Em cartaz no Rio com a peça “Manual Prático da Mulher Desesperada”, atriz fala dos dilemas da vida a dois


Ela chegou aos 30 anos, sem namorado, sem perspectiva de casamento, desiludida com os homens e o amor. Resumindo, está desesperada. Este é o mote central da peça “Manual Prático da Mulher Desesperada”, na qual Adriana Birolli é a protagonista. Baseado na fusão de três contos da escritora americana Dorothy Parker, a comédia narra o desespero de Alice, uma mulher solteira em uma noite de sábado. A trama é formada a partir dos contos “A Telephone Call”, “Cousin Larry” e “The Waltz”.

Fora do ar desde 2011 com o fim de “Fina Estampa”, novela da TV Globo, Adriana conta que estas paranoias femininas estão longe de sua realidade. “Namorei seis anos, fiquei dois anos solteira e agora estou há um ano e meio junto. Meus relacionamentos são duradouros, não sou de ficar”, diz ela, aos 25 anos.

Adriana Birolli
Isabela Kassow
Adriana Birolli

Adriana só tem planos para voltar à televisão no próximo ano. Por enquanto quer se dedicar exclusivamente aos palcos. No camarim do teatro Grandes Atores, na Barra da Tijuca, Rio, enquanto se preparava para mais uma apresentação, a atriz recebeu a reportagem do iG para um bate-papo sobre os clichês da guerra entre homens e mulheres quando o assunto é relacionamento. Entre outras coisas, ela defende que mulher pode pagar conta do motel, assim como propor o casamento ou mesmo um sexo menos causal.

iG: Mulher também pode ligar no dia seguinte?

ADRIANA BIROLLI: Essa não deve ser uma atitude majoritariamente masculina. Hoje em dia vale mais a vontade de cada um. Temos que deixar de lado a ilusão, aquela coisa de fantasiar o homem da minha vida. Não é proibido mulher tomar iniciativa. Homem também pode ser conquistado.

iG: Quem paga a conta?

ADRIANA BIROLLI: Eu divido tudo, sempre.

iG: Até a conta do motel?

ADRIANA BIROLLI: Depois que você conhece e tem intimidade, pode pagar um dia, ele paga no outro dia. Eu aceito que ele pague num dia especial, se for um convite especial...

iG: Quando é a melhor hora para discutir a relação?

ADRIANA BIROLLI: Nunca. Quando precisa discutir a relação é porque algo vai errado. Não é bom discutir, não.

Adriana Birolli em cena
Isabela Kassow
Adriana Birolli em cena


iG: Homem é quem deve pedir em casamento?

ADRIANA BIROLLI: Mulher fala em casamento muito mais do que o homem. Agora, propor... Conheço algumas mulheres que falaram e pediram o homem em casamento. O ideal é que ambos se pronunciem.

iG: Homem pode reclamar da celulite da parceira?

ADRIANA BIROLLI: Pode desde que aceite que a mulher também possa reclamar da barriguinha dele. Mulher não tem que ter esta paranoia de ficar chateada ao ouvir críticas. A vaidade masculina está superexacerbada. Conheço homens muito mais vaidosos do que mulheres. Numa relação, o que se busca é a satisfação mútua de amizade e sexual. O ideal é falar o que te incomoda no parceiro. Mas não ache que você vai mudá-lo só porque está falando algo numa noite.

Adriana Birolli
Isabela Kassow
Adriana Birolli

iG: Quando é hora de propor um sexo menos casual, mais selvagem?

ADRIANA BIROLLI: Ambos têm seus desejos e suas preferências sexuais, por isso ambos podem propor e ter liberdade para dizer até onde é permitido avançar. Um casal é um casal. Sexo se faz a dois, sempre.

iG: Traição é perdoável?

ADRIANA BIROLLI: Ainda não passei por esta situação, é a pergunta mais difícil de responder. Não sou a favor da traição. Mas cada caso é diferente. De que maneira isso pode ser possível num relacionamento afetivo? A base tem que ser a lealdade. Independentemente da infidelidade, é preciso conversar antes.

iG: A mulher se prepara para o outro ou para si mesmo?

ADRIANA BIROLLI: De vez em quando eu quero me sentir bem, então me arrumo para eu mesma. Mas em certas ocasiões me visto bem e me preparo para ficar em casa esperando meu namorado. Neste caso, me arrumei para ele me ver bem. São situações variadas.

iG: Casamento é assunto apenas do universo feminino?

ADRIANA BIROLLI: Mulher idealiza a vida toda um casamento sem saber com quem vai ser aquilo. Aí arruma o noivo e parece que o casamento é só dela. O noivo é só o coadjuvante. Não estou falando que o noivo tem que participar de tudo, até do tipo de flor da decoração da igreja. Mas é preciso discutir a dois como vai ser a celebração do nosso amor.

iG: Homem machista tem vez?

ADRIANA BIROLLI: Não está nem em questão. Não sou uma pessoa difícil, mas sou justa. Olha como sou! Relação saudável não pode limitar o outro, ambos têm que ter voz, tem que pôr suas opiniões. Não existe isso de um só ter a palavra final. Comigo, pelo menos, não rola.

Adriana Birolli se prepara para mais uma apresentação no Rio
Isabela Kassow
Adriana Birolli se prepara para mais uma apresentação no Rio


Serviço :

Peça “Manual Prático da Mulher Desesperada”
Teatro dos Grandes Atores
Tel.: (21) 3325-1645
Sexta às 21h30; sábado às 21h; e domingo às 20h

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