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Personagem que foi assumindo o protagonismo da produção à medida que a trama avançava é o mais shakespeariano do universo de George R.R. Martin

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Jon Snow momentos antes da Batalha dos Bastardos no penúltimo episódio da sexta temporada da série

Ele apareceu pela 1ª vez em “The Winter is Coming”, primeiro episódio de “Game of Thrones”, que foi ao ar em 17 de abril de 2011, e deve permanecer vivo, pelo menos, até o último episódio da série, que será exibido em 19 de maio.

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Permanecer vivo tem um significado diferente para Jon Snow (Kit Harington), o personagem mais trágico de “Game of Thrones” , aquele que mais remete à clássica jornada do herói e também mais bem se encaixa nos parâmetros de protagonista absoluto da série que se caracterizou pelos muitos protagonistas, reviravoltas, surpresas e teorias.

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Jon Snow em cena da primeira temporada da série: uma longa e tortuosa jornada

O grande mistério da série gira em torno de seu personagem e mesmo depois de desvendado para a audiência, repousa nele – que é a personificação do fogo e do gelo, por ser tanto Targaryen como Stark – as grandes questões da última temporada. Jon Snow descobrirá sobre sua ascendência? Como isso impactará sua relação com Daenerys (Emilia Clarke)? Ele reclamará o trono de ferro?

As perguntas sobre o personagem, que enfrentou mais pontos críticos do que qualquer outro que ainda segue vivo na trama, sempre foram mais interessantes do que as respostas. Mas há hipóteses mais verificáveis do que outras em relação às perguntas que antecipam a estreia do último ano da série.

Jon notadamente evoluiu muito como personagem e foi um dos primeiros a compreender que a disputa pelo trono de ferro não era a mais importante da série. Essa tomada de consciência pelo personagem norteou uma importância dramática na série que atinge seu clímax revestindo Jon como o grande personagem que ele sempre foi e que muitos só começaram a notar quando ele voltou dos mortos na sexta temporada com os préstimos de Melisandre (Carice Van Houten).

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Personagem shakespeariano

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Jon Snow ao lado de seu primeiro amor (Ygritte) e eventualmente rival em uma das muitas guerras em que se lançou

Há uma cena na sexta temporada entre Jon e Sir Davos (Liam Cunningham) que pode ser facilmente listada como uma das melhores de todo o show que sumariza com incrível eficácia a tragédia do personagem, o mais shakespeariano – no sentido dramatúrgico e cativante – de todos que habitam o universo criado por George R.R. Martin.

Em “Oathbreaker”, flagramos um Jon Snow ainda desorientado após voltar dos mortos e sendo aconselhado por Sir Davos. “Eu fiz o que achava certo e fui morto por isso. Traído pelos meus próprios irmãos. Eu falhei”, observa com sofreguidão em relação ao evento que fecha o 5º ano do programa. “Bom. Então vá lá e falhe novamente”, emenda Sir Davos.

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Uma das cenas mais importantes para entender a trajetória do personagem aconteceu na sexta temporada

Esta aí em uma acena aparentemente banal em um episódio marcado por movimentações dos Lannisters e visões de Bran (Isaac Hempstead-Wright), a chave para entender a jornada de Jon ao longo da série. O bastardo de Ned Stark (Sean Bean), que entrou para a Patrulha da Noite, virou espião, Lord Comandante, foi assassinado por seus comandados, venceu a Batalha dos Bastardos para reconquistar o Norte e virou Rei do Norte.

Quase sempre à revelia, Jon faz o tipo que age impulsiva e apaixonadamente. Mesmo o triunfo na Batalha dos Bastardos se deu mais pela aliança tática de sua irmã Sansa (Sophie Turner) com Mindinho (Aidan Gilen) que com os cavaleiros do Vale desequilibrou o confronto em favor de Jon e seus comandados.

Perspectivas

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Cena da morte de Jon Snow no fecho do 5º ao de Game of Thrones

Jon é um personagem romântico. Daquele tipo pelo qual é muito fácil de torcer. Mas esta não é uma série que receba bem esse tipo de energia. A falta de cacoete político e a fidelidade a seus ideais pacifistas e algo utópicos tornam particularmente difícil vislumbrar Jon no trono de ferro, ainda que como filho legítimo de Rhaegar Targaryen tenha o pleito mais justificado entre todos os aspirantes a reinar sobre os sete reinos.

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O que esperar da aliança entre Dany e Jon no oitavo ano?

Para além da questão se haverá um trono de ferro ao fim da série, existe outra prévia. Sobre um eventual sacrífico de Jon em uma batalha contra o Rei da Noite pela preservação. “Eu acho que você quer ser um herói”, observa Mance (Ciáran Hinds) ao expor uma de suas primeiras impressões sobre Jon Snow quando este tenta se agrupar ao povo livre além da Muralha no 1º episódio da terceira temporada (“Valar Dohaeris”).

Tudo que sabemos do personagem e de como ele se comportou ao longo da série sugere para um final agridoce. A tragédia de Jon Snow é o que torna “Game of Thrones” especialmente vivaz e, talvez, o que tornará seu final um pouco insatisfatório no curto prazo, mas reverberante e potente no contexto histórico.

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