É difícil falar do Black Eyed Peas sem citar Fergie , principal vocal dos maiores hits já lançados pela banda. Ainda assim, quando converso com Apl.de.ap e Taboo por telefone, não posso citar o nome da cantora. Com um disco novo, o primeiro sem ela, e presença confirmada no Brasil nos próximos dias, o grupo quer se reinventar, e deixar o legado de Fergie para trás.

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Reprodução/Instagram/@bep
Black Eyed Peas

Eles sabem que não é fácil, por isso contam com outra cantora em suas apresentações ao vivo, mas os passos mais recentes do Black Eyed Peas são inspirados em passos dados muitos anos atrás, antes mesmo da cantora entrar na vida de Apl.de.ap, Taboo e will.i.am. “Estamos com uma cabeça diferente”, promete Taboo.

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O grupo já tinha lançado dois discos de hip-hop, “Behind The Front” e “Bridging The Gap”, quando Fergie entrou para a banda em 2003 e a história do quarteto mudou. Se foi a cantora ou a mudança no estilo musical que alavancou o Black Eyed Peas, não importa. Fato é que a partir de 2003 até por volta de 2010, o grupo era destaque no mundo pop.

“Elephunk”, terceiro disco do grupo, vendeu 10 milhões de cópias no mundo e emplacou outros singles como Shut Up , Let’s Get Started e Hey Mama . A esses se seguiram outros grandes hits, como Pump It , Don’t Lie , My Humps e I Gotta Feeling , que chegou ao 1º lugar em 20 países.

Depois de “The Beggining”, disco de 2010, o grupo se afastou e, embora nunca tenha chegado ao fim, não lançou mais nada por oito anos. Depois de rumores, Fergie anunciou sua saída em 2017, e no ano seguinte o trio voltou ao hip-hop em “Masters of the Sun”, já sem os vocais da cantora.

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“Queríamos visitar essa música que nos levou até onde estamos hoje”, explica Apl, em entrevista por telefone com, Taboo. “A música é tão descartável hoje em dia que queríamos criar um álbum para ser ouvido do começo ao fim, e ter uma jornada diferente”, explica.

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Taboo (esq) e Apl.de.ap

Eles não falam diretamente sobre Fergie, mas sabem que sem a presença da cantora, precisavam se reinventar, mesmo que isso significasse voltar ao passado: “queríamos mostram nossa origem, a música que nos apaixonamos e as pessoas que nos inspiram”, explica Apl.

Para eles, era importante lembrar os fãs que os conheceram a partir de Where’s The Love quem eles eram antes disso. A nostalgia e o reencontro com o passado acabou tendo significado especial para os três: “quando estávamos no estúdio fazendo esse álbum lembramos muito do começo, quando não tínhamos dinheiro e nem sucesso. Me fez lembrar de quando éramos adolescentes, o amor e apreciação pela nossa  base do hip hop”, conta Tabbo.

Para ele, inclusive, a nova fase teve mais um gosto de superação. O artista enfrentou um câncer nos testículos em 2014 e passou por um doloroso tratamento, incluindo cirurgia e quimioterapia. “Para mim, conseguir superar essa doença e voltar ao palco com meus melhores amigos é um sonho realizado. É como uma segunda chance na vida”, celebra.

Recomeço

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Black Eyed Peas

“Foi a primeira vez que tivemos os três no estúdio, trabalhando cada linha em cada música para ter certeza que era tão impactante quanto queríamos”, conta Taboo. Isso significa explorar novos sons, bem como recuperar as mensagens que suas letras tinham no início: “queríamos falar sobre o que esta acontecendo no mudo ao nosso redor”, conta o músico.

No Brasil, eles esperam mostrar todas essas referências e a união de passado e presente. No dia 4 de outubro eles se apresentam em São Paulo, no Ginásio do Ibirapuera, e no dia seguinte eles sobem ao palco antes da Pink no Rock in Rio . No setlist, eles prometem uma mistura de novidades, com hits, que eles garantem que ganharam novas versões. “Não é a mesma coisa que você viu em 2010”, prometeu Taboo.

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Com a promessa de “algo fresco”, o Black Eyed Peas se mostra ansioso para tocar por aqui após nove anos longe e prometem um show que incorpora essas mudanças: “é sobre empatia, respeito e poder olhar o passado para entender de onde viemos, mas também ver onde estamos agora e onde iremos no futuro”, conclui Taboo.

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