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Cantando o CD AmarElo pela primeira vez para público, Emicida lotou show e contou com convidados para experimento social que vai virar filme

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Lorena Barros / iG
Primeiro show de Emicida no Municipal teve ingressos esgotados em minutos

Na tradicional estrutura do Theatro Municipal de São Paulo, Emicida comprovou oficialmente - registrado por câmeras cinematográficas e celulares da plateia - o que todos já sabiam: o último lançamento da sua carreira, AmarElo, que chegou às plataformas no fim do mês de outubro, não completou nem um mês de vida, mas já ascendeu ao coração dos fãs.

Os assentos ocupados com pontualidade mostravam bem o quão concorrido foram os ingressos do show nas redes sociais. Vendidos por até R$ 50, eles esgotaram em minutos e viraram item de luxo na internet. Houve até quem oferecesse R$ 500 na busca por uma entrada no local. Quem conseguiu um espaço entre os 1,5 mil lugares do Municipal compôs parte da história do audiovisual brasileiro. Com estrutura grandiosa de som e câmeras, o público assistiu a um “experimento social” que vai virar filme e foi convidado a registrar tudo o que gostasse nas redes sociais.

Apesar da grandiosidade e qualidade da estrutura, da banda, do cantor, dos convidados e de todas as mãos que compuseram a primeira apresentação do artista, foram os detalhes que deram o tom da tarde e reafirmaram parte do que AmarElo e a carreira de Emicida são. Os punhos cerrados e erguidos para cantar Pantera Negra, um celular levantado ostentando a frase “você salvou a minha vida” diante da faixa que nomeia o álbum e o abraço duradouro em um fã que da primeira fila cantava todas as músicas traduzem humanamente o que é quase inexplicável para quem não esteve presente.

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Ao fim do show, após participações de Mc Tha, Drik Barbosa, Majur, Pabllo Vittar e Jé Santiago, o cantor lembrou ao público que ali a história foi feita. Não está errado. Em tempos tempestuosos de discursos de ódio, lotar um espaço luxuoso erguido apenas 23 anos após a teórica abolição da escravatura no Brasil e convidar as vidas pretas para resgatar, ali, as almas de ancestrais é fazer história.

Quem tem medo da chuva que cai no bairro da República deve pensar duas vezes antes de desistir de encarar a parte dois do evento, com exibição marcada para 21h em um telão instalado do lado de fora do Municipal. As cortinas subirão mais uma vez para o espetáculo de Emicida , as câmeras, dessa vez, transmitirão tudo para quem por ali passar.