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Mulher pegando o marido na traição, morte e clichês dominaram a semana de maior audiência em “O Outro Lado do Paraíso”

“O Outro Lado do Paraíso” é uma confusão. Por um lado, a trama aposta em um bom tema (vingança), com uma mocinha que, cansada de apanhar, saiu batendo em todos que a fizeram mal. A premissa é boa e, por enquanto, Bianca Bin está segurando as pontas como Clara. Marieta Severo também se supera como a vilã Sophia e as antagonistas levam boa parte da novela nas coisas.

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Cenas clichê tem tomado conta da última semana de
Divulgação/TV Globo
Cenas clichê tem tomado conta da última semana de "O Outro Lado do Paraíso", mas não deve sustentar novela

Porém, “ O Outro Lado do Paraíso ” é cheia de tramas paralelas, muitos personagem que não tem utilidade nenhuma e são mal desenvolvidos, e tramas que, além de clichê , são um pouco bobas. Quem em sã consciência, ao entrar em um cômodo e ver um homem morto a facadas, vai ter como reação pegar a arma do crime na mão? Pois é exatamente isso que Clara faz ao entrar num quarto do bordel e ver Laerte (Raphael Vianna) desfalecido. Como óbvia culpada pelo crime, ela é protegida por Duda (Glória Pires), mesmo sem ter obrigação nenhuma.

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A relação entre as duas, por sinal, virou motivo de piada na internet. Elas já se cruzaram umas 50 mil vezes diferentes, com Duda sempre disposta a ajudar a mocinha. Agora, ela faz o sacrifício máximo: ser presa em seu lugar, por um crime que não cometeu (nenhuma delas, aliás. Quem matou foi Sophia).

Clichê atrás de clichês

Outro caso bem comum em novelas é a mulher traída. Dessa vez, a diferença é que, ao invés de encontrar o marido com outra mulher, Suzy (Ellen Roche) vê Samuel (Eriberto leão) com um homem. Além de dar um barraco no local (compreensível até), ela decide expor ele ou seja, tirá-lo do armário na marra para todos no hospital onde trabalham. Samuel não é flor que se cheire, mas usar sua sexualidade como motivo de "vergonha" é completamente desnecessário. Mas tudo isso aconteceu, sempre visto de perto por Clara, a arquiteta de todo o barraco.

Já viu isso antes?
Reprodução/TV Globo
Já viu isso antes? "O Outro lado do Paraíso" também teve a cena clichê do "banho" de dinheiro

Achou que parava por aí? Não, não não! O que é uma novela das 21h atual sem uma cena de um casal de trambiqueiros nadando no dinheiro? Nádia (Eliane Giardini) e Gustavo (Luis Melo) protagonizam uma cena onde se divertem jogando dinheiro na cama e se esbaldando com as notas. Em 2017 a mesma cena se repetiu em “ A Força do Querer ” e, já na época, foi criticada por replicar outra cena do tipo, que aconteceu em “Império”.

A própria Nádia, inclusive, já protagonizou outra cena bem bobinha. Querendo separar de todo jeito o filho Bruno (Caio Paduan) de Raquel (Erika Januza) por puro racismo, ela “armou” com a esposa do rapaz, que se jogou em cima dele assim que Raquel chegava.

Por fim, o próprio Bruno é um exemplo de profissional pouco capacitado. O delegado que quer se separar da esposa não consegue nem arrumar um advogado sozinho e fica esperando o pai resolver a questão. Aí, quando ele finalmente decide se virar e conversa com um advogado, ele não sabe nem como prosseguir.

É disso que o povo gosta

Os clichês podem até estar correndo soltos em “O Outro Lado do Paraíso”. Mas a tática está dando resultado. Na semana em que Laerte morreu e Suzy desmascarou o marido a novela teve sua melhor média. Na quinta-feira (11), com a cena de Suzy encontrando Samuel no motel, a novela bateu 42,5 pontos de audiência em São Paulo. Na 12ª semana, a novela está indo melhor que o mesmo período de “A Força do Querer”. Com 12 semanas, a novela de Glória Perez não tinha nem conseguido alcançar os 40 pontos e chegou a dar 26 em um dia.

O resultado é reflexo de que, ao contrário do que muito se diz sobre os temas batidos cansarem o espectador, eles continuam atraindo público. Isso não significa que esses clichês consigam se sustentar a longo prazo. Mesmo que essas cenas causem certo frenesi no momento, sua continuidade deve acompanhar as expectativas do público. Afinal, clichês não são novidades, mas também não sustentam tramas. Em “ Avenida Brasil ”, por exemplo, era a interação entre Nina/Carminha/Tufão, etc. que mais interessava, e não alguma cena batida. “ O Outro Lado do Paraíso ” ainda é instável e acumula muitos erros. Apostar em clichês não salvará a trama se sua história não se sustentar.   

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