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No ar há mais de 40 anos, o “Fantástico”, nunca desistiu de se reinventar, mas nem sempre acertou. Veja o que está funcionando ou não no jornalístico

No ar há mais de 40 anos, o “Fantástico” é um dos programas mais antigos da televisão. O programa foi ao ar pela primeira vez em agosto de 1973, apresentado por Sérgio Chapelin, já com o intuito de levar temas variados, que não tem tanto espaço no noticiário de “hard news”. Ao longo dessas quatro décadas, o programa já teve grandes nomes a frente, como Cid Moreira, William Bonner, Glória Maria , Pedro Bial, até Zeca Camargo e Renata Ceribelli, mais recentemente.

Os atuais apresentadores do
Divulgação/TV Globo
Os atuais apresentadores do "Fantástico", Tadeu Schmidt e Poliana Abritta

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Com todo esse tempo no ar, era inevitável que o “ Fantástico ” passasse por momentos de crise e, como era de se esperar, teve seus momentos de crise. Apesar de sempre manter a audiência no horário, já foi ameaçado pelo SBT na época da exibição do reality show “ Casa dos Artistas ”, em 2001 e amargou números baixos com Patrícia Poeta e Zeca Camargo. Mesmo assim, a “revista eletrônica” nunca deixou de se reinventar. Apesar de receber duras críticas por sua última grande reformulação em 2016, o programa foi acertando os pontos e voltou a melhorar sua média. Em uma fase melhor, listamos o que tem funcionado e o que não tem no dominical. Confira:

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Funciona

Três gols pede música

Desde sua estreia, o “artilheiro musical” nunca deixou de fazer sucesso. A música do craque que consegue a façanha de marcar três gols no jogo da rodada é sempre um momento aguardado e apreciado do programa. O bordão, inclusive, virou meme e muitas pessoas fazem referência a ele quando algo se repete três vezes.

Musical

Milton Nascimento se apresenta no
Divulgação/TV Globo
Milton Nascimento se apresenta no "Fantástico", que voltou a investir em atrações musicais

O “Fantástico” voltou a ser mais musical, como era no seu início, quando contava com a apresentação de músicos. Desde quando foi ao ar pela primeira vez, em 1973, O “Fantástico” sempre dedicou parte da atração a destaques culturais. Na época, era comum que o programa recebesse artistas para se apresentar ao vivo, ou estrear videoclipes, como foi o caso de Raul Seixas , que gravou um clipe de “Guita” especialmente para o programa.

Com o passar dos anos, apesar de continuar destacando a música e entrevistando artistas nacionais e internacionais, o “Fantástico” deixou de dar destaque a esse segmento. Porém, de uns anos para cá, a atração retomou essa característica, levando artistas para se apresentar em um cenário próprio. Dos clássicos nacionais como Milton Nascimento e Ney Matogrosso, a artistas pop como a ex- Spice Girl Mel C, vários cantores se apresentaram recentemente, em um quadro que se mostra um respiro no domingo à noite.

Bem sertanejo

Michel Teló viaja pelo Brasil para cantar sucessos sertanejos no
Divulgação/TV Globo
Michel Teló viaja pelo Brasil para cantar sucessos sertanejos no "Bem Sertanejo"

Michel Teló estourou em 2011 com “Ai Se eu Te Pego” e, desde então, se consagrou como um dos novos nomes da música sertaneja. Com um estilo musical diferente do sertanejo “de raiz” de duplas mais antigas, ele conquistou um novo público. Popularmente conhecido, o cantor foi convidado pelo “Fantástico” em 2014 para apresentar o quadro “Bem Sertanejo”. Com sua simpatia e um talento que impressionou muitos, Teló viajou o Brasil, visitando os maiores nomes do estilo musical para tocar a boa e velha moda de viola. O quadro deu tão certo, que já virou fixo na programação.

Quadros diferentes

Mas não é só o “Bem Sertanejo” que se destaca no dominical. O “Fantástico” tem investido cada vez mais em quadros diferentes. Um dos mais populares é o “Chefe Secreto”, apresentado por Max Gehringer, onde diretores de grandes empresas se disfarçam para conviver com seus funcionários. O “Detetive Virtual”, que desvenda vídeos da internet, e “Repórter por um dia”, que coloca famosos na pele de jornalistas, cobrindo pautas diversas também são grandes sucessos.

Quem também tem cadeira cativa no programa e sempre apresenta quadros especiais, oferecendo um serviço de utilidade pública no quesito saúde é o médico Dráuzio Varella . Ao longo dos anos em que participou do dominical, ele já falou de temas como o vício em cigarro, Síndrome de Down, autismo, câncer e muitos outros assuntos.

Segredos de Justiça

Cid Moreira foi um dos primeiros apresentadores do
Reprodução/TV Globo
Cid Moreira foi um dos primeiros apresentadores do "Fantástico", que estreou em 1973

Outra boa sacada no programa é a inclusão de séries curtas entre os quadros e reportagens. O mais recente, e quem tem feito grande sucesso, é a série “Segredos de Justiça”. Baseada no livro da juíza Andréa Pachá, a série traz Glória Pires no papel da juíza da Vara da Família que tenta resolver os mais diversos casos familiares, incluindo divórcios, agressões, paternidade, entre outros.

A série, além de contar histórias inusitadas que ocorreram ao longo da carreira da juíza, o faz em forma de documentário, com depoimentos de atores se passando pelos documentados. Além de contar com uma das maiores atrizes do casting da Globo, a série, que traz atores diferentes a cada episódio, escala ótimos nomes da dramaturgia, como Fabíola Nascimento, Felipe Camargo, Tonico Pereira e Heloísa Périssé.

Cadê o dinheiro que estava aqui?

Outro quadro une o sucesso das séries do programa com trabalho investigativo jornalístico, o “Cadê o dinheiro que estava aqui?” se baseia em denúncias anônimas. Um jornalista não identificado acompanha investigações policiais em todo o Brasil, com o intuito de denunciar e combater a corrupção . Desde quando a série estreou, 37 cidades já foram investigadas e mais de 100 pessoas acabaram presas.  

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Reportagens especiais

Sem esquecer sua veia jornalística, o “ Fantástico ” aposta em séries de reportagens especiais. A mais recente, “Quem Sou Eu?”, mostra Renata Ceribelli em uma série de reportagens sobre pessoas transgêneros. Através das histórias dos entrevistados, a série busca não só desmistificar essas pessoas, como também esclarecer para o público sobre os sentimentos e dificuldades que eles enfrentam.

Não Funciona

Apresentadores

Patrícia Poeta e Zeca Camargo funcionavam melhor a frente do dominical
Divulgação/TV Globo
Patrícia Poeta e Zeca Camargo funcionavam melhor a frente do dominical

O “Fantástico” tem muitas qualidades, mas não dá para ignorar que algumas coisas não funcionam tão bem. Tadeu Schmidt e Poliana Abritta são ótimos jornalistas, isso ninguém dúvida. Porém, falta um “algo a mais”. O “Fantástico” não é engessado como os noticiários tradicionais e, por isso, oferece mais liberdade aos âncoras de ser um pouco mais informais. Tanto Tadeu quanto Poliana fazem isso mas, principalmente com Poliana, o resultado não soa natural. Talvez falte deles um pouco da intimidade com a câmera que, por exemplo, tinha Zeca Camargo ou Glória Maria. Outros nomes do jornalismo da emissora, como Evaristo Costa , Maju Coutinho e até a companheira de bancada de Evaristo, Sandra Annenberg, trariam mais carisma para o dominical.

Jornalismo

Como comentado acima, o programa investe em especiais jornalísticos. Mas, ao longo dos anos, o viés noticioso tem sido cada vez menos presente no “Fantástico”. Reportagens que, apesar de interessantes, são consideradas mais frias e menos interessantes, acabam tomando bastante tempo. Em um momento de efervescência política como o atual, seria necessário que o programa destacasse mais esse aspecto durante as mais de duas horas em que fica no ar.

Cenário

Reprodução/TV Globo
"Fantástico" já teve bancada e contou com Sérgio Chapelin e William Bonner

O “ Fantástico ” não tem medo de mudar, e isso é uma qualidade. Isso não significa que tudo dê certo. Ao longo dos anos, já foram investidos nos mais diversos tipos de cenários, desde os mais realistas aos mais futuristas. Agrada por não investir em uma bancada há muitos anos, mas ainda assim, tenta investir em um espaço onde os apresentadores possam “passear”, sem muito sucesso. A interação tecnológica é um tanto exagerada, e pouco acrescenta a apresentação. Ao tentar inovar, o programa costumar pecar nos cenários e raramente acerta o tom.

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