na televisão e mostrou alinhamento com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). "Tudo que eu faço pode ter certeza que estou em comunhão com meu presidente", afirmou Frias.

O secretário, porém, afirmou que, por causa de suas posições políticas, se considerou durante muitos anos "como um ET" no meio artístico. "A ideologia é muito forte ali", comentou.

Visto como inexperiente pelo setor, ele começou a entrevista defendendo o seu currículo. Frias ficou conhecido do público atuando em " Malhação " e participando de novelas e programas na TV Globo e na Record.

"Muita gente acha que Malhação só revela atores, mas ali tem informação de diretores, equipe de áudio...", enumerou. Também afirmou que que os profissionais que passaram pelo seriado adolescente são "muitas vezes mais preparados que atores de teatro".

Frias admitiu que existem dúvidas em relação a sua experiência como gestor cultural, mas usou o seu background na TV Globo para justificar a escolha do seu nome para o cargo.

"Tenho 13 anos de TV Globo, é uma escola, é um padrão. Basta para que você olhe uma imagem e aquilo te constranja: 'pô, tá errado'. É um senso crítico que te desenvolve".

Ele também se disse um "apaixonado por construir televisão" e exaltou sua experiência como produtor de um programa sobre rodeios - atividade que ele defendeu ao longo da entrevista. Foram quase 10 minutos falando sobre o universo country e a cultura dos rodeios. Ele rebateu as acusações de maus tratos aos touros que participam dos eventos.

Sobre os planos para a pasta, Frias disse que vê com bons olhos uma integração maior com o MEC e o Ministério do Turismo e definiu como "bacana" os tetos. Disse ainda que prepara uma auditoria sobre a Lei Rouanet para entender as deficiências de acesso aos editais. "O problema nao é a lei, o problema é quem abraçou a lei pra uso exclusivo. A lei é pra todos. O presidente diz muito bem quando ele diz que quer que todo mundo tenha acesso a lei".

Frias criticou os "barões da Lei Rouanet" e disse que trabalhará para "democratizar" e incentivar o acesso a "diversas classes". Mas caiu em contradição ao dar a entender que concorda com as restrições do Jair Bolsonaro a determinado tipo de produção artística .

Em agosto do ano passado, o presidente criticou séries de temática LGBT pré-selecionadas para um edital para TVs públicas. Após as críticas, O governo federal chegou a cancelar o processo de seleção, porém a Justiça suspendeu o decreto do executivo e manteve a chamada.

"Tenho um outro patrão", disse Frias. "E nao adianta: o patrão quer uma linha estética. E essa linha estética vai ser privilegiada".

Apesar de considerar a Lei Aldir Blanc "muito bem pensada", o ator frisou que já planeja "outros projetos" para socorrer os artistas que tiveram suas atividades paralisadas com a pandemia. Deu a entender que defende uma flexibilização da quarentena . "Os artistas não querem esmola. A maioria dos caras que tocam violão na rua, tocam repente, eles querem trabalhar, não tão satisfeitos com o auxílio".

    Veja Também

      Mostrar mais