Osmar Prado como Velho do Rio
Rede Globo/Divulgação
Osmar Prado como Velho do Rio

Um ser místico, que ora assume forma humana, ora de réptil. Por mais instigante e incompreensível que pareça, o encantado Velho do Rio, de “Pantanal”, é sintetizado por Osmar Prado, seu intérprete, na palavra simplicidade.

"Não é fácil representá-lo, porque é uma extrema complexidade de criação para uma extrema e absoluta simplicidade. O Velho do Rio não tem nada nesta vida, e nós vivemos em uma sociedade em que é preciso ter tudo. Ele tem ele, tem o seu amor, a sua empatia, a sua leveza e também tem a justiça. De repente, fui convidado a exercitar dentro de mim uma simplicidade que eu, como ser errante, não tenho, mas posso demonstrar através da minha arte. Eu fiz um mergulho interno para este trabalho, mexeu muito comigo", observa Osmar, visivelmente emocionado, lembrando que outro elemento determinante do personagem é a luta pela preservação do meio ambiente: "Ele defende a fauna e a flora, a água, não se contamina pela vaidade nem pela ganância."

Ao contrário de Cláudio Marzo, que na versão original da novela, na extinta TV Manchete, em 1990, usava uma barba postiça para compor a entidade — além do Velho do Rio, ele precisava se revezar na interpretação de Joventino (na primeira fase) e José Leôncio (na segunda) — , Osmar Prado apresenta em cena a sua real, cultivada durante a pandemia.

"Coincidentemente, durante a reclusão desse período, não cortei o que me resta de cabelo, os pelos das orelhas nem o que tenho de barba. Então, quando Papinha (o diretor Rogério Gomes) me convidou, estava com meio caminho andado, tinha uma caracterização natural", conta o veterano, que também teve suas marcas do tempo impressas no rosto acentuadas pela maquiagem: "A caracterização acentuou as rugas que adquiri ao longo da minha vida, com 74 anos."

A longa capa, tão característica do ancião, é quase um membro extra de seu corpo: pesa nada menos que cinco quilos.

"A solução foi fazer uma espécie de mochila de couro para que eu pudesse sustentá-la. Como o peso é distribuído pelo tórax, não me incomoda. Nem no calor do Pantanal eu tirava a capa, mesmo não sendo necessário ficar com ela. Era um sacrifício prazeroso", afirma ele.

E, enquanto a maioria do elenco se reunia na fazenda do ator e músico Almir Sater (o chalaneiro Eugênio da trama de Bruno Luperi) para confraternizar ao fim do dia, o ator preferiu se recolher, mantendo a introspecção necessária à elaboração do Velho do Rio:

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"Quis ficar mais recluso. Peço até desculpas ao Almir, que me convidou várias vezes para ir à casa dele. Acabei sendo deselegante. Espero, um dia, poder corrigir e ir visitá-lo."

Uma sucuri do bem

No capítulo deste sábado (dia 9), às vésperas da mudança de fase de “Pantanal” — que acontece na próxima terça-feira (dia 12) —, Velho do Rio salva Maria Marruá (Juliana Paes).

Juma (Valentina Oliveira), criança, brinca na beira do rio com a sucuri (a forma animal do Velho), enquanto Maria procura a filha, desesperada. No caminho, a mulher é picada por uma outra cobra e passa mal, enquanto o Velho leva a menina para casa. O ancião pressente o pior para Maria e a resgata, executando um ritual com ervas para assegurar a vida da mãe de Juma, enquanto a garotinha o observa.

“Vâmo... Ocê tem que beber! Ocê também sabe que não é a sua hora. Ocê tem que beber tudo...Ocê tem que lutar... Faz força... Luta!”, pede a entidade: “Maria Marruá... Que enfrentô sucuri pra salvá a própria filha... A mulher que vira onça nas noite de lua cheia pra caçá e alimentá sua cria, num pode se acabá assim...”.

Velho do Rio assegura a Juma que sua mãe não será levada pelos espíritos. Maria, então, acorda. Ainda debilitada, pede que o visitante fique com as duas na tapera. Ele nega, dizendo que é como o vento, “num faço morada, nem tenho parada...”. O curandeiro cuida mais um pouco da menina, até Maria se recuperar, e depois parte. Assim, Velho do Rio passa a ser a única pessoa em quem Juma confia.

Já nos capítulos que começam a ser exibidos no dia 20, quando Juma (Alanis Guillen) já estiver crescida e órfã de pai e mãe, acontece o encontro do Velho do Rio com seu neto, Jove (Jesuíta Barbosa). De volta ao Pantanal, o agora rapaz também é picado por uma cobra venenosa. Em forma de sucuri, o Velho o envolve, num “abraço”, e pede a ajuda de Juma para salvá-lo. Na tapera em que a moça vive na companhia de Muda (Bella Campos), o curandeiro faz seu ritual, e deixa Jove sob os cuidados de sua protegida.

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