
A influenciadora brasileira Mariana Alves Gadelha Pereira, conhecida como Malévola Alves, foi presa nesta terça-feira (20), em Alexandria, no Egito, após a divulgação de vídeos considerados obscenos pelas autoridades locais. O Ministério do Interior egípcio confirmou a detenção de duas turistas estrangeiras e informou que o caso foi encaminhado ao Ministério Público do país.
Na noite desta terça-feira, a defesa de Malévola divulgou um comunicado informando que entrou em contato com a Embaixada do Brasil no Cairo e com autoridades egípcias. O advogado Jonatha Carvalho Matos afirmou que acompanha a situação para garantir a segurança e os direitos legais da influenciadora. Ainda não há confirmação sobre sua liberação ou sobre uma eventual audiência judicial.

Egito aponta vídeos como motivo da prisão
Em comunicado publicado nas redes sociais, o Ministério do Interior do Egito afirmou que as duas turistas foram identificadas depois que gravações feitas em espaços públicos começaram a circular na internet.
Segundo as autoridades, as imagens mostrariam gestos de conotação sexual e comportamentos classificados pelo governo egípcio como obscenos, além de suposta importunação de pedestres.
O ministério também declarou que as mulheres teriam admitido, durante interrogatório, a gravação e a publicação dos vídeos para aumentar o número de visualizações nas redes sociais.
Essa é a versão apresentada pelas autoridades egípcias. O órgão não divulgou os nomes das detidas no comunicado nem especificou quais acusações formais foram apresentadas à Justiça.
Defesa de Malévola divulga comunicado
Após a confirmação da prisão, o advogado Jonatha Carvalho Matos informou que a equipe jurídica acompanha o caso e busca assegurar a integridade física da brasileira.
"Informamos que a defesa já está em contato com a Embaixada do Brasil no Cairo, bem como com as autoridades e os órgãos competentes, visando assegurar a integridade física, a segurança e a plena observância dos direitos e garantias legais de nossa constituinte", declarou o advogado em nota publicada nas redes sociais.
A defesa acrescentou que acompanha o episódio de forma prioritária, respeitando a legislação egípcia e os tratados internacionais aplicáveis.
Também pediu cautela na divulgação de informações não verificadas e afirmou que novas atualizações serão comunicadas pelos canais oficiais.
Até a divulgação do posicionamento, não havia confirmação de pagamento de fiança ou previsão para a saída de Malévola da detenção.
Influenciadora relatou desespero na delegacia
Antes do comunicado do governo egípcio, Malévola utilizou o Instagram para relatar a abordagem policial durante um passeio de van por Alexandria.
A brasileira contou que os policiais recolheram os passaportes do grupo e levaram ela e uma amiga para uma delegacia.
Estamos na delegacia, estamos desesperadas. Eu não sei o que vai acontecer ou o que vão fazer com a gente. Pegaram todos nossos passaportes e pararam nossa van no meio do passeio.
Em outra publicação, afirmou que os agentes fizeram perguntas sobre sua identidade de gênero e a da amiga, também uma mulher trans.
Bruna Tivo, amiga da influenciadora que estava na França, levantou a suspeita de que a abordagem teria sido motivada por transfobia. Ela relatou que vídeos das brasileiras circularam em grupos de redes sociais no Egito.
A hipótese apresentada por Bruna não foi confirmada pelas autoridades. O Ministério do Interior atribuiu a detenção aos comportamentos registrados nas gravações.
O caso segue sob responsabilidade das autoridades egípcias, enquanto a defesa brasileira busca informações sobre os procedimentos legais e as condições em que Malévola e a amiga estão detidas.