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Reprodução/IMDB
Em "Hard", Natália Lage interpreta uma viúva que descobre que o marido era dono de uma produtora pornô

Uma mulher de classe média alta toca a vida em torno da casa e dos filhos, mas vê o mundo que conhece virar de cabeça para baixo quando o marido morre em acidente doméstico. Muito além do luto, ela fica chocada ao descobrir que o homem com quem viveu os últimos 15 anos era dono de uma produtora pornô. Essa é a história de Sofia, personagem de Natália Lage em "Hard", produção nacional da HBO.

Os episódios finais da série estrearam neste domingo (15) e a protagonista conversou com o iG Gente sobre o que está por vir. Natália Lage analisou a evolução de sua personagem ao longo dos episódios, comentou como seu pensamento sobre a indústria pornográfica mudou com o trabalho e também comparou semelhanças que tem com Sofia, como traições de ex problemas com ciúmes.

O final da série

"Hard" é uma série baseada em uma produção francesa que estreou na HBO em 2020. Com o decorrer dos episódios, Sofia, a personagem principal, vi quebrando preconceitos e se envolvendo mais no universo do pornô, que o marido escondeu dela e de toda a família por tantos anos.

Ao longo dos episódios, Sofia passa por um processo de aceitação de sua nova realidade, mas também não consegue se livrar de todos os preconceitos. Para Natália Lage, é aí que está a verdadeira força da personagem. "Acho interessante essa personagem que ela vai para frente, volta para trás, dá três passos e volta dois. Ela está nesse processo ascendente de se afirmar nessa história", diz.

No final da série, a protagonista vai enfrentar alguns dilemas. Ela precisa decidir se vai vender ou não a Sofix, produtora pornô que herdou do marido. Além disso, também precisa lidar com o ciúme de estar em um relacionamento com um ator pornô. Natália já adianta que o público terá algumas surpresas com a postura que a personagem terá em meio a esse cenário.

Pornô e sexo

Para Natália Lage, uma das qualidades de atuar em "Hard" foi a possibilidade de quebrar preconceitos enquanto trabalhava. A atriz conta que contracenou com verdadeiros atores e atrizes pornô e com isso pode compreender melhor esse universo e as pessoas que fazem parte dele. Ela diz que mudou de opinião em relação ao pornô, principalmente por ver mulheres preocupadas em produzir uma pornografia mais feminista e que não agrade somente os homens.

"Fui abrindo a minha visão, percebendo que as pessoas têm as suas motivações e a gente tem que fazer o exercício diário de desprogramar a nossa mente, porque às vezes nem sabemos que temos algum preconceito", diz. A protagonista de "Hard" completa que não é uma pessoa completamente sem preconceitos e reforça a importância de cada um olhar para si e perceber onde está sendo preconceituoso. "Temos que ficar muito atentos. Tanto esses preconceitos em relação à moralidade da sexualidade, quanto a preconceitos raciais, de gênero e de tudo mais. É muito fácil botar a culpa no outro. O maior desafio é me ver tão liberal e progressista e perceber onde estou sendo preconceituosa", continua.

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Mesmo tendo passado mais de dois meses envolvida com a temática do sexo e dos fetiches, Natália Lage comenta que não viveu uma autodescoberta da sexualidade. "Nunca tive muitas questões sexuais, para mim sempre foi algo muito tranquilo e natural. Durante as gravações eu estava solteira, mas o tempo que tinha livre eu só dormia. A gente trabalhou muito, fizemos 72 diárias. Tínhamos duas folgas por semana, em uma eu dormia e na outra decorava", lembra.

Com um enredo como o de "Hard", muitas cenas de sexo e de nudez foram essenciais para o trabalho. Para Natália esse não foi o maior desafio do trabalho, pelo contrário, foi uma superação poder gravar esses trechos com facilidade. "Fiz cenas de sexo há 20 anos no filme “O Homem do Ano” e não era fácil para mim. Era complicado para caramba, tinha milhares de travas com o meu corpo e com me mostrar dessa forma. O tempo foi passando e fui aceitando mais quem eu sou, meu corpo, minha história e ganhando autonomia. Para mim, foi super tranquilo e foi uma libertação essas cenas de sexo serem tranquilas", conta.

Natália Lage é a protagonista de
Reprodução/IMDB
Natália Lage é a protagonista de "Hard"

Ciúmes e traição

A história de Sofia começa com uma traição, descobrir que todo seu casamento foi baseado em uma mentira e só saber disso com a morte do marido. Natália Lage conta que já foi traída, mas nunca em um nível tão grande. "Já fui traída, mas nem se compara. É outro tipo de traição, é menos grave o cara ficar com outra pessoa. Pessoalmente nunca passei por nada parecido, decepções sim, mas essa decepção é a mais grave porque é não saber com quem está casado", diz.

Outro problema de Sofia ao longe dos episódios de "Hard" é em relação ao ciúme. A personagem sofre por estar apaixonada por um ator pornô e ter que lidar com ele fazendo sexo com diversas outras mulheres. Esse sentimento é algo que aproxima a atriz da personagem. Lage admite que já foi muito ciumenta ao longo da vida, mas garante que atualmente está melhor em relação a isso e consegue levar o namoro com o ator Silvio Guindane de uma forma mais leve. 

"Agora estou muito melhor, tenho 42 anos, mas a minha vida inteira fui uma pessoa ciumenta. É um lugar que eu conheço. Graças a Deus o tempo passa e a gente melhora. Tenho uma relação muito tranquila com o Silvio, até porque ele é ator também e a gente troca em um lugar muito próximo e íntimo. Então, a gente consegue ter uma relação de paz", conta.

Novelas

O último papel de Natália Lage nas novelas foi em 2006, quando atuou em "Pé na Jaca". Desde então, ela se destaca pelo trabalho com as séries, tanto na televisão aberta quanto fechada. Porém, ela está gravando "Um Lugar ao Sol", próxima novela inédita da Globo no horário das 21h.

Na trama, Natália viverá um par romântico com Mariana Lima. Ela comemora à volta aos folhetins e diz estar sendo um prazer contracenar com a Mariana, de quem se declara uma "mega fã". Ela também pontua que esse novo trabalho não é um adeus para o universo das séries e garante gostar de atuar em diferentes formatos. "Cada veículo tem a sua bossa, não tenho uma preferência, gosto de transitar porque acho que cada uma te dá uma ferramenta", finaliza.

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