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Além de estrelar o filme que recria um dos principais momentos político-econômicos do País, a mineira também está no elenco do novo longa de Selton Mello. A atriz bateu um papo com a reportagem do iG; confira

“Acho que vai ser polêmico”. Para Bia Arantes , é assim que o público receberá Luiza, sua personagem do filme “Real - O Plano por Trás da História”, de Rodrigo Bitencourt, que será lançado no dia 25 de maio para contar a história que está por trás do plano econômico que solucionou uma das piores crises do Brasil.

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A atriz Bia Arantes participa de
Reprodução/Instagram
A atriz Bia Arantes participa de "Real", novo filme de Rodrigo Bitencourt

Inspirado no livro “3.000 Dias no Bunker – Um Plano na Cabeça e um País na Mão”, de Guilherme Fiuza, o filme se passa em maio de 1993, um dos piores anos para a economia brasileira. Por conta do grave contexto de crise, o governo de Itamar Franco (Bemvindo Sequeira) e ministro da fazenda Fernando Henrique Cardoso (Norival Rizzo) buscam reforços alternativos para solucionar o problema por meio das ideias de Gustavo Franco (Emílio Orciollo Netto), economista. Entre esses nomes de peso que deram cor e vida ao enredo de Bitencourt, está o de Bia Arantes , que depois de atuar ao lado de Klébber Toledo, conseguiu definir bem a ideia que tem sobre o impacto que sua personagem causará para aqueles que não dispensam conferir as novidades das produções cinematográficas nacionais.

Luiza x Petra

Política sempre deu o que falar e isso não vai parar tão cedo. Aos olhos de Bia Arantes, esse aspecto vai direcionar as impressões dos telespectadores que virem “Real” para os questionamentos, dúvidas e problematizações. Em entrevista ao iG , Bia contou que não só a personagem, mas o próprio longa tem um teor polêmico, já que carrega uma essência que faz referência direta à uma lógica governamental já implantada no país.

Para a atriz, a interpretação de Luiza, jovem inquieta com o cenário político da década de 90 não só levantará um debate, como também representará um incômodo presente na vida de muitos jovens dos dias atuais. “Acho que minha personagem no “Real” retrata uma realidade muito grande de jovens que ainda persistem, sabe? Jovens que querem ter uma opinião politica muito forte e, no entanto, têm uma vivência muito distante. Isso ainda é muito presente, ainda mais agora com as redes sociais, que faz todo mundo querer ter um gabarito para opinar sobre politica de uma forma radical, mesmo sem ter tanto respaldo para isso”.

Parte do elenco de
Divulgação
Parte do elenco de "Real - O Plano por trás da História"

Bia chama a atenção justamente para esse conflito e esse viés contraditório que preenchem sua personagem. “Como o público vai receber, eu não sei... Acho que vai ser polêmico. Politica é sempre polêmico, né... Mas espero que entendam”, completa.

Ainda que o tom político seja importante e carente no que diz respeito aos assuntos que sempre estão em pauta no entretenimento, não é só esse gênero do cinema que complementa o currículo de 2017 de Bia Arantes. Além dar corpo e voz à Luiza, Bia também interpretou Petra, uma ex-miss da cidade sulista de Remanso que, na contramão do conforto que a beleza dá para sua autoestima, vive muitos conflitos emocionais no decorrer do longa “O Filme da Minha Vida”, dirigido por Selton Mello, com data de estreia marcada para o dia 3 de agosto.

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De acordo com Bia, os dois papéis configuraram grandes atuações no ano, mas entre si são completamente distintos e significam aprendizados ricos em diferentes formas. “‘O Filme da Minha Vida’ se passa no começo dos anos 60 e é muito diferente de tudo o que eu já tinha feito, inclusive do outro filme que eu estreio agora. [...] A linguagem é diferente, o corpo é diferente, é uma personagem super introspectiva... É tipo água e óleo, sabe? Uma é bem diferente da outra”, conta. “O que exige de mim como atriz é isso: é poder variar completamente tudo o que eu já fiz, fazer um novo estudo, conhecer uma nova pessoa e trabalhar bastante”, termina.

Bia Arantes em cena da novela
Divulgação/SBT
Bia Arantes em cena da novela "Carinha de Anjo", do SBT

Quanto a parceria feita com Selton Mello, a intérprete de 24 anos não tem ressalvas, muito pelo contrário: só elogios. Além da contribuição da amizade para tornar o ambiente de trabalho mais confortável, Bia contou ao iG que os projetos discorrem ainda mais facilmente quando a parceria é fechada com gente profissional e digna de admiração. “O Selton é um amigo muito querido que eu tenho desde novinha e uma pessoa que eu admiro muito. [...] É um cara muito sensível, um diretor muito profissional, muito empático, além de um ator maravilhoso. O jeito que ele adaptou o roteiro é uma coisa muito rara de se ver no cinema brasileiro. Trabalhar com ele foi uma honra”, revela.

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Uma relação das antigas

O universo que funciona sob o timing do “rec” e que é capturado pelas mais diversas lentes de câmeras já é bem familiar para Bia, mas nem sempre foi assim. No bate-papo com o iG Gente , a atriz contou que o gosto e a relação com as artes começou cedo, mas que não passava por sua cabeça ser atriz e, muito menos, levar isso como profissão. A mineira, natural da cidade de Piumhi, já foi professora de literatura (ofício que acabou sendo exercido por conta de um apreço pessoal) e teve o primeiro contato artístico no ballet, habilidade que explorou e aprimorou até seus 13 anos, totalizando 10 de dança.

No entanto, após uma contusão no joelho, o afastamento da ex-bailarina trouxe a tristeza, mas também uma porção de portas que estavam para abrir. “Fiquei parada e bem chateada, mas aí lá na minha cidade me chamaram para participar de uma companhia de teatro infantil. Nessa, fui ficando na companhia, ficando no teatro”, conta. “Em 2009, em junho, fui visitar meu irmão que estava morando no Rio e reencontrei o Sérgio Mattos, que eu conhecia por trabalhos de fotos que fazia às vezes. Conheci a agência dele e o pessoal da área de atores me chamou pra fazer um teste na Globo. Fiz meu primeiro teste, passei para “Cama de Gato”, minha primeira novela e fiz uma vilã, a Duda”, relata.

Bia Arantes já foi protagonista em “Malhação” e já trabalhou em novelas como “Sangue Bom” e “Babilônia”. No cinema, o currículo da atriz carrega, entre outros, os títulos “Olhos tristes” (2013) e “Memória do Amor” (2014).

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