A Record TV está proibida de fazer propaganda subliminar para Marcelo Crivella, que tenta a reeleição a prefeito do Rio de Janeiro. O candidato é sobrinho do bispo Edir Marcedo, dono da emissora paulista. A decisão foi tomada pelo Ministério Público Eleitoral, que reuniu provas de que o número 10 estava sendo repetido intencionalmente na programação da emissora, uma vez que esse é o mesmo número de campanha do atual prefeito do Rio.

Propaganda da Record
Reprodução/Record
Record é acusada de fazer propagandas subliminares para Crivella


O WhatsApp da Record, por exemplo, termina com os números 1010 e isso é sempre enfatizado quando o contato é divulgado ao público. Além disso, os apresentadores do canal aparecem em peças publicitárias fazendo o número 10 com a mão, como o apresentador Wagner Montes Filho, que comanda o “Balanço Geral Manhã”, no Rio.

“Não restam dúvidas que a documentação acostada pelo Ministério Público comprova fato grave que merece imediata reprimenda estatal. A atitude da emissora Record e de seus funcionários com mensagens de exposição do número de campanha já utilizado pelo prefeito Marcelo Crivella, pessoa conhecida e candidato à reeleição, com a finalidade de firmá-los no inconsciente do eleitor, afronta a legislação eleitoral”, declarou a juíza eleitoral Luciana Mocco Moreira Lima, segundo divulgado pelo jornalista Guilherme Amado, da Época.


A juíza entendeu que “a conduta dos apresentadores e da emissora caracterizavam propaganda subliminar com potencialidade de influir na disputa eleitoral em razão da repetição maciça” e a repetição do número 10 acaba sendo uma “promoção da candidatura do [candidato] investigado, ainda que não houvesse pedido expresso de votos e sim referências dissimuladas à sua candidatura configura o uso indevido dos meios de comunicação”.

Foi levado em consideração também que a Record TV possui grande influência sobre a comunidade evangélica e a conduta da emissora do bispo foi considerada “abusiva”. Até o final da eleição de 2020, o veículo e seus apresentadores estão proibidos de exibir propagandas ou fazer gestos subliminares utilizando o número 10, caso não seja cumprido o que foi determiando, a Record pode responder por crime de desobediência.

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