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Carlos Nascimento, Carla Vilhena e Cid Moreira falam da primeira vez que apresentaram o noticiário, empecilhos e visões sobre o programa da Globo

Neste domingo (01) o “Jornal Nacional” completa 50 anos de existência. Em meio século de protagonismo na programação da Globo , o noticiário atravessou inúmeras mudanças de elenco, uma ditadura militar e adversidades políticas. 

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Divulgação / TV Globo
Carlos Nascimento, Carla Vilhena e Cid Moreira

Em celebração ao aniversário do “ Jornal Nacional ”, o iG Gente conversou com figuras de destaque que passaram pela bancada mais famosa do País, como Cid Moreira - o primeiro âncora do noticiário-, Carla Vilhena e Carlos Nascimento, para saber a sensação de estar no topo da cadeia televisa, detalhes de bastidores e a visão deles sobre o noticiário atualmente.

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“Tinha uma agitação, uma correira… todo mundo estava afobado, seríamos assistidos não só no Rio de Janeiro, mas em outras quatro praças”, relembra Cid Moreira, sobre o backstage da estreia do “JN” na programação, em setembro de 1969.

Distante do fervor da estreia, Carla Vilhena vê seu debut no noticiário como uma mistura de sentimentos, mas acima de tudo uma conquista feminina. “Quando entrei no ‘JN’, me tornei uma das seis ou sete mulheres no Brasil que já tinham sentado naquela cadeira”, iniciou ela, que completou: “Foi uma sensação única de emoção, responsabilidade e conquista”.

Enquanto isso, para Carlos Nascimento ascender à bancada foi um marco em sua carreira. “Me senti igual ao Neil Armstrong ao pisar na lua. Além disso, fazer parte do grupo de apresentadores do ‘JN’ nos anos 90, quando a audiência chegava a 63% foi um marco para todos ali. Para mim, mais ainda, pois fui o primeiro repórter a apresentar o telejornal”.

Humanos por trás da bancada

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Divulgação / TV Globo
Cid Moreira

Com o passar dos anos, o folhetim tornou-se um sucesso incontestável e uma referência quando o assunto é jornalismo. Ao falar sobre como era trabalhar no telejornal ou se existiam fardos durante sua passagem pela bancada, os jornalistas não fraquejam.

“Um fardo ? Não, uma tranquilidade. Eu conheci lá muitos dos melhores jornalistas do Brasil, o que permitia um trabalho seguro e confiante”, comenta Nascimento.

Ao falar sobre o mesmo assunto que Carlos,  Cid assume um tom nostálgico. “Quando o ‘JN’ foi ar, eu passei a ser reconhecido pelos telespectadores, à época, o repórter Esso era o principal jornal do País. Então, nas ruas, as pessoas diziam: ‘Olha lá, o repórter Esso’, quer dizer… eu ficava contente por estar sendo reconhecido, mas frustrado por estarem me chamando de repórter Esso”.

Em seguida, o primeiro âncora do "JN" ainda fala sobre a influência que o telejornal conquistou em pouco tempo. "Eu ouvia, várias vezes, que as pessoas sabiam o que acontecia no País, mas sempre conferiam de verdade quando saía uma matéria no 'JN'".

Apesar de descartar dificuldades técnicas no programa, Vilhena alerta que agora existe uma pressão social forte sobre as pessoas da bancada, resultante da polarização política do País.

“Tive a felicidade de trabalhar na Globo em tempos em que o diálogo, o confronto político eram sempre seguindo regras de civilidade e respeito, ou seja, bem diferente do que vemos agora, [mas] Tenho esperança de que vamos conseguir novamente recuperar o respeito e a convivência”.

Uma visão sobre o “Jornal Nacional"

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Divulgação/TV Globo
Carla Vilhena

Ao falar das mudanças no “JN” e se o noticiário evoluiu ou regrediu, Carla, que saiu da emissora em 2018, mas era apresentadora eventual desde 1999, mostra sua visão pessoal. 

“As mudanças, das quais participei, diziam respeito basicamente ao formato, que ficou mais solto, mais leve, mais conversado. Na essência, o ‘JN’ se manteve comedido. Acredito que foi evitada uma mudança radical, [pois] poderia afastar o telespectador mais conservador”.

Em continuidade a jornalista ainda ressalta: “Em tempos de internet, fica difícil ser rápido ou trazer furos jornalísticos. É inevitável que quem precisa de imediatismo recorra a outros meios. O tempo da família reunida na mesa de jantar assistindo ao noticiário acabou”.

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Mais saudosista do que sua colega de profissão, Cid tem uma visão mais progressista sobre o “ Jornal Nacional ”. “É um jornal que vem melhorando a cada dia, desde o início… ele superou o Esso e se tornou uma referência nacional”.