O escritor e roteirista conhecido como Maneco, Manoel Carlos, 92, faleceu neste sábado (10) no Rio de Janeiro, segundo informação divulgada pela família e confirmada pela produtora da filha do autor, Júlia Almeida . Natural de São Paulo, ele vivia na zona sul carioca e se tornou consagrado autor em novelas, por meio das suas " Helenas ", marcando profundamente a televisão brasileira.
De acordo com nota oficial da produtora Boa Palavra, o velório será fechado e restrito aos familiares e amigos . Na publicação, agradeceram as mensagens de carinho e pediram prividade no momento de luto. O Ministério da Cultura também publicou nota onde " se solidariza com os familiares, amigos, colegas de profissão e toda a comunidade artística e cultural" nesse momento de luto.
Maneco estava em tratamento de Doença de Parkinson, que vinha afetando seu estado de saúde nos últimos anos, e se encontrava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, antes de sua morte. Sua trajetória na teledramaturgia começou já na década de 1950 e foi consolidada a partir dos anos 1970, quando assinou novelas que se tornaram referência no gênero, como História de Amor, Por Amor, Laços de Família, Mulheres Apaixonadas, Páginas da Vida e Em Família.
Vida e História
Filho do comerciante José Maria Gonçalves de Almeida e da professora Olga de Azevedo Gonçalves de Almeida, o autor morava com a família em uma cobertura no Leblon, na zona sul do Rio de Janeiro; bairro que se tornou quase um personagem de suas novelas e marcou o imaginário
do público ao longo de sua obra, e, muitas vezes, sua própria casa também se tornou cenário na ficção.
Manoel Carlos
deixa a esposa, Elisabty,
e duas filhas: Júlia Almeida, produtora e responsável por preservar e administrar o legado artístico do pai, e Maria Carolina, roteirista que dividiu com ele a criação de projetos ao longo da carreira. Ao longo de sua vida, enfrentou a dor de perder três filhos
antes dele: o dramaturgo Ricardo de Almeida, o diretor Manoel Carlos Júnior
e o estudante de teatro Pedro Almeida
.
Ele começou na TV na década de 1950, trabalhando como ator, roteirista e diretor, e logo se tornou um nome central
na teledramaturgia. Sua estreia como autor na Globo
veio no fim dos anos 1970, e ele continuou criando histórias até 2014, com obras recheadas de temas sociais, drama familiar e personagens memoráveis.
Helenas e Vilãs
Reconhecido por retratar com sensibilidade as relações humanas, especialmente entre mães e filhos, e por popularizar o bairro do Leblon
do Rio de Janeiro como cenário emblemático de suas tramas, Manoel Carlos
construiu personagens tão fortes que marcaram gerações de telespectadores. Suas “ Helenas”, protagonistas que enfrentavam dilemas emocionais intensos, tornaram-se símbolos da teledramaturgia nacional.
Se as Helenas
eram o coração das novelas de Manoel Carlos, as vilãs eram o conflito encarnado, e quase nunca no molde clássico da vilania; elas vinham da vida real, do ressentimento, da inveja silenciosa, do amor mal resolvido e da sensação de injustiça, e talvez por isso, tenham sido tão perturbadoras. Personagens como Branca, Íris, Dóris e Marta marcaram época, já que eram mulheres que feriam com palavras, controle, rejeição e frieza.
Maneco teve uma carreira que atravessou mais de seis décadas
na televisão e dramaturgia brasileira.