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Para falar sobre a onda noventista que vem dominando a cultura pop, iG Gente conversou com fãs da emissora e Natália Julião, VP de programação

Após o retorno de Sandy & Júnior, do Rouge e do Tiago Iorc, chegou a vez da MTV Brasil retornar às suas raízes. Em maio de 2019, a emissora, que aos poucos já estava ressuscitando programas antigos, colocou o consagrado “Acústico” em sua programação novamente.

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O ato marcou a volta no tempo da MTV Brasil  que, após quase três décadas, resgata sua roupagem noventista e aposta no elemento nostalgia para cativar um novo público e fidelizar os telespectadores já cativados.

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Ao iG Gente , a vice-presidente de programação e conteúdo da MTV América Latina, Natália Julião, disse que o retorno da MTV   às suas origens é uma estratégia da emissora de auto avaliação, onde a empresa para projetar seu futuro olha para o passado.

“Quando olhamos para o passado, o ‘Acústico’ é um programa que se destaca, foi muito icônico no Brasil e no mundo. A gente sempre quis trazê-lo de volta e agora estamos em um momento ideal. A MTV americana fez o acústico do Shawn Mendes e diversas MTV ’s do mundo estão retomando o ‘Acústico’. Além disso, tivemos esse encontro com o retorno do Tiago Iorc , que é um artista que têm uma sintonia com a marca”.

Corroborando o pensamento de Natália, mas do ponto de vista de telespectadora noventista, Joy Moretti, criadora de conteúdo no Youtube, diz que o apelo nostálgico da emissora não é apenas rentável para a marca, mas sim uma tacada certeira: “Está rolando uma onda saudosista com os anos 90, a Globo tem uma novela, a moda têm renovado tendências, têm o comeback das Spice Girls... a MTV foi gênia de voltar com o ‘Acústico’ porque é uma coisa que agradava a todos e acabou se perdendo”.

PopTV, emissora da novela
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PopTV, emissora da novela "Verão 90" inspirada na MTV

Defendendo o lado da emissora, Natália Julião faz uma ressalva: “A MTV não segue tendência, ela cria tendência. Acho interessante pensarmos nessa volta aos anos 90 focando em como  a marca e o canal foram tão icônicos. Isto fica bem claro na novela da Globo , onde a MTV nitidamente foi inspiração da emissora [a PopTV ]”.

 Enquanto isso, Jerfeson Aires, telespectador atual da emissora, vê o retorno dos programas não apenas como um apelo nostálgico, mas como uma estratégia de audiência.

 “Antes a MTV tinha uma concorrência maior. Hoje quase não existem programas semelhantes. É uma vantagem eles retornarem com estes produtos. As únicas que se aproximam do que eles fazem e faziam, atualmente, é o  Multishow e a  Vh1 ”.

O retorno das cinzas

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Em 2013, a MTV encerrou seu ciclo como televisão aberta e partiu para o universo da televisão por assinatura. Segundo Joy Moretti, neste ponto a emissora perdeu sua brasilidade, pois muitos produtos eram gringos, e apostou suas fichas em programas diferentes.

“Antes era um enlatado da gringa, depois encheu a programação de produto brasileiros e depois voltou a ser algo gringo. Agora que estão voltando com os programas nacionais, eles vão pegar não só o público saudosista dos anos 90, mas o público novo que não pôde ver a MTV como era”, opina.

Dando musculatura ao posicionamento de Joy, Jerfeson diz: “Eu não conhecia o ‘Acústico’, não é o que mais assisto, mas gosto. Os programas de música também têm me cativado. Eu nem assistia a MTV antigamente, mas com a volta dos programas consigo sentir como era”.

Sem citar números, Natália Julião enverniza a declaração dos espectadores ao justificar que a audiência dos programas antigos segue crescendo não apenas pelo toque afetivo, mas também pelas novidades introduzidas nos produtos.

“O ‘Hits’ ainda é um dos programas de maior audiência da MTV , a audiência dele segue crescendo ano a no”, diz ela, que acrescenta: “É um programa que está nos Trending Topics toda semana e acredito que o sucesso é diretamente ligado ao fato de que o programa segue evoluindo. A gente introduziu muitas novidades, como a Beca, youtubers e quadros”.

A revolução noventista

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Com todo esse efeito “comeback” nas mãos, a MTV resolveu estender essa onda para sua premiação anual, o MTV Miaw. Questionada se essa estratégia têm alguma ligação com a revolução na programação, a vice-presidente de programação e conteúdo da MTV América Latina não pestaneja: “Sem dúvida. O MTV Miaw é um reflexo de tudo que está acontecendo na cultural pop no ano... e o resgate dessa nostalgia estará inserida no prêmio”.

Toda onda têm seu auge, até quebrar e chegar à margem da praia pequena e quase inexistente. Antes que chegue a este ponto, Joy demonstra ansiedade para ver o que mais essa fase proporcionará: “Eu estou ansiosa para ver se vai rolar uma reformulação de tudo e o que mais está por vir. Eu fiquei bem feliz [com o retorno dos programas], claro, nunca voltará a ser aquela MTV , mas ter alguns programas na programação já é muito bom”.

Menos ansioso, Jerfeson vê todo esse plano como uma busca pela sobrevivência. “Eu acho bacana tudo que essa onda está trazendo, e acho que eles estão tentando sobreviver, claro, tudo isso sem perder a força característica de fazer o que ninguém tem coragem, de dizer o que ninguém diz aos jovens”.

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Independente de tudo, abraçar os anos 90 foi, de longe, a melhor estratégia para MTV Brasil  desde que deixou a televisão aberta. O movimento a colocou no mapa novamente, promoveu uma chuva de nostalgia entre os fãs e pôs uma pulga atrás da orelha dos telespectadores atuais sobre a fase mais áurea da emissora. Com “Jersey Shore”, “The Heroes” e um “Acústico” com Anitta a caminho, a ideia é alongar o máximo possível a boa fase.

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