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Em entrevista polêmica, Carlos Vereza vê assassinato de Marielle Franco como "morte fabricada" pela esquerda e se diz bode expiatório de ala petista da Globo. Ator e repórter de O Povo se engajaram em conflito ideológico

O ator Carlos Vereza, 79 anos, deu uma entrevista polêmica ao jornal O Povo . A razão da entrevista era promover a peça "Iscariotes: A Outra Face", que ele apresenta neste domingo (15), em Fortaleza, mas acabou adentrando tópicos do conturbado cenário da política nacional. 

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Carlos Vereza polemiza em entrevista
Globo
Carlos Vereza polemiza em entrevista

Questionado sobre a razão de criticar frequente e veemente os gritos de "Fora, Temer", Carlos Vereza disse que o "'Fora, Temer' é a asusência de um discurso que seja alternativa (...) é criança zangada que tiraram a chupeta".

O ator continuou a elaboração de seu raciocínio. "O Temer tirou o Brasil do abismo, ele está recuperando a economia do País, a inflação está lá embaixo, batendo recordes históricos. Isso é o cara que fez, não é o Vereza que está dizendo, são organismos nacionais e internacionais que comprovam isso. A Petrobrás está se recuperando, de 14 milhões, ele conseguiu recuperar 1 milhão de vagas, isso é o IBGE, a Fundação Getúlio Vargas, o Valor Econômico que diz".

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Na sequência, Vereza classifica o MST como uma organização terrorista e expressa desconfiança do discurso vinculado à morte da vereadora Marielle franco. "Ao invés de 'Fora, Temer', diga assim: eu proponho que a reforma agrária seja feita definitivamente, que o Movimento Sem Terra deixe de ser um grupo terrorista e passe a ser um movimento que lute realmente por terra. Eu não sou esquerda nem de direita, mas isso são fatos. Eles não tiveram terra esse tempo todo e não reclamaram com o PT, por quê? Porque é uma organização paramilitar, terrorista, estão aí fechando estrada, queimando pneu, estão lá em Curitiba fazendo necessidade na calçada das casas dos moradores, que não têm nada a ver. São fatos. Estão radicalizando a tal ponto como se quisessem fabricar mais um cadáver, além da Marielle... Marielle é um cadáver fabricado por eles...".

Indagado pelo repórter do jornal quem seriam eles, o ator apontou a esquerda como responsável pela fabricação. "A ideologia radical sectária de esquerda. Eu tenho certeza, não tenho a menor dúvida, porque está havendo no Rio de Janeiro uma investigação (sobre a morte de Marielle) que já chegou a um ponto que, se eles mudarem a narrativa, vai ser uma decepção para muita gente. (...) Essa menina ou foi assassinada pela milícia ou foi assassinada por pessoas que aparentemente compactuam com a ideologia dela", defendeu o ator.

Esquerda avalista de Bolsonaro

Para Vereza, Bolsonaro é um sintoma direto desse radicalismo que caracteriza o Brasil atual. "Eu avalio matematicamente. É uma lei física, a cada ação, uma reação. Como a esquerda radicalizou demais, surge uma reação que é o Bolsonaro, que eu não considero nem de extrema direita, considero de direita. Extrema direita mesmo é o que está acontecendo na Alemanha, que voltou a ter um antissemitismo, alegando, com alguma razão, que os imigrantes estão deturpando os valores nacionais e culturais. Bolsonaro é um cara da direita, não tem saída, é dialética, se você radicaliza de um lado, do outro ele vai desaparecer. É na política, na vida".

Discussão com o repórter

Carlos Vereza analisa cenário político do Brasil durante entrevista no
Reprodução/TV Globo
Carlos Vereza analisa cenário político do Brasil durante entrevista no "Conversa com Bial" e defende permanência de Temer

Em um dado momento, Vereza e o repórter se engajam em um contronto claramente ideológico. O repórter questiona: "Na ditadura militar, o senhor integrava o Partido Comunista e chegou a ser preso. Não teme que, caso um nome como Jair Bolsonaro seja eleito, isso volte a acontecer no País?". Vereza rebate:  "Aí você está radicalizando, comparando o Bolsonaro a um nazista... Você está pressupondo que ele vá sequestrar as pessoas..."

O repórter retruca: "Mas ele prega a censura à arte, a pena de morte..." e Vereza mais uma vez rebate: "Sim, mas a Gleisi Hoffmann e o Lindbergh Farias estão incitando a massa a invadir a Polícia Federal e, obviamente se invadir a Polícia Federal, vai ter gente morta. Qualquer extremo não dá certo". 

Em um dado momento da entrevista, Vereza se diz medium e observa que a "aura" do repórter entrega que ele é petista. "Eu sei que eu não estou te agradando, você é petista, porque eu sou médium e eu estou vendo no teu perispírito que você é petista". O repórter então nega ser petista e o ator insiste. "Você é de esquerda eu estou vendo na sua aura. Cada coisa que eu falo sua aura fica assim piscando".

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Maioria petista na Globo

Selmy Yassuda
"Fiquei satisfeito com o resultado", diz o ator Carlos Vereza sobre a repercussão de sua entrevista ao iG

O ator ainda criticou o que chama de lobby gay ("Eu amo o homossexual e odeio o lobby gay. Eu amo o pecador e odeio o pecado") e se definiu como bode expiatório na Globo. "Bode expiatório sou eu, que há 12 anos eu avisei o que seria o PT e as portas de trabalho se fecharam para mim. Eu fui ao Jô Soares e disse e cantei tudo o que ia acontecer com o PT..."

De acordo com Carlos Vereza , "90% dos autores e diretores da Globo são petistas" e ele só não foi mandado embora "porque provavelmente devem ter algum tipo de respeito por mim". A entrevista terminou com ânimos exaltadíssimos e, segundo O Povo , Vereza despediu-se com um "foda-se". 

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