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Emissora tem apostado em novos nomes para tentar inovar no conteúdo e na maneira de desenvolver narrativas nas novelas no futuro

O horário nobre da Globo – que tem a maior audiência da televisão – é composto por novelas. Há mais de 30 anos essa é a realidade da televisão brasileira e a emissora lidera no horário mesmo com uma produção mediana no ar.

Divulgação
"Justiça" colocou Manuela Dias na mira do horário nobre e autora vai estrear em 2019

Embora isso mostre como é forte o hábito de ver TV do brasileiro, os números não mentem: os gloriosos tempos de 50 pontos na faixa mais disputada na TV acabaram. A concorrência, principalmente com a internet, aumentou, mas isso não significa que as novelas , como produto, vão a lugar nenhum.

Elas precisam, sim, de uma adaptação para os novos tempos e emissora carioca sabe disso, e segue em busca de novos autores que deem conta dessa renovação. Na casa, alguns ainda conseguem certo êxito, mas acabam escorrendo, como João Emanuel Carneiro, que começou com um novo ritmo em “Segundo Sol”, mas acabou empacando na reta final.

Outros nomes, porém, vem ganhado espaço para investir em narrativas novas. Um exemplo disso é a faixa das 19h, que conta com tramas diferentes e autores menos “carimbados” no canal. Maria Helena Nascimento estreou em “Rock Story”, Claudia Souto em “Pega Pega”, Daniel Adjafre em “Deus Salve o Rei” e agora Mário Teixeira em “O Tempo Não Para”. Mas, se essa nova safra aposta em tramas inventivas, elas não inovam na maneira de narrá-las .

Isso não significa que outros autores não estejam em busca nessa novidade narrativa – nem que a Globo não esteja apostando neles. O principal nome do momento da Globo , por exemplo, é Manuela Dias.

A autora de “Justiça” desenvolveu um folhetim para a faixa das 23h que, além desses aspectos inovadores no texto, ainda mudou a narrativa ao redirecionar o foco para cada personagem em determinado capítulo. A decisão foi certeira e a “supersérie” é considerada um case de sucesso na Globo, fazendo com que Dias esteja cotada para estrear no tal horário nobre em breve.

Há de se ver, porém, se essa expectativa será cumprida. “Justiça” era densa, temática, violenta, enfim, uma série de coisas que podem não funcionar mais cedo na TV. Mas é impossível negar que a expectativa de que Dias seja uma espécie de “salvadora do horário nobre” é grande.

Além do horário nobre das novelas

Divulgação/TV Globo
"Orgulho e Paixão" tem a leveza do horário, sem ser boba ou cair em narrativas cansadas

Enquanto a Globo aposta pesado em novos autores às 19h e o horário nobre ainda é cheio de Glória Perez, Walcyr Carrasco e Aguinaldo Silva, outra faixa tem “comido pelas beiradas” e fazendo, de maneira bem mais eficiente e natural, o que nos outros tem parecido forçado.

Às 18h, as histórias costumam ser ainda mais leves, por conta da faixa horária e do público alvo - mais jovem que no período das 19h e 21h. Mas nem por isso elas precisam ser tramas bobas. “Orgulho e Paixão” é prova disso. A novela de Marcos Bernstein (sua segunda como autor principal) é muito bem adaptada dos livros de Jane Austen para a realidade brasileira.

De todas as novelas de época já exibidas pela emissora, em quantas delas vimos uma mulher que disputa corridas de moto? E que pede o marido em casamento e decide, contra tudo e todos, que quer trabalhar? Que sai de seu casamento usando calças?

Ainda assim, a trama faz todas essas histórias apresenta-las como militância – mas de maneira natural. Walcyr Carrasco, que tentou aplicar algo similar em “O Outro Lado do Paraíso”, falhou miseravelmente, pois se preocupou mais com o “merchandising social” do que com a narrativa em si.

Mas “Orgulho” não é o único bom exemplo. “Novo Mundo” misturou personagens e fatos da história brasileira com ficção de maneira inusitada e sem esconder detalhes como o caso de D. Pedro (Caio Castro) com a Marquesa de Santos (Agatha Moreira). Essa também foi a estreia de Thereza Falcão na autoria de um folhetim ao lado de Alessandro Marson.

O futuro das novelas

Divulgação/TV Globo
"Rock Story" também foi sucesso às 19h e colocou Maria Helena Nascimento a caminho do horário nobre

Nem todos os autores, porém, tem tido chance na emissora. Duca Rachid e Thelma Guedes, por exemplo, estão perdidas. Autoras de dois grandes sucessos das 18h, “Cordel Encantado” e “Joia Rara”, elas chegaram a começar muitos projetos, mas nada foi levado adiante.

Angela Chaves e Alessandra Poggi tinha uma boa ideia em mãos com “Os Dias Eram Assim”, que foi desenvolvida por elas justamente para as 18h. Alterada para as 23h, a novela não se adaptou bem, mas não significa que a dupla não mereça uma oportunidade mais cedo.

A casa está cheia de novos autores: Rui Vilhena (“Boogie Oogie”), Izabel de Oliveira e Paula Amaral (“Cheias de Charme”) e a própria Maria Helena Nascimento (“Rock Story”) que já está desenvolvendo uma sinopse para as 21h.

Leia também: Novelas da Globo buscam inovação inspiradas em romances e séries

A Globo já sacou que precisa renovar sua safra de autores, e tem se esforçado para realizar isso nas novelas das 18h, 19h e 23h. Resta saber se eles “bancam” esses nomes e se dispõe a testá-los no horário nobre.

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