Após quatro meses de indefinição, a escritora norte-americana Elizabeth Bishop (1911-1979) finalmente foi confirmada como homenageada da próxima Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). O nome da poeta, que apoiou o golpe militar em 1964, causou controvérsia entre escritores e quase levou os organizadores a repensar a escolha. Na última sexta-feira (06), porém, ficou decidido que a homenagem seria mantida, conforme antecipou a coluna Lauro Jardim.

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Divulgação
Elizabeth Bishop

"Na época, a pressão contra a escolha foi tão forte que chegamos a anunciar que iríamos considerar uma outra opção", diz Fernanda Diamont , curadora do evento. "Mas no fim houve um consenso entre nós ( a organização e a curadoria ) de que ela deveria ser mantida. O mundo e o Brasil estão derretendo. É tanta coisa acontecendo, tanto cancelamento nas redes, que a polêmica em torno da Bishop já foi até esquecida".

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Na época do anúncio, além da surpresa pela opção por uma escritora estrangeira (o que acontece pela primeira vez na história da Flip), autores resgataram o apoio de Bishop ao golpe militar de 1964 e comentários negativos e preconceituosos sobre o Brasil.

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Reprodução/Instagram/@flip_se
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Fernanda lembra que o evento já teve autores problemáticos entre os homenageados, como Gilberto Freyre em 2010, por exemplo. Ou, mais recentemente, Euclides da Cunha no ano passado.

"Nossa avaliação é que podemos tratar qualquer questão biográfica de forma crítica", diz a curadora. "O racismo de Euclides foi debatido em várias mesas. Todos os autores têm suas ambiguidades e estão abertos ao debate. Vamos colocar a Bishop no divã", completa.

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A curadora reconhece que foi difícil suportar a pressão após o anúncio, mas garante que não chegou a cogitar outro nome: "pensamos em organizar uma edição sem autor homenageado, mas nunca de substituir Bishop ", conta a curadora da Flip 2020 .

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