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Década ficou marcada pela ousadia das minisséries da Globo, que elegeu essas produções para experimentar novos formatos narrativos

"Justiça", que tem estreia marcada para o próximo dia 22, já vem provocando bastante empolgação nas redes sociais. A minissérie promete entrar para a história da Globo com um formato narrativo mais ousado. Embora as novelas permaneçam como o carro-chefe da emissora, ao longo dos anos a aposta em diferentes formatos e minisséries tem sido uma constante para o canal sediado no Rio de Janeiro. 

Minisséries da Globo dos anos 80 que inovaram e conquistaram o público

Nos anos 90, a Globo ampliou a produção de minisséries, que viraram uma espécie de reduto para algumas das maiores ousadias da emissora. Intensificaram-se os trabalhos de pesquisa deste formato e a produção se tornou cada vez mais presente, com alguns verdadeiros clássicos da dramaturgia nacional surgindo nesse período. Para preparar os espectadores para “Justiça”, o  iG  relembra cinco  minisséries da Globo dos anos 90 que ousaram e marcaram a história da televisão brasileira:

“As Noivas de Copacabana” (1992)

Miguel Falabella e Christiane Torlonii em
Reprodução/Memória Globo
Miguel Falabella e Christiane Torlonii em "As noivas de Copacabana"

Muito antes de “Dupla Identidade”, série de sucesso criada por Glória Perez, a Globo exibia esta obra de autoria de Dias Gomes, que contava com Miguel Falabella na pele do protagonista Donato, um assassino em série frio e calculista, que seduzia mulheres que tinham um anúncio de vestido de noiva nos classificados dos jornais, e as assassinava. Ele estrangulava as mulheres enquanto elas usavam o vestido de noiva. Donato impressionava a audiência porque vivia uma vida normal ao lado da mulher Cinara ( Patrícia Pillar ) e de sua tia Eulália ( Yara Lins ), sem deixar transparecer sua real psicopatia.

Cinco novelas da Record que fizeram sucesso e surpreenderam

O autor criou a minissérie baseando-se em uma reportagem exibida pelo “Fantástico” na época e ganhou dois finais diferentes: na versão brasileira, Donato fugia. Na internacional, acabava na cadeia. A série não contou com uma trilha sonora própria, com a canção “Copacabana”, de João de Barro e Alberto Ribeiro, sendo a única a marcar presença. A série teve considerável repercussão e foi reprisada pela Globo em mais de uma ocasião.

"Anos  Rebeldes"  (1992)

As protagonistas de
Reprodução/Memória Globo
As protagonistas de "Anos Rebeldes"

Assim como "Anos Dourados" esta minissérie teve um grande sucesso e impulsionou a carreira da atriz Cláudia Abreu . A história buscava demonstrar a repressão imposta pelo regime militar, que teve inicio em 1964. A personagem Heloísa, interpretada por Cláudia, teve grande destaque na trama, passando de uma menina rica e mimada para uma combatente contra as imposições militares.

Novelas da Globo dos anos 90 cativaram o público

Não apenas uma das melhores minisséries da Globo, mas de toda a televisão brasileira, ela foi apontada inclusive como uma influência nas manifestações políticas da época em que foi exibida, quando o movimento dos “Caras Pintadas” tomava as ruas em oposição ao governo Collor. Cláudia Abreu contou que chegou a ser chamada para palanques e que foi identificada como “musa dos caras pintadas” A minissérie também foi a estreia da atriz Betty Lago na TV.

"Engraçadinha, Seus Amores e Seus Pecados" (1995)

Claudia Raia como
Reprodução/Memória Globo
Claudia Raia como "Engraçadinha"

Esta minissérie foi baseada na história “Asfalto Selvagem: Engraçadinha, Seus Amores e Seus Pecados”, do dramaturgo Nelson Rodrigues, e foi uma das mais ousadas produções da Globo, tratando de temas como sedução e sexualidade. A história começa em Vitória, quando Engraçadinha ( Alessandra Negrini ), moça de família conservadora, encontra o prazer com seu primo Sílvio, que é noivo de Letícia (Maria Luísa Mendonça ), que também nutre uma paixão pela amiga. No entanto, quando Silvio descobre que é na verdade irmão de Engraçadinha, Silvio se castra na frente dela e morre. Anos depois, agora casada, Engraçadinha (Cláudia Raia) redescobre o prazer em um caso extraconjugal com Luiz ( Alexandre Borges ), no entanto, Letícia reaparece novamente para chacoalhar a vida de Engraçadinha.  

A minissérie fez parte das comemorações de 30 anos da Rede Globo. Primeiro papel dramático de Claudia Raia na televisão, que lhe rendeu muitos elogios e a firmou como uma atriz versátil. Foi, também, a estreia da atriz Alessandra Negrini na televisão. A minissérie foi vendida para diversos países e foi lançada em DVD em 2006.

"Hilda Furacão" (1998)

Rodrigo Santoro e Ana Paula Arósio em
Reprodução/Memória Globo
Rodrigo Santoro e Ana Paula Arósio em "Hilda Furacão"

Escrita por Glória Perez, esta minissérie contou a história de Hilda Furacão, do romance homônimo de Roberto Drummond, que se tornou a prostituta mais cobiçada de Belo Horizonte, após fugir no dia de seu casamento e se distanciando de sua família tradicional.

Sem dúvida, o maior destaque desta minissérie foi a atriz Ana Paula Arósio, que acabou se transformando em uma grande estrela de novelas e de outras minisséries da Globo.  A trama contou com diversas tramas interessantes. De acordo com o site "Memória Globo", a autora se baseou em depoimentos de militantes do período para reconstruir o clima político da época. O ator Rodrigo Santoro também foi bastante elogiado por seu desempenho. 

"Chiquinha Gonzaga" (1999)

Regina Duarte em
Reprodução/Memória Globo
Regina Duarte em "Chiquinha Gonzaga"

Esta minissérie de Lauro César Muniz contou a história da compositora Chiquinha Gonzaga, que desafiou todas as ideias de sua época e também mostrou toda a luta das mulhers por um espaço na sociedade.

Novelas da Globo dos anos 70 e 80 que emocionaram e marcaram época

A minissérie marcou a retomada de obras de época na emissora e impulsionou o desenvolvimento de tramas de época no horário das 18h, além de ser um sucesso de audiência e um dos melhores trabalhos do autor, que serviu de referência para outras minisséries da Globo que vieram.

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