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Cantora abre o jogo sobre carreira, acidente envolvendo sua banda, comparações com Marília Mendonça e parcerias dos sonhos

Quem vê a cara de menina, as tatuagens espalhadas pelos braços e os óculos de grau pode não perceber, mas está de cara com uma das maiores vozes do sertanejo atual. Com apenas 21 anos, Yasmin Santos tem aquele tipo de carreira meteórica que impressiona.

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Divulgação
Yasmin Santos

Depois de gravar um cover de Marília Mendonça, com quem é costumeiramente comparada, ela saiu de casa para tocar em um bar e não imaginou que, horas depois, o vídeo já tinha quase dois milhões de visualizações. “Achei que era um bug, mas meu celular não parava de tocar”, confessa Yasmin Santos .

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Seu nome já era conhecido na baixada santista, região litorânea de São Paulo onde ela nasceu e cresceu, mas não há como se preparar para uma guinada tão rápida. Nascida no Guarujá (SP), Yasmin não era apaixonada por sertanejo , propriamente, mas sim por música em geral, e tinha o sonho de ter um violão.

A realização veio aos 12 anos, quando ganhou o instrumento da avó, Dona Maria, com o suado dinheiro das faxinas que fazia. O violão era uma válvula de escape para Yasmin, seu refúgio dos problemas pessoais que ela prefere não relembrar: “quando não estava no colégio estava tocando”, recorda.

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Divulgação
Yasmin Santos

O sertanejo surgiu enquanto ela aprendia a tocar violão, sozinha. Além das revistas com cifras, ela começou a ver vídeo-aulas do estilo musical na internet e se apaixonou. Ela assinou com seu empresário no final de 2017, e selou a parceria com a Sony em abril de 2018. A ascensão meteórica pode surpreender quem ainda não conhecia Yasmin Santos, mas era só uma questão de tempo para quem já acompanhava pelos bares da baixada.

Ela chegou a ter uma dupla, mas em pouco tempo se separaram, e Yasmin seguiu sozinha. “comecei a meter as caras nos barzinhos, mostrar a cara mesmo”, conta. Criada na periferia da cidade, Yasmin sabia que o estrelato não era garantido: “é muito difícil ver alguém dar certo no lugar de onde venho”.

Mas o vídeo cantando a música de Marília chamou a atenção de gente importante, e logo a gravadora Sony se interessou. Meses depois de assinar seu primeiro contrato ela lançou Saudade Nível Hard . Em uma semana, a música já tinha 1 milhão de visualizações no Youtube e fazia parte do Top 20 das mais ouvidas do Spotify.

Marília 2.0

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Yasmin Santos

Embora a comparação com a rainha do sertanejo seja inevitável, Yasmin comemora que não haja rixa entre as duas. De acordo com ela, as duas não ouviram qualquer história que pudessem inventar, e deram uma chance para a amizade. O resultado foi Para, Pensa e Volta , escrito por Yasmin com Marília Mendonça em mente: “gravar com seu ídolo não tem preço”, comenta.

A cantora, inclusive, comemora o número crescente de mulheres no sertanejo: “um ponto positivo na mulherada e que nós somos muito unidas”, diz, citando muitas mulheres que ela acompanha no meio, como Paula Fernandes, Paula Mattos, Day e Lara e Lauana Prado.

Yasmin, inclusive, adoraria fazer uma versão feminina dos Amigos, grupo que reúne Chitãozinho e Xororó, Leonardo e Zezé Di Camargo e Luciano. “Seria um sonho gravar um DVD só com a mulherada, com ícones tipo Roberta Miranda”. Enquanto esse projeto não sai, ela divulga seu primeiro DVD, que além de Marília tem ainda Maiara & Maraisa, Wesley Safadão e Gustavo Mioto.

Apesar de manter uma boa relação com Marília e outros nomes do sertanejo, é no pagode que ela busca inspiração. Empresariada pela mesma empresa que trabalha com o Raça Negra, ela tem no vocalista Luiz Carlos sua referência no meio artístico.

“Ele me ensinou muita coisa. É muito vivido, conhece todo mundo do meio, conhece os ícones da música. É a ele que eu recorro”, confessa Yasmin. Foi ele, inclusive, que facilitou uma parceria com Leonardo, que quase participou de seu DVD : “não rolou porque estava chovendo no dia, ele não conseguiu chegar, mas cantar com Leonardo seria a realização de um sonho”, comenta.

Ritmo acelerado

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Yasmin Santos

A fama repentina implica em uma agenda lotada. Yasmin conta que sua rotina é na estrada, fazendo shows de quinta a domingo, e nos outros dias se dedica a divulgar seu trabalho. Essa correria resultou em um acidente envolvendo o ônibus que levava sua banda. No final de dezembro, um carro perdeu o controle na pista e colidiu com o ônibus, matando o motorista.

“O ônibus colidiu com caminhão de combustível e (a banda) teve que sair correndo, os pertences ficaram no ônibus e não tinha como me comunicar com eles”, relembra a cantora sobre o pânico que sucedeu o acidente. Mesmo sem perder o ritmo, ela diz que o acontecido a fez “refletir sobre a vida”.

Seguindo na estrada, ela reflete sobre onde quer chegar. Eclética, ela diz que ouve “de Caetano a U2”, e sonha em gravar um feat com um artista internacional.  Na TV, ela diz que não se vê como apresentadora (“meu lugar é em pé cantando”), mas não recusa a possibilidade de ficar a frente de um programa como o “Música Boa Ao Vivo” ou o “Só Toca Top”.

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Seja na TV, na estrada, no Youtube ou no streaming, Yasmin Santos já criou uma base fiel de fãs e abriu seu caminho sertanejo. Se o futuro do gênero musical está nas mulheres, Yasmin é uma das representantes de destaque.

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